Plataforma conecta mulheres vítimas de violência com psicólogas e advogadas


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A violência contra as mulheres é uma dura realidade no país. Casos de agressões, violências domésticas e feminicídios são amplamente divulgados na mídia. É neste cenário de adversidade que surgem iniciativas que merecem atenção. 

O Mapa do Acolhimento nasceu em 2016 após um estupro coletivo ganhar notoriedade no Rio de Janeiro. A repercussão mobilizou a rede de ativismo Nossas a criar um projeto com o foco de acolher, inicialmente, mulheres vítimas de violência sexual. 

“O Nossas uniu mulheres de 10 cidades para entregar um projeto que pudesse dar uma resposta ao problema do acolhimento de mulheres que sofreram violência sexual por meio de cadastro de psicólogas e mapeamento de serviços públicos no país”, conta Larissa Schmillevitch, psicóloga do projeto. 

Após a plataforma receber milhares de pedidos de apoio às vítimas, as psicólogas voluntárias começaram a se interessar. O crescimento da iniciativa fez com que, em 2017, houvesse uma campanha de financiamento coletivo para estruturar uma equipe fixa para o Mapa do Acolhimento. A campanha contou com mais de 1000 apoiadores e quase R$ 100 mil arrecadados. 

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Legenda: Mapa do Acolhimento apoia vítimas de violência em mais de 600 cidades brasileiras

Larissa Schmillevitch faz parte da equipe estruturada em 2018 que, juntamente com Gabriela da Silva e Ana Beatriz El-Kadri, são responsáveis por conectar mulheres vítimas de violência com psicólogas e advogadas voluntárias, em mais de 600 cidades do país.

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Ana, Larissa e Gabriela fazem parte da equipe fixa do Mapa do Acolhimento

Como funciona a plataforma

A plataforma é simples e intuitiva. Na página inicial, a mulher que deseja acolhimento clica em “quero ser acolhida”, e quem deseja ser voluntária prestando apoio psicológico ou jurídico acessa “quero acolher”. Atualmente, Larissa, Gabriela e Ana fazem o “match” de forma manual, utilizando um sistema de geolocalização. O próximo passo é automatizar o processo.

Os números impressionam: já foram mais de 6000 solicitações de acolhimento e 2500 voluntárias cadastradas. “Quando não encontramos voluntária no entorno da vítima, buscamos um serviço de assistência mais próximo”, afirma Larissa. 

Leia também: Advogada orienta mulheres sobre como agir diante de assédio sexual no trabalho

“Tenho 69 anos, mas luto como uma garota”, diz advogada voluntária

A advogada voluntária Maria das Graças Perera de Mello está no projeto há mais de um ano e, atualmente, presta atendimento para duas mulheres em São Paulo. “Tenho 69 anos mas luto como uma garota”, diz a advogada que dedica sua vida profissional à defesa das mulheres há quatro décadas. Uma das conquistas ressaltadas pela profissional foi conseguir medidas protetivas para uma das mulheres. 

Para o futuro, a psicóloga Larissa afirma que a ideia é fortalecer as redes locais para atender mais mulheres. “Estamos montando uma capacitação online para as voluntárias. Essas mulheres fazem parte de uma rede, então como elas podem se organizar para combater o problema? Trabalhamos em parceria com os serviços públicos e queremos mobilizar mulheres para fortalecer a incidência de políticas públicas”, finaliza. 

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Por Laiza Lopes

 

 

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