Campanha promove luta pelo fim do machismo e pela igualdade

Já havia refletido sobre isso a um tempo a atrás, antes mesmo de existir essa campanha, cheguei a conclusão de que os homens também são aprisionados pelo machismo, e o pior, sem ter a consciência disso. Algumas vezes até já havia me questionado se era um homem normal por não se encaixar nos estereótipos impostos pela sociedade: como torcer para algum time de futebol, assistir as lutas do UFC, ser “baladeiro”, nunca recusar mulheres e “passar o rodo” em todo mundo. Por um bom tempo, fui influenciado por outros e pela minha própria cobrança interna, até tentei ser quem não era para me encaixar, mas uma hora percebi que não estava feliz e que era mais um homem prejudicado pela educação machista.

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E foi logo após uma conversa filosófica no chuveiro com minha noiva, que descobrimos a campanha “Homens, Libertem-se/Men Get Free”, do coletivo “mo[vi]mento” MG/RJ em parceria com o grupo de teatro “The Living Theatre”, de Nova York, que representa muito bem o que achamos sobre a necessidade de reeducação e auto-conhecimento dos homens.

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Esse projeto conta com a proposta de reflexão sobre as muitas formas pelas quais o machismo prejudica também os homens, independente de sua sexualidade, devido o padrão tradicional de “macho” imposto pela sociedade, tanto na mídia como na educação familiar, escolar e relacionamentos sociais e profissionais.

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Como essa construção dos homens com valores e totais poderes patriarcais prejudicam a liberdade masculina, tanto emocional quanto social! É uma opressão pouco discutida por ser mais encoberta, aceita e naturalizada, mesmo após os diversos questionamentos do último século sobre os direitos humanos.

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A campanha está se repercutindo bastante e podemos encontrar muitas críticas como essa: “prefiro-ter-câncer-de-próstata-do-que-tocarem-meu-ânus-porque-sou-macho”. Ou ainda a crítica de mulheres femistas (e não feministas) que falam que essa campanha é a “vitimização do homem, que eles não têm esse direito e de que eles deveriam parar de assediar as mulheres para depois exigirem respeito”.

Essa campanha não é sobre vitimização ou superioridade do homem e sim sobre a igualdade dos gêneros, sendo assim uma campanha feminista.

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Talvez essa campanha seja um dos primeiros passos para a sociedade acabar com a violência, com o assédio, com o abuso de poder e etc. É conscientizar os homens de que eles são livres para ser o que são, sem ter que seguir a regra do “Rosa X Azul”.

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Segundo um trecho da apresentação do projeto “… que essa reflexão se reflita em negação de algumas das formas rígidas do machismo, questionando o rótulo “seja homem! E também que possa, a longo prazo, auxiliar na diminuição da violência.” A campanha pede a libertação dos homens, não para oprimir as mulheres, mas para que ambos possam desfrutar juntos de maiores liberdades.

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Outra reflexão muito legal quem vemos no Facebook do “Homens, Libertem-se” foi:

“Metrossexual”, “Macho”, “Homem de verdade”, “Homem Sensível”, “Homem Moderno”, “o Novo Homem”, “Retrossexual” …..Quantos novos rótulos precisamos até perceber que, na verdade, as possibilidades são INFINITAS?

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=DBSTHArYJwQ”]

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MANIFESTO HOMENS LIBERTEM-SE!!

– Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.
– Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.
– Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.
– Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.
– Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.
– Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.
– Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.
– Posso recusar me embebedar e me drogar.
– Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.
– Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
– Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.
– Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.
– Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.
– Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.
– Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.
– Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.
– Eu sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada.
– Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.
– Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.
– Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.
– Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.
– Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.
– Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.
– Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.
– Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.
– Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.
– Quero ser mais que um homem, quero ser humano!
– O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!

Por um mundo onde a frase “seja homem!” não faça mais sentido…ou ganhe um novo significado.

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