Com medalha olímpica, Camila Castro diz que vôlei sentado a reviveu: “voltei a sorrir”

As Paralimpíadas Rio 2016 foram pura emoção não só com as disputas, mas com as lindas histórias de superação de cada um dos atletas presentes. Vencendo a Ucrânia em meio a 8,5 mil torcedores na arquibancada, a seleção brasileira de vôlei sentado feminino garantiu o bronze depois de muito suor. Com medalha olímpica no peito, Camila Castro conversou com o Razões Para Acreditar, dizendo que o esporte a reviveu: “voltei a sorrir”.

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Marcando sete pontos na última partida, que resultou num título inédito para a modalidade, a atacante realizou um sonho. “Ingressar nas Paralimpíadas foi literalmente um sonho! Eu tenho certeza que fizemos um excelente trabalho, com imensa dedicação, raça, honra e amor”, me contou. Animada com tudo o que está vivendo atualmente, ela diz defender o Brasil fazendo o que mais ama na vida é mais do que poderia imaginar. “Tenho imensa honra e amor por esse esporte e poder trazer a primeira medalha num esporte coletivo paralímpico para o Brasil é um sentimento inenarrável!, celebrou.

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Com a conquista de um lugar no pódio, Camila almeja melhorias para o esporte, esperando que possa ser mais divulgado e consequentemente mais disputado nacionalmente. Além disso, ela mandou um recado ainda mais importante do que o título. Que milhares de pessoas que estão em casa, se achando incapazes, diminuídas ou sem estímulo, possam conhecer o esporte adaptado e fazer crescer o número de paratletas no Brasil!”.

A carreira de Camila começou cedo, aos 8 anos de idade, quando iniciou a prática de vôlei. Depois de jogar federada no Rio de Janeiro, passar por São Paulo e defender um clube em Portugal, sofreu um acidente de moto que mudou o rumo de sua vida, aos 29 anos. O resultado foi uma grave e rara lesão no pé, chamada fratura-luxação de Lisfranc. Ficou sem andar durante um ano e adquiriu uma patologia na coluna que afeta os nervos de alguns músculos da perna direita. Assim, não consegue ficar mais de 10 minutos em pé por conta da dor.

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Na época, as limitações causaram profunda depressão, até mesmo porque não poderia mais exercer sua formação em fisioterapia, que era exercida com gosto. Sem o esporte, sem emprego e dependente de familiares e amigos, ela não tinha mais expectativas de voltar a sorrir. “Um dia disseram que nunca mais poderia jogar. Foi o pior pesadelo que vivi. Saber que nunca mais jogaria, nunca mais poderia voltar a ser eu, sentir aquela adrenalina, aquele prazer…”, contou.

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Mas a vida nos surpreende e depois de conhecer o namorado Rammon, jogador de vôlei sentado do Vasco da Gama (RJ), em 2013, viu uma chance de voltar para as quadras. “O vôlei é minha alegria. Sempre joguei vôlei, desde pequena sempre foi minha paixão, meu prazer, meu círculo  de amizades, meu desestresse. Dentro das quatro linhas me sinto realizada, plena, desafiada, feliz. O vôlei sempre foi a minha vida. Depois do acidente, novamente foi ele me fez reviver, literalmente!“.

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Pronta para estampar um sorriso no rosto e não tirar nunca mais, ela passou a treinar e conquistou muitas coisas, como a medalha de bronze na Copa Intercontinental (Março de 2016, na China), foi vice-campeã no campeonato brasileiro (2013 e 2014 – ano em que levou o troféu de melhor recepção), e ainda uma medalha de bronze no mesmo torneio, em 2015. Em sua primeira Paralimpíada, aos 34 anos, saiu vitoriosa. O que mais me motiva é evoluir como pessoa, como atleta, como ser humano. Saber que tem pessoas com limitações muito mais severas e que sabem sorrir em adversidades buscando um novo caminhar”.

Os esportistas, de maneira geral, encontram muitos obstáculos para conseguirem competir e ganhar títulos. Para os paratletas, a situação é ainda mais delicada e desafiadora. Camila me explica quais são as melhorias que devem ser feitas pra ontem dentro não só dos esportes, mas do convívio em sociedade. O que deve melhorar com urgência é a acessibilidade das pessoas com deficiência e o modo com o qual olhamos para elas, muitas vezes com pena ou as achando incapaz, quando na verdade é uma pessoa que pelo seu próprio dia a dia já vence barreiras e se fortalece nas coisas ‘mais simples’ e banais, sem lamentar ou se render, mas sim cada vez mais firme e capaz”.

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4 Fotos acima de ©Nossa Cria

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 *Agradecimento especial à Marina, irmã da Camila, pela ajuda 🙂

Fotos: reprodução/CPB/Camila Castro

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