Cega de nascença, professora contou com a ajuda de uma cachorra para interagir com o mundo

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Marlene Taveira Cintra, presidente da associação de deficientes visuais Adevirp, de Ribeirão Preto (SP): cães ajudam na socialização

Neste depoimento, Marlene Taveira Cintra, presidente da associação de deficientes visuais Adevirp, de Ribeirão Preto (SP), explica como cães ajudam na socialização – e como uma cachorra de pelo macio, em especial, ajudou-a a interagir melhor com o mundo e as pessoas.

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“Eu era muito jovem quando me mudei de Franca para Lorena, ambas em São Paulo, para fazer faculdade. Vim de família pobre, sou cega de nascença e vivia em um universo muito restrito, de pouca experiência fora de casa.

No novo local, eu tive ajuda de uma cachorra de pelo macio e que era uma doçura, a Braika. Ela pertencia a um padre da universidade e eu a conheci no vestibular. Aí, assim que comecei a faculdade, ela deu um jeito de sempre vir se encostar em mim. Era notório que ela sabia que eu não enxergava, porque me acompanhava enquanto eu caminhava entre os pórticos, na hora do lanche…

Como eu consegui abrigo na Santa Casa, que ficava ao lado, e acabei lecionando a pacientes com deficiência visual, a prefeitura me contratou para ser professora de crianças com necessidades especiais. As aulas aconteciam em uma sala no andar de cima da faculdade.

A Braika, que, no início, me esperava no pé da escada, decidiu subir e ficar na porta. E ela acabou me aproximando dos outros estudantes, que achavam que a cachorra era minha e vinham me perguntar como eu tinha conseguido trazê-la para dentro da instituição.

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Crianças com autismo são muito beneficiadas

Ela também se tornou uma facilitadora na relação com meus alunos. As crianças com traços de autismo puderam aprender a delícia que é ter um ser como ela por perto, poder abraçar e ser abraçado.

Chorei muito quando, anos depois, ela comeu veneno e morreu. Por causa da experiência com a Braika, assim que fundei a Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto e Região (Adevirp), em 1998, decidi que teríamos sempre o apoio de um cachorro para auxiliar as atividades de inclusão social.

Contamos, por exemplo, com o Braille, que já ajudou várias crianças com autismo, medo, baixa autoestima – seguindo com sua história de ser e dar amor!”

Texto: Romy Aikawa
Foto: Yas! Marketing

Conteúdo publicado originalmente na TODOS #38, em julho de 2021.

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