A ponto de quase se separar, casal gay adota bebê abandonado em metrô de Nova York

Eram por volta das 20h do dia 28 de agosto de 2000 quando Danny Stewart encontrou um bebê enrolado em um moletom no metrô de Nova York (EUA). Ele estava atrasado para um um jantar com o seu namorado, o Pete Mercurio.

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Danny mal podia acreditar no que estava vendo: um bebê com poucos dias de vida, cordão umbilical parcialmente intacto, abandonado à própria sorte em uma estação de metrô. Danny gritou por ajuda, mas foi ignorado. Foi então que correu até um telefone público e ligou para a polícia.

“Encontrei um bebê!”, disse ele. Danny deu sua localização e correu de volta ao metrô para checar se o menino estava bem. Ele esperou pelo que pareceu ser uma eternidade!

estação metrô nova york
Foto: Mitchell Trotter/Unsplash

“Tenho certeza de que foram apenas alguns minutos, mas o tempo parou e meu coração disparou“, lembra. “Eu pensei, bem, eles provavelmente acham que é um trote e não acreditam em mim, então outra pessoa precisa ligar, e foi quando pensei no Pete.”

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Danny correu de volta para o telefone público e ligou para o namorado: “Encontrei um bebê. Não acho que a polícia acredite em mim, então ligue para eles, por favor, agora!'”

Pete saiu correndo do apartamento para o metrô e, quando chegou, a polícia estava levando o bebê para o hospital para verificar como estava sua saúde. Depois que Danny deu seu depoimento aos policiais, o casal foi embora.

Decisão quase acabou com a relação do casal

Pouco tempo depois, Danny recebeu um convite da Administration for Children’s Services para comparecer a uma audiência e testemunhar sobre como ele havia encontrado o bebê.

A juíza Cooper esperou que a polícia desse seu depoimento e então se dirigiu a Danny. “Ela disse, ‘Sr. Stewart, quero que saiba o que está acontecendo aqui. Em casos em que temos um bebê abandonado, queremos colocá-lo em um lar temporário o mais rápido possível.'”

“E então ela falou, ‘Você teria interesse em adotar este bebê?'”

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Danny olhou em volta e todos os olhares estavam mirando para ele. “Eu disse: ‘Sim, mas não acho que seja tão fácil’, e a juíza sorriu e disse: ‘Bem, pode ser.'”

“Eu não havia pensado em adotar”, diz Danny, “mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de pensar que me senti conectado [ao bebê], que isto nem era uma oportunidade, mas um presente, e como poderia dizer não a este presente‘.”

Do lado de fora do tribunal, Danny telefonou para Pete para contar a novidade. “Minha reação imediata foi apenas dizer: ‘Não, você não está interessado. Volte agora mesmo e diga para a juíza que você cometeu um erro. Apenas diga a ela que não’.”

casal gay sentado escada com bebê sorrindo
Foto: Pete Mercurio

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“Não tínhamos dinheiro, não tínhamos espaço, tínhamos um colega de quarto… Eu também estava um pouco bravo com ele, ‘Como ele poderia dizer sim sem me consultar primeiro?'” Danny e Pete discutiram feio e quase se separaram.

Num certo momento, Danny chegou a dizer: ‘Vou em frente com isso, com ou sem o seu apoio’, e eu apenas respondi: ‘Você está escolhendo um bebê em vez do nosso relacionamento?'”

“Ele falou: ‘Eu gostaria que todos fôssemos uma família, que fizéssemos isso juntos. Mas se você não está preparado, eu entendo e farei isso com ou sem você.'”

“Me mostrou que eu poderia ser seu pai”

Danny convenceu Pete a ir com ele visitar o bebê em seu lar temporário.

Quando chegaram, notaram muito rapidamente que não era um lugar ideal para o bebê. Ele tinha uma inflamação na pele, e uma erupção no umbigo, ao redor do quadril, coxas, até as costas.

A assistente social que estava com o casal sentou-se com mãe adotiva e empurrou a cadeirinha com o menino para Danny e Pete. O bebê os encarou com os olhos arregalados. Segurando-o nos braços pela primeira vez, Danny disse gentilmente: “Lembra de mim?”

casal gay segurando filho praia
Foto: Pete Mercurio

Na vez de Pete segurar o bebê, uma “onda instantânea de afeto” se abateu sobre ele.

