Idosa perde R$ 400 em ônibus e recebe ajuda de cearense que vive na Irlanda

Pouco após pagar a passagem do ônibus, a cearense Sílvia Helena Braga, 50 anos, notou que tinha perdido sua bolsa. Dentro dela, havia cerca de R$ 400 em dinheiro, quantia exata para pagar a mensalidade do plano de saúde da filha e comprar alimentos.

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Desesperada, ela fez um post no Facebook pedindo ajuda com a perda. Sílvia só não esperava que uma corrente de solidariedade fosse forjada entre os usuários da rede social.

“Nunca botei dinheiro em bolsa ou bolso de calça. Eu boto em qualquer lugar, até na cinta, menos em bolsa. Quando vi que perdi, fiquei louca”, relembra a cearense. A quantia foi perdida no trajeto da linha 855-Bezerra de Menezes/Washington Soares, pouco após Sílvia ter emprestado seu Bilhete Único para outra passageira e guardar o dinheiro no bolso da frente.

Minutos depois de perceber a perda, Sílvia publicou uma mensagem no grupo “Alguém conhece alguém que…”, uma comunidade de 400 mil membros onde os internautas trocam indicações de serviços. A ideia era pedir que a bolsa fosse devolvida por quem encontrou o objeto.

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Cearense ajuda cearense

O post teve cerca de 1000 comentários. “Esse dinheiro já virou compras de Natal”, ironizava um membro. “Vai encontrar, eu creio”, torcia outro. Solidariedade, felizmente, não faltou: “Vamos fazer uma vaquinha pra ajudar essa senhora? Cada um dá R$ 10! Qual é a sua conta, querida?”, escreveu uma mulher.

Sílvio disponibilizou seus dados bancários e pouco depois começou a receber doações.  “Já acompanho esse grupo há muito tempo e vejo que as pessoas de lá são boas. A gente não conhece ninguém e todo mundo se ajuda”, diz.

Dentre as doações, destacou-se a de uma jovem, que pediu um boleto e transferiu R$ 180.

Pagar o plano de saúde da filha era a maior preocupação de Sílvia, uma vez que ela tem depressão e não pode interromper o tratamento. “[Essa jovem] foi muito solidária. É muito dinheiro para você dar assim a outra pessoa. Fiquei super feliz. Nunca vou esquecer.”

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A ajuda veio de longe: sete mil quilômetros separam Sílvia da arquiteta Gabriela Lima, 30 anos, que vive em Dublin, na Irlanda.

Unidas pela solidariedade, elas acompanhavam as publicações no grupo do Facebook quase que diariamente.

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Entrei no perfil dela e vi que a maioria dos posts eram pedindo ajuda para outras pessoas, vizinhos. Nunca era pedindo para ela. Isso me levou a pensar que ela era uma pessoa boa. Eu me coloquei no lugar. Ficaria sem paz se eu perdesse meu salário todo assim”, avalia a arquiteta, que afirma ter sentido empatia pela situação difícil enfrentada pela vendedora.

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A arquiteta diz já ter participado de diversas boas ações no grupo. “Sempre que eu vejo que está ao meu alcance, eu tento ajudar. Se você pode ajudar, R$ 10 ou R$ 20 não fazem falta. Quanto mais a gente faz pelos outros, mais a gente recebe de volta”, reflete Gabriela. Ela também convidou algumas amigas para fazer uma doação.

Dinheiro ganho com muita luta

Os R$ 400 perdidos foram ganhos com muito trabalho.

Desempregada desde fevereiro deste ano, Sílvia faz o que pode trabalhando informalmente: revende produtos de beleza e faz bicos como vendedora.

A cearense ganha cerca de R$ 80 por cada dia de trabalho. Para pagar o plano de saúde, foi preciso juntar a quantia aos poucos. O dinheiro tem chegado com dificuldade nos últimos meses. “Quando você faz 50 anos, você pode botar qualquer vendedor no bolso, mas as pessoas olham para você e já acham que você está velha. Sem emprego formal, você tem que correr atrás ou passar fome. Ainda tenho duas filhas para criar”, confidencia. Ela trabalha como vendedora há 30 anos.

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A lição que fica, segundo Sílvia, além de nunca mais “guardar dinheiro no bolso da frente”, é a que boas atitudes sempre são recompensadas.

Tudo que ela deseja agora é ter estabilidade financeira. “O que eu mais desejo nessa vida é ter um emprego. Quero ter dignidade. Não quero ficar parada”, concluiu.

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Fonte: Tribuna do Ceará/Fotos: Reprodução/Facebook

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