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CEO do HSBC britânico afirma que ser gay foi a chave do sucesso de sua carreira

Na contra mão do que acontece na maioria dos casos da vida real, uma lista britânica aponta os melhores executivos LGBT do mundo, para quebrar qualquer preconceito ou paradigma sobre o tema.

O número um da lista, o português António Simões, contou em entrevista ao jornal Expresso: “Ser gay é uma vantagem para mim. Tornou-me uma pessoa mais autêntica, com melhor empatia, melhor inteligência emocional”.

O CEO do HSBC também foi premiado pelo European Diversity Awards como o “mais inspirador gay executivo no topo”, além de ser o líder do “top” 50 Out at Work para executivos LGBT, uma eleição construída a partir do voto popular e de uma painel de juízes.

“Sempre fui aberto com toda a gente — família e amigos. No HSBC todas as minhas equipes sempre souberam que eu era gay. Mas mais recentemente tenho falado mais sobre o tema porque lidero 50 mil pessoas no banco e é importante que eu seja um exemplo positivo e que fale disso de forma normal”

Na segunda posição está Claudia Brind-Woody, manager director da IBM, e em terceiro Christopher Bailey, CEO da Burberry.

António Simões alerta: “Os jovens não podem deixar se abater pela conjuntura econômica do país. Têm de ser otimistas e tentar alcançar um equilíbrio entre ambição/confiança e ética de trabalho/humildade”.

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Na foto acima, o edifício do banco HSBC em Hong Kong com as cores da bandeira LGBT, num evento chamado “Out on the street”, comemorando em Outubro, que é o mês da diversidade no HSBC.

Imagem de autenticidade

“Ser honesto” é uma expressão que António Simões utiliza frequentemente ao longo da conversa com o site Publico.pt, quando fala da experiência de tornar público que é gay. Casado na Espanha em 2007 com um espanhol que trabalha na área da finança em Londres, vê-se por vezes na posição de responder “o meu marido faz isto ou aquilo” quando lhe perguntam pela mulher. Mas diz não ser um militante. E defende: “De alguma forma, até é uma das coisas menos interessantes da minha personalidade. É interessante porque não é vulgar que o presidente de um banco seja gay. A única razão por que isto é notícia é porque não há muitas pessoas na mesma posição que eu.”

Licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa em 1997, e com um MBA na Columbia Business School de Nova Iorque, trabalhou na consultora McKinsey, onde foi sócio, e na Goldman Sachs, isto antes de, em 2007, ir para o HSBC, onde é ainda responsável para a Europa pela área de retalho e gestão de patrimônio. Viveu em Hong Kong, Nova Iorque, Londres, Paris e Milão. Na McKinsey, liderava o GLAM, um grupo LGBT, posição que assumiu “para inspirar, servir de modelo aos associados mais novos”, e fazê-los sentirem-se confortáveis, “não necessariamente do ponto de vista da sexualidade, mas de diversidade”.

Leia também: Tim Cook, CEO da Apple, assume sua homossexualidade e diz: “Tenho orgulho de ser gay”

Essa diversidade passava também pelas questões de gênero e pelas questões raciais. “O fato de ser gay e “diferente”, entre aspas, ajudou-me a construir uma imagem de autenticidade porque não estava falando de forma abstrata, mas de experiência pessoal.”

Ao longo do seu percurso, foi tendo um papel mais ativo do que ativista. Apesar de nunca ter sido preciso “sair do armário” no ambiente profissional – “quando comecei a trabalhar já estava out” -, sabe que “para muitas pessoas é preciso fazer isso repetidamente”, ou seja, coisas como “ir para uma reunião com pessoas que não se conhece e a certa altura ter de, de forma elegante, dizê-lo” em resposta a alguém que presumiu que era heterossexual.

Por outro lado, “estamos em 2013, não vivemos na Rússia, nem na Índia e temos uma sociedade muito mais aberta”, daí defender que quem é LGBT tem também a “responsabilidade” de “não se sentir uma vítima”. “O que percebi cedo na minha carreira é que o fato de ser relativamente descontraído e aberto sobre este tema faz com que as pessoas pensem que tenha uma autoconfiança em termos profissionais. E o fato de ser bem-sucedido profissionalmente dá-me a coragem para não fingir ser alguém que não sou. Isso pode ser um ponto forte.”

Abaixo, tem um vídeo (com legenda em português), onde António fala sobre Diversidade e Inclusão:

Antonio Simoes

Foto: José Farinha

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Com informações do site Publico.

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