Cearense conquista prêmio internacional com pesquisa sobre o impacto da Covid-19 em comunidades do Nordeste

Os desafios dessa pandemia da Covid-19 são enormes. Aqui no Brasil, analisando a realidade de cada comunidade, esses desafios e problemas são ainda maiores. Por isso, o trabalho de uma geógrafa cearense recebeu um prêmio da International Development Research Center (IDRC), um centro de pesquisa de desenvolvimento internacional sediado no Canadá, onde Sharon Dias mora atualmente.

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E ninguém melhor do que ela, que foi aluna de escola pública, que entende bem este cenário e que atualmente faz doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF) em cotutela com a University of Victoria, no Canadá, para analisar e traduzir as dificuldades enfrentadas por seus conterrâneos.

A pesquisa analisa como a habitação e a falta de políticas de habitação em comunidades do Nordeste influenciam durante a pandemia. O trabalho foi intitulado de “Insegurança à moradia e direitos à moradia de minorias em tempos de financeirização e Covid-19: Lições de comunidades pobres do Nordeste do Brasil”.

Pesquisadora que ganhou prêmio em frente a plantas usando terno
Foto: Reprodução / Instagram @sharondias_sd

Trata-se de um projeto comunitário participativo para avaliar as condições de moradia, acesso à informação, participação de mulheres e comunidades em vulnerabilidade habitacional durante a pandemia. “A pesquisa também busca compreender como se formam as redes de solidariedade entre comunidades em situação de precariedade habitacional”, explica Sharon.

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De acordo com a pesquisadora, o objetivo do trabalho é promover uma Governança Inclusiva. “A partir dos conhecimentos promovidos por comunidades, o conhecimento cotidiano de famílias que estão tendo soluções muito criativas para driblar todos os percalços de estar em situação de moradia precária em tempos de pandemia”, disse.

Nesse vídeo, Sharon explicou um pouco mais sobre a premiação e os próximos passos da pesquisa:

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Iniciativa pesquisada ajudou mais de 200 famílias durante a pandemia

Uma das iniciativas que motivaram a pesquisa da cearense foi o projeto Ser Ponte, que ajudou 210 famílias chefiadas por mulheres em Fortaleza (CE), durante a pandemia. O programa voluntário pagou uma renda de R$ 180,00 por mês de abril a dezembro a essas famílias.

Com os valores de doações, eles beneficiaram essas chefes de família, que viviam antes com cerca de R$ 54,00 mensais apenas. A coordenadora do grupo, Valéria Pinheiro, explicou o porquê da ação. “São famílias muito necessitadas, vulneráveis e em territórios com muitas precariedades. Fizemos isso por acreditar que mulheres sabem gerir melhor e direcionar a quantia para a necessidade do seu lar“, disse.

Mulheres em rua com cestas básicas na mão
Foto: Divulgação / Projeto Ser Ponte

Para a pesquisadora em planejamento urbano, a habitação influencia diretamente nos desafios na pandemia. “Esse olhar para a vulnerabilidade dos territórios não pode ser ignorado. A situação de moradia impacta diretamente na qualidade de vida e nas possibilidades”, contou Valéria.

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Neste início de ano, a iniciativa vai ajudar mais 50 famílias, formadas por mulheres negras e indígenas. E você pode ajudar com o projeto Ser Ponte, clicando aqui.

“Essa parceria, muito importante, também nos ajuda no processo de diálogo com comunidades e de conhecer a fundo a realidade das famílias, principalmente de mulheres que têm feito a diferença”, disse Sharon.

Premiação vai ajudar a pesquisa a elaborar políticas públicas

Com a premiação, o dinheiro recebido será investido na coleta de dados da pesquisa. “O prêmio é voltado para a coleta de dados e à disseminação da pesquisa científica. Todo o valor será aplicado na pesquisa para a contratação do time de coleta de dados, aquisição de softwares, materiais e equipamentos necessários, além do financiamento da publicação de resultados científicos no formato acessível ao público, como cartilhas e livros”, relata Sharon.

A cearense está captando parcerias para o projeto. Entre as instituições envolvidas estão o Programa de Pós-Graduação em Geografia, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), através do Laboratório de Estudos Agrários, Urbanos e Populacionais (LEAUP) e do Laboratório de Estudos do Território e da Urbanização (LETUR). A pesquisa também é apoiada pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca Ceará).

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Pesquisadora estudou em escola pública e busca devolver investimento na sua educação para a sociedade

Sharon Dias sempre estudou em escolas públicas do Ceará. Ela cursou o Ensino Fundamental em escolas municipais de Maracanaú (CE) e o Ensino Médio em escolas estaduais. Em 2010, a cearense se formou em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), concluindo o Mestrado em 2013, com a linha de pesquisa em Geografia Urbana, e hoje é doutoranda.

Pesquisadora que venceu prêmio sentada em mesa, escrevendo com computador na mesa de trás
Sharon Dias estudou sempre em escola pública. Foto: Reprodução/Instagram @sharondias_sd

A educação foi fundamental em todo o se desenvolvimento. “Minha família sempre me deu muitos livros para ler de literatura, história e ciências. Sempre gostei de frequentar bibliotecas. Inclusive, tenho o desejo de que todo bairro deveria ter pelo menos uma biblioteca com livros para crianças, adolescentes, adultos e idosos”, disse.

Com os estudos que vem desenvolvendo, ela busca levar contribuições para as comunidades mais carentes. “Acho que a ciência se torna mais forte quando a gente une conhecimento científico com conhecimento comunitário, para transformar a realidade e buscar melhorias sociais”, concluiu.

É isso aí, Sharon!

Fonte: Diário do NordestePortal Oficial de Maracanaú

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