“Depois de fazer faxina em uma empresa de marketing, construí uma carreira de sucesso na área”

Mães aprendem a conviver com a obrigação de dar conta de tudo e, depois, com a culpa por descobrir que ninguém consegue cumprir com essa obrigação. Neste depoimento,  Bárbara Georgiane, 38 anos, coordenadora de marketing de Belo Horizonte, e mãe de Bruna, 20, e Maria Isabel, 11, conta como descobriu que só ia encontrar alegria na vida profissional e na maternidade ao se livrar da culpa por escolher o que priorizar em cada situação.

“Eu ainda planejava o futuro quando engravidei da Bruna, aos 17 anos. Ouvi que devia esquecer meus sonhos porque ia viver para ela. Eu não concordava com aquela sentença, mas, como não quis me casar, fui expulsa de casa e precisei trabalhar para ajudar minha avó, que me acolheu.

Eu cozinhava na casa de pessoas e passava roupa, enquanto seguia estudando. Logo que Bruna nasceu, minha mãe aceitou que eu voltasse, desde que me bancasse. Eu trabalhava com vendas de dia, levava minha filha comigo para a faculdade de noite e, no intervalo das aulas, lavava copos no bar do campus. Aos fins de semana, ainda fazia bicos em um bufê infantil que me permitia levar a Bruna.

Aí conheci meu marido, nos casamos e tive a Isabel. Foi quando tomei a decisão de parar de trabalhar fora para acompanhar de perto o desenvolvimento das meninas. Por ter crescido sem pai, eu era carente de uma família que funcionasse e achei que esse era o caminho.

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A culpa paralisa a gente

Até que enfrentamos uma situação difícil e, como saída de emergência, topei fazer faxina em uma empresa de marketing. Era a minha área de formação e tudo nela combinava com meus sonhos. Àquela altura, eu já havia entendido que só ia encontrar alegria e realização na vida profissional e na maternidade se me livrasse da culpa por precisar escolher o que priorizar em cada situação.

Assim, foquei em me preparar para os processos seletivos em marketing. Foi o que me trouxe até o cargo que ocupo hoje. O fato é que houve e haverá momentos de eu não estar presente, e tudo bem. Aprendi a olhar para mim com uma certa bondade porque a culpa acaba paralisando a gente.”

Texto: Romy Aikawa
Foto: Gustavo Baxter

Conteúdo publicado originalmente na TODOS #43, em maio de 2022.

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