Calouro de 61 anos que viralizou vai fazer faculdade para melhorar a vida da mãe

Na última quinta-feira (30), foi divulgada a lista de aprovados da Universidade Federal do Pará (UFPA) e um calouro chamou a atenção do país inteiro, Alcyr Altaíde Carneiro, 61 anos, aprovado no curso de Enfermagem.

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Uma foto da mãe dele, de 90 anos, cortando seu cabelo viralizou nas redes sociais. Eles comemoraram juntos a aprovação no curso. “Em todos esses anos, com certeza esse foi o momento mais indescritível da minha vida”, ele diz.

Alcyr mora no bairro do Coqueiro, em Belém (PA), e vive com a mãe em uma casa de madeira alugada. Há mais de duas décadas ele trabalha cortando grama de quintais. Antes, já trabalhou como cobrador de ônibus, recenseador e fez serviços gerais.

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Nunca desista dos seus sonhos! 👏❤ Nunca é tarde para estudar!! Este senhor acaba de passar em Enfermagem na UFPA!! Mais uma prova de que nunca é tarde para correr atrás dos nossos sonhos. Ele trabalhava roçando quintal de dia e ia pra escola a noite, não faltava um dia, estudava horas. Alcyr Ataíde Carneiro – 3º Lugar na UFPA Enfermagem NOVO CALOUROOOOOOOOO 2020 PARABÉNS 👏👏👏👏👏👏👏 Via @oladobomdascoisas.oficial

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O calouro da UFPA decidiu dedicar-se aos estudos para entrar no ensino superior visando melhorar a situação da família – especialmente da mãe.

A sensação de ter sido aprovado é indescritível para ele. “Cheguei ao ponto de pensar que havia duas saídas – ganhava na mega sena, o que é quase impossível, ou vencia através do estudo. Optei pela educação, porque além de obter sucesso, terei conhecimento, e isso não tem preço!“, revelou.

“Me senti valorizado, por isso eu sempre dediquei o máximo”

No ano passado, Alcyr dividia uma sala com jovens de 16 e 18 anos em um cursinho pré-vestibular, onde se preparou para o Enem. As aulas eram à tarde e as revisões em casa se estendiam pela madrugada, já que ele trabalha de manhã, de domingo a domingo.

‘Mesmo com todo esse esforço, eu nunca faltei uma aula sequer, nunca cheguei atrasado, queria participar de tudo, e todos me incentivavam – os colegas, os professores, a coordenação, o segurança, o pessoal que trabalhava na limpeza. Eu até brincava que se dependesse de torcida, eu já estava aprovado. Me senti valorizado, por isso eu sempre dediquei o máximo”, contou.

Um sobrinho de Alcyr deu um jaleco para ele usar no trabalho, que o estudante colocou num cabide e estendeu no quarto. A vestimenta virou um incentivo extra para ele.

“Uma vez ele me deu um jaleco, para eu usar no trabalho. Eu lavei, coloquei em um cabide e deixei no meu quarto. Tinha um pensamento que aquele jaleco seria um motivo para me incentivar a não desistir. Até hoje, ele está lá do mesmo jeito que eu coloquei pela primeira vez, foi como um talismã.”

“Quando estava cansado, exausto e achando que não ia conseguir, olhava aquele jaleco e dizia para mim mesmo: um dia vou estar usando um jaleco como esse”, revela, emocionado.

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“Até joguei o rádio na parede de tanta emoção, saí correndo de bermuda na rua”

No dia da divulgação dos resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Alcyr conta que saiu do trabalho o mais cedo que pôde, foi para casa e apreensivo, ligou o aparelho de rádio – no Pará, o resultado do processo seletivo é tradicionalmente divulgado assim. Conheça outras histórias de paraenses aprovados na UFPA e na UEPA clicando aqui.

“Estava eu e meu cachorro, começou o listão e nada de chegar Enfermagem. Na primeira turma, meu nome não saiu. Achei que não tinha passado. Aí chegou a segunda turma e meu nome estava lá. Até joguei o rádio na parede de tanta emoção, saí correndo de bermuda na rua, gritando, tanto que até hoje estou rouco, procurei minha mãe e só consegui abraçá-la, sem conseguir falar.”

“Muitas pessoas vieram me parabenizar, eu nem esperava tudo isso, mas foi uma felicidade tão grande, me senti tão honrado, que eu vou ser sincero, até hoje ainda me deixa cheio de emoção.”

Dois dias após o resultado, Alcyr visitou a coordenação do cursinho e a sala dos estudantes do terceiro ano do Ensino Médio.

“Ela [professora] pegou e contou minha história para eles; lembrou que eu já cheguei até a trabalhar na limpeza da escola para ajudar a pagar mensalidade; falou da minha luta e que eu era motivo de orgulho. Aproveitei e falei para eles que nunca é tarde, que todos somos capazes e temos que fazer nossa parte.

O discurso terminou com abraços e lágrimas dos estudantes que tanto conheciam a fama de estudioso que o calouro construiu no local. Na última terça (4), Alcyr se matriculou oficialmente na UFPA. A expectativa é grande.

“Escolhi a Enfermagem por que para mim é uma profissão digna, assim como muitas outras, mas como já fiz cinco cirurgias, em vários hospitais, sempre fui muito bem atendido por enfermeiros, médicos, aí passei a ter uma simpatia pela área da saúde. Pretendo ser competente e digno para ter uma vida melhor para mim e minha família, além de dar minha contribuição para a sociedade, ajudar as pessoas, sem discriminação, pessoas de baixa renda. Foi por tudo isso que optei pelo curso.”

“Quando coloquei na minha cabeça que tinha esse objetivo, eu corri atrás e passei a ver os estudos não como algo a me forçar a fazer, mas algo que me dava alegria, satisfação. Só Deus sabe o que passei, mas acho que uma coisa é certa: consegui esse êxito porque tudo que fiz para alcançá-lo foi porque eu acreditei que a educação é capaz de transformar a vida das pessoas”, afirma.

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Fonte: G1/Foto: Arquivo pessoal

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