Agricultor quilombola cria jornal para contar histórias de sua comunidade no AP

Sebastião Menezes criou um jornal artesanal para relatar, denunciar problemas e contar histórias de vida dos moradores da sua comunidade.


Agricultor quilombola jornal artesanal
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O agricultor Sebastião Menezes, 59 anos, criou um jornal artesanal para relatar, denunciar problemas e contar histórias de vida dos moradores da comunidade rural quilombola Curiaú, na Zona Norte de Macapá (AP).

Sebastião estudou até a 5ª série do ensino fundamental. Personalidade cativa da região, o simpático homem do campo conta que a necessidade de escrever sobre o lugar onde mora surgiu há 10 anos.

Todas as colunas e notícias são escritas por ele no papel. Uma amiga transcreve para o computador e em seguida imprime tudo em papel A4. O processo é bastante simples, mas enche ‘Sabá Curió’ (como Sebastião é conhecido na comunidade) de orgulho.

“Essa necessidade é uma prática que eu gosto de fazer, mas eu sei mesmo é mexer com a roça. Desde jovem, como eu não tive muito infância, me preocupava com os mais velhos e eu queria desenvolver a comunidade. Com isso eu ficava interagindo com os mais velhos e era preciso escrever o que eles falavam”, contou.

Agricultor quilombola jornal artesanal

Casado e pai de três filhos adultos já formados, Sebastião relata que conseguiu  “encaminhar” os filhos – um médico, um gerente de RH e uma acadêmica de medicina – com o dinheiro ganho com muito suor na roça.

“A nossa comunidade do Curiaú é tradicionalmente rural, mas é uma das comunidades onde tem muita gente com o ensino superior, e os meus filhos todos estão formados e encaminhados”, falou, expressando o sentimento de dever cumprido.

Agricultor quilombola jornal artesanal

Jornal do Quilombo

Desde 2009 o agricultor divide as tarefas no campo com o prazer de escrever e editar. Para ele, a arte da escrita é uma ‘necessidade’.

As histórias contadas por Sebastião foram compiladas em três livros que retratam a vida e o povo do Curiaú. Ele conta um pouco da memória dos antepassados, sobre as tradições religiosas, riqueza e beleza da região.

Com o auxílio de uma bicicleta, Sabá Curió entrega o ‘Jornal do Quilombo’ de porta em porta, para dezenas de moradores. “A notícia é minha paixão”, confidencia. No jornal, ele conta com ares de informalidade tudo que se passa na comunidade.

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“Eu fiquei pensando em como isso poderia chegar a mais gente na comunidade. Aí fiz o jornal e vi que poderia ser mais sério. Daí eu juntei mais pessoas para contar histórias e cada vez mais com maior volume de textos. Tenho apoio de uma amiga que paga a impressão e eu saio rodando a comunidade na minha bicicleta, às vezes deixo em órgãos públicos”, relatou.

Quando o jornal começou a cair na boca do povo, a comunidade quilombola passou a ajudar Sebastião em alguns informativos, inclusive com tiragens em tamanhos maiores, em papel específico de jornal e até, por vezes, com impressões coloridas.

Agricultor quilombola jornal artesanal

Eventualmente, o projeto foi ficando de lado e Sebastião voltou a escrever sozinho. Apesar de ter pouco recurso, o jornalista quilombola insiste em mantê-lo em circulação. Aliás, muito lhe alegra ver a história de seus conterrâneos chegar a mais pessoas.

Há alguns dias, ele publicou a edição de número 124 e já preparando o próximo exemplar.

Agricultor quilombola jornal artesanal

“Na minha época, dificilmente uma pessoa conseguia avançar nos estudos. A gente tinha que trabalhar no meio rural para sustentar a família, e o trabalho era o que dava dignidade para as pessoas. Garanto que naquele tempo não tinha tanta gente de má conduta como tem hoje, porque a gente dava valor ao trabalho. A gente vê a vida de forma diferente e são esses ensinamentos que eu quero que os outros vejam”, finalizou.

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Fonte: G1/Fotos: Rede Amazônica/Reprodução

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