“O bebê apertou meu dedo com sua mão inteira com muita força”, lembra. “Ele me olhava e eu olhava pra ele, e foi quase como se ele tivesse encontrado um ponto de pressão no meu dedo que abriu meu coração e me mostrou que eu poderia ser seu pai.”

Após esse dia, Danny e Pete iniciaram o processo de adoção. Houve visitas domiciliares, verificação de antecedentes e muitas perguntas para responder. Danny e Pete foram informados de que levaria meses para concluir o processo, então teriam muito tempo para se preparar.

Apoio da família

Mas antes tiveram que comparecer a uma audiência no dia 20 de dezembro para declarar a intenção de adotar o bebê. A juíza Cooper olha para o calendário e pergunta a Danny e Pete se eles gostariam de passar o feriado com o bebê.

“Concordamos que sim, mas internamente estava pensando, ‘Que feriado? Espero que ela não esteja falando do Natal, porque isso é daqui alguns dias.'”

Foi isso mesmo o que a juíza quis dizer e logo começou a dar ordens à assistente social e aos advogados para que o bebê estivesse pronto em dois dias!

Em casa, Pete ligou para a família pedindo ajuda, falou sobre o plano da adoção e teve total apoio.

casal gay fazendo tarefa escola filho sentados chão
Foto: Pete Mercurio

“Eu disse que o chamaríamos de Kevin, e minha mãe começou a chorar, porque ela teve um bebê antes de mim que morreu ao nascer, e o batizaram de Kevin”, diz Pete. “Então, foi uma maneira de Kevin voltar para eles como um neto por parte de seu filho gay.”

A família de Pete comprou tudo o que o casal precisava. O apartamento deles foi transformado com pacotes de fraldas por toda parte e um berço!

casal gay filho sorrindo
Foto: Pete Mercurio

Na sexta-feira, 22 de dezembro, às 9h da manhã, Danny e Pete buscaram Kevin na agência de adoção. Eles o aconchegaram em um cobertor e pegaram o metrô de volta para seu apartamento.

“Começou a nevar”, diz Danny, “então parecia ainda mais mágico.”

Sozinhos naquela noite como uma família, Danny e Pete absorveram tudo o que havia acontecido.

O Tribunal de Família de Manhattan ficava próximo ao “Marco Zero” de NY, onde ocorreram os ataques do 11 de setembro de 2001. Após ser adiado, processo de adoção foi concluído no dia 17 de dezembro de 2002.

O casamento

Quando Kevin tinha 10 anos, no caminho para a escola escola, Pete perguntou o que ele achava de uma ideia que teve com Danny na noite anterior. Era 2011 e Nova York havia se tornado o sexto estado dos EUA a legalizar o casamento gay. Embora Danny diga que ele e Pete já se sentiam casados, agora se tornaria oficial.

Kevin ficou entusiasmado com a ideia e indagou Pete: “Juízes não casam pessoas?”.

casal gay filho vestindo terno casamento
Foto: Pete Mercurio

Então Pete enviou um e-mail ao Tribunal da Família de Manhattan para perguntar se a juíza Cooper oficializaria também seu casamento com Danny. Ela respondeu que ficaria encantada.

“Esta mulher, a razão pela qual somos uma família, é mais uma vez, a razão pela qual vamos nos casar. Foi como fechar um círculo”, comemora Danny.

A melhor decisão que tomaram

Kevin agora tem 20 anos e estuda matemática e ciência da computação na faculdade. O menininho que Danny encontrou na estação é mais alto do que seus pais!

A família adora visitar parques nacionais, participar de atividades ao ar livre, como canoagem, e apoiar seu time de beisebol favorito, o New York Mets.

“Não posso imaginar minha vida de outra forma. Minha vida se tornou muito mais plena. Mudou minha visão de mundo, minha perspectiva, minha forma de ver a vida”, diz Danny, hoje com 55 anos.

casal gay filho sorrindo parque nacional estados unidos
Foto: Pete Mercurio

Assim como era inconcebível a ideia de tornarem-se pais 20 anos atrás, diz Pete, hoje com 52 anos, mais inconcebível ainda é a ideia de não serem pais.

“Eu não sabia que esse nível de amor profundo existia no mundo até que meu filho entrou em minha vida”, conclui.

Pete escreveu um livro infantil sobre a história de sua família chamado Our Subway Baby. Juíza Cooper é um pseudônimo que Pete usa em seu livro. Ela prefere não ser identificada.

Texto originalmente publicado em inglês e livremente adaptado.

 

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