Como a tecnologia ajuda atletas paralímpicos a superarem seus limites

Por onde passa a tecnologia transforma, e com os esportes paralímpicos não é diferente. No Brasil, em 2016, foi possível não apenas ver algumas dessas inovações mais de perto, como entender porque a superação desses atletas é tão inspiradora. Das 23 modalidades existentes atualmente, há pelo menos nove em que a inovação, especialmente em próteses e em cadeiras de rodas, é fundamental não só para o atleta, mas principalmente para a prática esportiva.

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Capitão de rugby da seleção brasileira, Alexandre Taniguch explica que atacantes e defensores possuem cadeiras de rodas bem distintas no seu esporte. As de ataque são mais arredondadas, para dar agilidade ao atleta, enquanto as de defesa possuem uma grade para proteger dos choques. Feitas de alumínio, material bastante leve, as cadeiras para rugby também variam de acordo com o fabricante.

Segundo o atleta, as importadas ainda são melhores do que as cadeiras de rodas nacionais, mas são caras, chegando a US$ 10 mil. Alguns atletas da modalidade contam com patrocínio para ajudar com essas despesas, outros, porém, fazem o investimento do próprio bolso, pois uma cadeira de rodas adequada faz a diferença em quadra.

“Cadeiras melhores são importantes para o desempenho do atleta, pois são mais estáveis e, no meu caso, ajuda para que eu seja mais rápido”, explica o capitão, que em 2006, quebrou o pescoço pulando em uma piscina, comprometendo assim a cervical e o movimento das pernas. Feitas sob medida para respeitar o corpo do atleta e também as regras de cada modalidade, as cadeiras de rodas são intransferíveis. “Se a cadeira de alguém quebrar não temos nem como emprestar, nem mesmo para um companheiro de equipe, ele tem que sair do jogo. Vale lembrar ainda que a cadeira é uma extensão do nosso corpo, qualquer coisa errada com ela logo percebemos”, explica Taniguch, que além de atleta trabalha na IBM.

Capitão da seleção brasileira de rugby, Alexandre Taniguchi usa cadeira de atacante

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Fornecedora oficial dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, a Ottobock oferece serviços técnicos em próteses e em cadeiras de rodas. A Invader Rugby, por exemplo, possui duas versões: de ataque maciça, porém ágil, completamente soldada para resistir aos impactos, enquanto a de defesa possui um eixo extra grande e uma estrutura mais estável. As medidas e também as inclinações individuais são construídas de modo personalizado, conforme o corpo do atleta.

Já as próteses se dividem em membros superiores e membros inferiores. Mais essenciais à prática de algumas modalidades, as próteses de membros inferiores são formadas por duas partes: a primeira são as lâminas de carbono, que fazem às vezes de pés, enquanto a segunda, o soquete, atua como uma articulação de joelho e possui um sistema hidráulico rotativo, otimizado para os esportes de corrida.

No triatlo, as próteses são vistas na etapa de corrida, mas não na natação, por exemplo

No caso da prótese de pé, a dinâmica e a rigidez da mola podem ser adaptadas às necessidades de cada usuário. Para os atletas, que conseguem transferir sua força muscular para a mola junto à lâmina, uma prótese adequada pode resultar em um retorno de energia superior e, sendo assim, um desempenho melhor nas quadras.

Para Thomas Pfleghar, diretor técnico da Ottobock Brasil, uma prótese boa é fundamental para a atividade esportiva, porque o impacto sobre uma prótese em um atleta que percorre 100m, por exemplo, é de quatro vezes o seu peso. “Se a prótese não tem encaixe, depois de umas três corridas, o atleta vai sair com o membro residual machucado, logo, não vai ter a performance desejada. O mesmo vale para as cadeiras de rodas: ele perde eficiência em um equipamento que não é o adequado”, explica.

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No atletismo, atletas amputados de membros inferiores usam próteses para competir

E ainda que as próteses possam mudar de uma modalidade para a outra, como no caso das cadeiras de roda, Pfleghar ressalta que elas são equipamentos mecânicos, e que o desempenho sempre vai depender mais da preparação do atleta do que da tecnologia.

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