Conheça a primeira diretora transexual de escola pública em SP

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Paula Souza é negra e a primeira transexual a assumir a gestão de uma escola da rede pública de São Paulo. Uma conquista e tanto, num país em que respeito é o que pessoas como Paula batalham todos os dias para ter.

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Mas, Paula não se orgulha de ser a única transexual à frente de uma escola – pública ou privada. Ela deseja, e batalha, para que mais transexuais ocupem esse espaço. A missão dela é ensinar aos alunos da Escola Estadual Santa Rosa de Lima, no Capão Redondo, zona sul da capital paulista, o poder transformador do respeito à diversidade.

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Gabriel Nogueira / Catraca Livre

Ela conta que o desejo de ser professora vem desde a infância, pois a mãe dela “foi servente de escola e também zeladora, então eu já vivia neste ambiente”. Com orgulho, ela conta que auxiliava as professoras da 1ª à 4ª série na solução de dúvidas dos colegas de turma. A docência era um caminho natural na sua trajetória.

A escola onde Paula trabalha atende mais de 900 alunos, de 6 a 10 anos, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Uma de suas principais missões é difundir o respeito à diversidade. “A gente tem que garantir em nosso projeto político-pedagógico essas questões da diversidade, não só pensando nas questões LGBT, mas também as questões do diferente”, reflete Paula, que sofreu perseguição na infância e adolescência por ser quem é, e só se assumiu trans já adulta.

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Gabriel Nogueira / Catraca Livre

Paula conquistou o posto de diretora via concurso público, mas não sabe se teria essa oportunidade em uma escola da rede privada, devido ao preconceito. “No público não existem essas barreiras, de quanto você ser negra, ser mulher, ser deficiente, ser mulher trans ou travesti. Mas fico me indagando: será que em uma escola particular eu seria diretora? Teria a oportunidade e lecionar?”

A diretora toca em um ponto importante: a população trans tem enorme dificuldade para se inserir no mercado de trabalho formal – novamente, por causa do preconceito. “É isso o que acaba acontecendo com muitas [transexuais]. A sociedade ainda não nos vê como pessoa humana”, pondera a educadora.

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Gabriel Nogueira / Catraca Livre

A luta de Paula é diária e não permite “arrego”, mas ela batalha de cabeça erguida e sabe que essa luta não é só dela. “Não posso me acomodar e deixar que as outras pessoas fiquem sem nada. Eu tenho esse papel enquanto cidadão.”

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