Cientistas descobrem espécie de micróbio que vive na grama que pode ser a mais nova arma contra infecções resistentes

Eleftheria terrae é o nome científico da espécie de bactéria que poderá revolucionar a chamada antibioticoterapia. Após mais de uma década de buscas por novas fontes para a produção de antibióticos, pesquisadores americanos e alemães reportaram ter isolado um componente promissor de uma bactéria extraída de um campo gramado no estado do Maine, nos Estados Unidos. Se passar pela fase de testes clínicos em humanos, esta talvez seja a mais poderosa arma contra infecções difíceis de serem tratadas.

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Para suprir as dificuldades do cultivo de bactérias em laboratório, cientistas da Northeastern University desenvolveram uma técnica denominada iChip, que consiste na reinserção de amostras do solo contendo cepas no mesmo local de onde foram extraídas. Essas amostras retornam em uma câmara envolvida por membranas que permitem o contato do conteúdo com outros fatores e organismos presentes naquele nicho, possibilitando a colonização bacteriana no interior da mesma.

chip

 

Foi assim que os pesquisadores Losee Ling e Tanja Schneider conseguiram cultivar a bactéria E. terrae para a obtenção do elemento capaz de matar uma ampla variedade de outras bactérias, inclusive patógenos. As bactérias testadas também não desenvolveram resistência contra esse componente que ganhou o nome de Teixobactin. Além disso, não foram observados indícios de toxicidade contra células de mamíferos nas avaliações preliminares.

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A ação do componente se dá em duas importantes moléculas de lipídios utilizadas na composição da parede celular das bactérias o que as impede, portanto, de se reproduzir. Teixobactin foi considerado eficaz contra bactérias gram positivas, o que significa ser de grande valia para o tratamento de tuberculose, de infecções por Enterococcus não responsivas a drogas disponíveis e infecções por Staphylococcus aureus resistentes à meticilina.

Se o composto realmente funcionar, teremos uma arma de controle contra infecções hospitalares e menor risco de infecções pós-operatórias. O estudo é apontado como uma porta de entrada para a descoberta de outros potenciais agentes provenientes do solo.

A descoberta foi originalmente publicada aqui. Foto de capa: Melissa Dankel / CDC.

Texto da Mayara Flint especialmente para o RPA.

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