Morador constrói ‘ecofossa’ para comunidade sem esgoto em Colombo (PR)

Há cerca de dois anos, Diego Saldanha, morador de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, virou notícia pela primeira vez aqui no Razões. Na ocasião, ele havia criado uma ecobarreira com o intuito de limpar o histórico Rio Atuba, em cujas margens teve início a colonização de Curitiba, em 1659.

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Agora nacionalmente reconhecido pelo seu trabalho de coleta e reciclagem de lixo do rio (onde já retirou mais de duas toneladas de detritos desde 2017), o paranaense voltou a ser notícia, desta vez pela criação de uma ‘ecofossa’.

De acordo com Diego, as comunidades Jardim das Flores e Jardim Carvalho, em Colombo, sofrem com a falta de acesso à rede de esgoto. Após criar a ecobarreira, a situação da vizinhança passou a incomodá-lo bastante. “Ficava incomodado de ver o esgoto da minha comunidade inteira indo pro rio, porque não tem tratamento de esgoto onde que eu moro”, relata.

Leia também: Alunos constroem ecobarreira para filtrar lixo próximo da escola em Recife (PE)

Ele, então, começou a pesquisar maneiras de amenizar o problema. Acabou conhecendo o trabalho do professor Valter de Menezes, que por meio de um projeto escolar mudou a vida da comunidade ribeirinha Santo Antônio do Tracajá, no município de Parintins, interior do Amazonas.

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Cidadão constrói ecofossa para comunidade sem esgoto

Três mil quilômetros dali, o professor Valter dava aulas há mais de duas décadas em uma comunidade sem acesso à rede de água potável e esgoto.

Casos de diarreia, vômito e malária na região eram extremamente comuns, tanto em período de seca, quanto de cheia – a água que abastece a comunidade vem de um poço artesiano cujo fornecimento não era encanado, o que acabava provocando a contaminação da água por dejetos humanos durante a subida e descida das águas do rio.

O professor Valter encontrou a solução para o problema – anos depois replicada por Diego – construindo uma ecofossa, semelhante às fossas convencionais, porém revestida e isolada contra dejetos humanos do lençol freático e filtrada através de um sistema de bananeiras, que funcionam como bombas d’água improvisadas.

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“O esgoto cai num túnel de pneus dentro da fossa e bactérias anaeróbicas tratam o dejeto, que se torna líquido. Conforme vai enchendo (a fossa) o líquido escorre pela lateral e aí vem a filtragem, feita com pedra, brita, areia, terra, seis bananeiras e duas taiobas. Na prática, a árvore e a planta funcionam como se fossem uma bomba de puxar água. Elas sugam os nutrientes e soltam o que não vão aproveitar para a atmosfera, não deixando a fossa encher. Por isso a ecofossa é livre de manutenção, não enche e também não contamina o solo, porque é impermeabilizada”, explica Diego, relatando ainda que os frutos da bananeira são 100% consumíveis. Outras árvores também podem ser plantadas, mas o ideal é sempre espécies que consumam muita água para que o sistema funcione adequadamente.

Repercussão na comunidade

Diego construiu sua primeira ecofossa em sua própria casa, com um investimento de R$ 1 mil, retirado do próprio bolso.“Não tive apoio. Fiz sozinho porque se fosse correr atrás (de patrocínio) o pessoal não ia acreditar”, conta o ambientalista, que agora pretende replicar a ideia em outras residências de sua comunidade e também de comunidades vizinhas.

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“O pessoal vem aqui e fica encantado, tem curiosidade para saber como funciona. Deixei um banner que tem o passo a passo do início ao final e um texto explicando como funciona. Já tem umas 8, 10 casas para gente instalar essa ecofossa”, conta Diego, revelando que a partir de agora irá atrás de patrocinadores para que possa levar a novidade às casas de vizinhos.

Leia também: Shopping reutiliza 7 milhões de litros de água por mês com tratamento de esgoto

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Fonte: Bem Paraná/Fotos: Reprodução/Franklin de Freitas

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