Células de mulher morta há mais de 60 anos já salvaram milhões de vidas

No início da década de 1950, Henrietta Lacks foi levada para o Hospital John Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. As dores sentidas no abdômen eram sintomas de um câncer no colo do útero.

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Porém, segundo o médico que a atendeu, o geneticista George Gey, não se tratava de um câncer comum. Após retirar um pedaço do tecido para biópsia, ele notou que o tumor era roxo e sangrava sempre que era tocado.

“Era algo muito diferente e especial, que se revelou um tipo de tumor.  A história era simples: ela sangrava entre as menstruações, tinha dores abdominais, o que não é necessariamente um sinal de câncer”, disse o médico à BBC.

Henrietta Lacks morreu de câncer no colo do útero / Foto: SCIENCE PHOTO LIBRARY

Infelizmente, o tumor não respondeu bem ao tratamento, e Henrietta morreu de câncer cervical em 1951, com apenas 31 anos. A família a enterrou perto das ruinas da casa onde ela nasceu. Já as células retiradas do seu corpo foram mantidas na unidade de câncer do hospital, pois Gey havia descoberto que elas não paravam de se multiplicar e poderiam ser cultivadas no laboratório indefinidamente.

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O geneticista George Gey

Hoje, existem bilhões de células de Henrietta espalhadas em laboratórios do mundo inteiro. Gey batizou as células de “HeLa”, uma referência ao nome e sobrenome de Henrietta Lacks.

As célula HeLa já foram utilizadas em centenas de experimentos / Foto: GETTY IMAGES

“Não dá para saber quantas células de Henrietta ainda circulam. Um pesquisador estima que, juntas, pesariam 50 milhões de toneladas, algo inconcebível, porque cada uma pesa quase nada”, disse Rebecca Skloot, autora do livro “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”.

Por que as células HeLa são tão importantes?

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Mesmo sem a autorização da sua família, as células de Henrietta salvaram muitas vidas. “O exemplo clássico é a vacina contra a poliomielite. Para desenvolvê-la, era necessário que o vírus crescesse em células de laboratório, e, para isso, eram necessárias células humanas”, explica John Burn, professor de Genética na Universidade de NewCastle, no Reino Unido.

As células HeLa mostraram ser perfeitas para esse experimento, fazendo com que elas se tornassem conhecidas mundialmente. As “células importais” não foram importantes apenas para desenvolver a vacina contra a poliomielite e inúmeros tratamentos, mas foram levadas nas primeiras missões espaciais, ajudando os cientistas a prever o que aconteceria com o tecido humano em situações de gravidade zero.

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