Famílias voluntárias substituem abrigos e acolhem crianças abandonadas temporariamente

Lançado em 2010, o pioneiro programa Família Acolhedora de São Gonçalo (RJ), fornece um lar provisório a crianças abandonadas da cidade fluminense. A iniciativa conta com 21 famílias aptas para acolher crianças de 0 a 11 anos em vulnerabilidade sócio-familiar.

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Graças à Família Acolhedora, o bebê recém-nascido Pedro e outras 15 crianças em idade escolar foram acolhidas por voluntários e estão atualmente em um lar provisório, onde recebem educação, assistência, aconchego e sobretudo, afeto. Eles não precisarão ficar em abrigos até o desfecho dos seus casos na Justiça, como acontecia antes.

O bebê foi encontrado debaixo de um veículo por um estudante em São Gonçalo no início deste mês. Foi então acolhido pela confeiteira ‘X’ e o motorista ‘Y’ (nomes não podem ser divulgados), que receberam a missão de dar teto, amor e dignidade a Pedro em seus primeiros meses no mundo. enquanto o abandono é investigado.

O casal cuidará do bebê até a Vara da Infância e Juventude decidir se ele seguirá para adoção ou se voltará para a família de origem.

pais inscritos no projeto família acolhedora que fornece lar a crianças abandonadas

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Absolutamente saudável, Pedro é a primeira criança que X. e Y., pais biológicos de uma menina de 8 e um menino de 4 anos, acolheram. O bebê foi para a casa do casal quando tinha 4 dias de vida, dois dias após o abandono.

Eles estavam cadastrados no programa quando viu o caso pela mídia. Os nomes deles serão preservados para proteger a criança. “Parece que eu o gerei. Consigo identificar quando ele chora e quer mamar e quando espera o banho para relaxar melhor. É uma relação surpreendente. Ver a gratidão em seu olhar é o melhor pagamento que posso receber. Pedro me mostrou que ninguém deveria amar pela metade”, conta X.

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“Tinha um corte no supercílio e todos os dentes necrosados. Ele não ficava em pé”

O motorista Marcos de Oliveira Justino, 52, e a administradora Lúcia Cláudia Teodoro, 51, também recebem crianças vítimas de maus tratos ou abandono.

Eles entraram para o Projeto Família Acolhedora em 2016 e já estão em seu quinto acolhimento, com um menino de nove meses que nasceu prematuro e passou seus cinco primeiros meses em um CTI, sem visitas.

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Ao tomar conhecimento da situação do neto, sua avó paterna entrou com um pedido de guarda que está sendo analisado pela Justiça. “A gente não sabe se a mãe tomou remédio para tirar a gravidez. A criança já sofre desde a barriga”, diz Marcos.

Uma outra criança, de 2 anos, acolhida por Marcos e Lúcia, foi recebida em situação de desnutrição grave: tinha 3kg e evacuava constantemente. A mãe biológica o submetia a maus tratos constantes e o menino acabou desenvolvendo infecção intestinal. Sob sua guarda, a doença não foi tratada e acarretou na perda de 70 centímetros do órgão.

Lúcia e Cláudio descobriram posteriormente que o menino era surdo. Ele estava internado em um hospital quando uma denúncia o levou para o programa de acolhimento.

“Ele só conhecia pão e água. Devia ficar num chão onde comia como bicho. Tinha um corte no supercílio e todos os dentes necrosados. Ele não ficava em pé”, lembra Lúcia. Após seis meses com o casal, o bebê teve a guarda destinada ao pai e à madrasta.

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pais inscritos no projeto família acolhedora que fornece lar a crianças abandonadas

Já a auxiliar administrativa Marcele Ribeiro Taylor, 38, voluntária há quatro anos, acolhe atualmente duas meninas, uma de 4 meses e outra de 4 anos.

A bebê é filha de uma moradora de rua que infelizmente é dependente química e que já teve outras cinco crianças. Todas passaram pelo Família Acolhedora e foram adotadas. “As pessoas têm que se conscientizar, se prevenir mais e pensar no futuro dessas crianças, porque quem sofre não somos nós, são eles”, ressalta Marcele.

Abandono é crime!

O artigo 244 do Código Penal estabelece que abandonar uma criança, colocando-a sob risco, configura crime de abandono material. A pena varia de 1 a 4 anos de prisão.

O correto a fazer é procurar o Juizado da Vara da Infância e da Juventude para obter informações sobre o procedimento de disponibilizar a criança para adoção. Este último procedimento não configura crime nem irregularidade.

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Fonte: O Dia/Fotos: Gilvan de Souza/Agencia O Dia

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