Cobrador dá ajuda financeira à mãe desesperada com filho no caminho para hospital

“Meu nome é Marco e por alguns anos guardei essa história pra mim e hoje resolvi contar, e ela é assim: Dia de #tbt, mas esse é diferente e vale muito ser lido… Sei que não é correto postar foto de pessoas sem que ela autorize, mas vou correr o risco e espero que chegue até esse cidadão da foto (mesmo ela sendo de péssima qualidade).

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Espero que leiam até o final, para saber do que esse rapaz foi capaz de fazer, e não fez sozinho! Há mais ou menos uns 20 anos, estávamos eu, meus irmãos e uns vizinhos brincando na rua de casa. Éramos adolescentes e a brincadeira era \”rouba bandeira\”.

Tudo corria bem. Eu no auge da minha adolescência, correndo pra lá e pra cá, igual um pangaré doido (rs), até que roubo um pedaço de galho, representando a bandeira e atravesso a rua toda, alcançando meu objetivo. O fiz e quando diminuía a velocidade, escorrego em um plástico.

Com o corpo quente, tudo estava tranquilo, não senti dor alguma, até olhar meu pé direito… Um caco de vidro que ali estava, entrou por completo no meu pé e no desespero, tirei pra ver o tamanho do estrago. O pé preto e sujo, deu lugar a uma cor branca da carne que imediatamente foi tomada pela cor vermelha do sangue que começou a sair e não parava mais.

Era desesperador o que eu sentia. Sentia que ia perder meu pé ao ver o corte e a quantidade de sangue. Subi as escadas da minha casa correndo, chorando e gritando e no meio dela, fui contido por minha santa mãe e a mãe de um dos meus amigos que morava no mesmo lote que eu.

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Ela, a mãe dos amigos, tentou conter o sangue com açúcar e pó de café, tadinha rsrs (aquilo me traria sérios problemas no hospital, mas mesmo assim sou muito grato a ela por tentar ajudar da forma que achava correto). O sangue não parava de sair e dona Jane me pegou do jeito que estávamos. Eu sujo, de short e sem camisa.

Ela com o cabelo pra cima, uma roupa velha de quem estava arrumando a casa e um chinelo velho. Enrolou uma toalha no meu pé e saiu comigo em seus braços, desesperada e sem rumo para qualquer hospital que fizesse aquele sangue parar. Meu desespero não era mais pela ferida, pelo sangue, pela dor que ia sentir nos pontos.

Meu desespero era ver minha mãe vaidosa, passar por aquilo tudo e do jeito que estávamos e ainda sem dinheiro algum. Tentou carona com alguns carros que passavam e nada, até que veio o ônibus \”5521A Solimões\”. Ela parou o ônibus quase que no \”peito\” e já foi falando ao motorista: \”Pelo amor de Deus, moço! Meu filho machucou o pé e não tenho dinheiro pra pagar a passagem.

Será que o senhor pode nos levar e quando passar por aqui em outro momento, te pago?\” O motorista de imediato disse que nos levaria sem problema e que ficássemos no assento preferencial.

Enquanto ele corria como um louco e \”janelava\” os passageiros que iam dando sinal, esse cidadão da foto (que se não me engano chama-se Cristiano), chamou minha mãe e com as mãos fechadas disse a ela: \”Dona, não é muito, mas espero que ajude no que precisar daqui pra frente.\” Não sei quanto tinha e minha mãe não fez questão de contar, mas o cobrador havia dado minha mãe um bolo de notas de R$ 2,00 (era muita nota, isso eu sei).

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Lembro da minha mãe desabar em lágrimas, agradecimento e orações por aqueles dois seres humanos incríveis. O motorista parou o mais próximo do Hospital João XXIII e disse a minha mãe que só não ia até o hospital, pois teriam problemas na empresa, disse também que ela não os devia nada.

Dona Jane agradeceu profundamente aos dois e seguimos para o hospital. Infelizmente não me lembro do motorista. Não lembro rosto nem nome, mas do cobrador sim. Talvez por ter ficado mais perto e ter olhado bem pro rosto dele durante a viagem. Não sou de contar essa história, pois sempre que falo dela, choro muito (chorando nesse momento rs).

Já tive a felicidade de ver o \”Cristiano\” em algumas linhas de ônibus que já peguei e nunca tive coragem de contar isso pra ele, acredito que não se lembre, pois já percebi que é um cara muito do bem e aquele dia deve ter sido apenas mais uma vez que foi bondoso com alguém, e mesmo não se lembrando ou não sabendo, tenho uma dívida eterna com ele e o motorista.

Aprendi com meus pais que honestidade e tratar o próximo, no mínimo bem, é obrigação de todos, mas tive uns encontros na vida, que jamais deixaram eu esquecer disso e tenho a obrigação de ser grato a todos que por mim fizeram. Mais ainda pelos que fizeram pela minha amada, guerreira e tão abençoada, mãezinha! Que Deus abençoe esses dois e que Ele me coloque sempre no caminho deles para o que precisar! Farei o que for preciso por eles e com muito amor!”

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Essa história foi enviada pelo Marco Wiliam. Quer ver sua história no Razões? Envie pelo formulário aqui. No campo “Enviar para”, selecione a opção “Enviar História”

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