Casal de POA cria marca infantil sem definição de gênero e com responsabilidade social

O casal de 26 anos Pedro Benites, designer gráfico, e Lívia Dall’Agnol, designer de moda, estão juntos desde 2007, quando se conheceram na faculdade em Porto Alegre.

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“A gente sempre quis empreender para além do mercado de design, que já é um mercado que propicia o empreendedorismo”, conta Pedro em entrevista ao Projeto Draft.

Após passarem por escritório de design, pela Renner, entre outros, em 2014, Pedro e Lívia foram trabalhar no Grupo Criativo. “Foi onde aprendemos a trabalhar juntos”, diz ela.

A parte da profissão, desenvolveram projetos paralelos. Como o mestrado em sustentabilidade no desenvolvimento de produtos em micro e pequenas empresas de Pedro, ou as atividades em Design de Serviço da Lívia.

Então, fizeram cursos de estamparia e modelagem no início de 2013 no SENAI. Foi a certeza do caminho que tomariam para empreender.

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Assim nasceu a Matiz, uma marca de roupas sustentáveis para bebês, e com temas relevantes tanto na estamparia quanto no material. “Queríamos contar histórias, gerar reflexões através dos produtos, e a melhor fase para isso é a do desenvolvimento da criança”, explica.

Pedro explica o porquê do nome da marca: “Em colorimetria, matiz é uma das três propriedades da cor. A gente decidiu trabalhar bastante cor porque a ludicidade é super importante na primeira infância, e poucos produtos sustentáveis fazem isso, são todos em tons ocres, terrosos”.

Foram dois anos desenvolvendo paralelamente a Matiz. “Visitamos várias cooperativas de costureiras que trabalhavam com algodão orgânico e fábricas que produziam malhas a partir de garrafas pet recicladas. A parte mais difícil do negócio, desde o início, foi formar uma rede produtiva local, com parceiros que compartilhassem os nossos valores”, conta Pedro.

Hoje, a marca conta com mais de 70 itens em sua loja virtual. São produtos de algodão orgânico e com tinta à base de água, almofadas recheadas de ervas para cólica, entre outros. As cores mais presentes são roxo e laranja.

Outra preocupação deles é a linha de produção. “O mercado infantil está saturado de importados e de peças super baratas, frutos de cadeias longas de produção que afastam os empresários dos produtores e geram uma série de problemas, desde a qualidade do produto até más condições dos trabalhadores”, diz Pedro. “Muitas vezes o preço de venda da peça é menor que o custo de matéria-prima. Quando isso acontece, é claro que tem alguém pagando a conta no caminho”, conta Lívia.

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Eles também quiseram fugir da questão de gênero, e não diferem suas peças entre meninos e meninas. “A gente acredita em educar para as diferenças, e não para a semelhança. Isso depois contribui com igualdade de gênero, o fim do machismo, diminuição da violência e valorização profissional das mulheres, por exemplo”, afirma Pedro.

E decidir não vender roupas cor-de-rosa por isso é um desafio no mercado conservador do Rio Grande do Sul. “Mas, à medida em que apresentávamos nossos produtos aos lojistas e participávamos de bazares e eventos, percebemos um interesse crescente e conscientização das pessoas sobre a importância desse debate”, conta

“Sabemos o que queremos ser. Preferimos ter um faturamento menor, beneficiando muitos no caminho. Não acreditamos em muito dinheiro na mão de poucos”, defende Lívia.

“Com a demanda crescente e o aumento da produção, sabemos que vamos ter que encontrar o ponto de equilíbrio para garantir uma cadeia produtiva sustentável e que, acima de tudo, mantenha o impacto local”, diz Pedro.

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Eles agora pesquisam como manter a mesma atenção em uma escala maior. E isso, ao mesmo tempo que planejam a chegada do primeiro filho. Parabéns casal!

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Fotos e fonte de informações: Projeto Draft e Matiz

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