Desconhecidos amparam família de vidraceiro morto em queda do 15º andar de prédio em SP

Em agosto do ano passado, o jovem vidraceiro Edmilson sofreu uma queda fatal quando trocava a janela do apartamento de um prédio em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo.

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Edmilson não resistiu à queda do 15º andar e veio a falecer. Ao jornal Folha de S. Paulo, a Polícia Civil disse que a corda do equipamento de Edmilson se soltou. Ainda de acordo com os policiais, a corda não tinha sinais de rompimento. Edmilson morreu com penas 24 anos: estudava e queria ser policial.

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Ele vendia coco com o pai, Alcides, mas resolveu arrumar um emprego fixo, pois estava cansado dos fiscais da Prefeitura levarem a mercadoria. “Ele chegou ao ponto de falar pra mim ‘pai, preciso arrumar um emprego fixo porque não aguento mais está perdendo a mercadoria’. E eu concordei com ele”, contou Alcides, em conversa com o Razões para Acreditar.

desconhecidos ajudam família vidraceiro morto prédio
Alcides e Edmilson vendiam coco na região do Minhocão

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E aconteceu o que aconteceu: Edmilson deixou Alcides, a mãe, Jacira, uma irmã, Letícia, e um sobrinho, o pequeno Jacob. A família vive em uma pensão e dependia do trabalho de Edmilson para sobreviver. Como a maioria das famílias brasileiras, se viravam com o pouco que tinham.

“Ele me ajudava muito. Em tudo o que eu fazia ele estava presente. Foi uma grande perda da minha vida. Nada vai superar essa perda do meu filho. Eu não consigo tirar ele um só momento do meu pensamento, do meu coração. Ele está sempre presente. E o Ricardo e a dona Soraya se mobilizaram e fizeram uma vakinha pra mim.”

Ricardo Sales e Soraya Aggede são jornalistas e moradores do prédio onde Edmilson trabalhava quando sofreu a queda. Comovidos com a tragédia que atingiu a família de Alcides, resolveram ajudar com uma vakinha online. O dono do apartamento, o síndico nem a vidraçaria foram capazes de qualquer gesto de solidariedade.

“A gente criou a vakinha e logo na sequência colocamos avisos em todos os elevadores do prédio; imprimimos bilhetinhos com o número da conta do Seu Alcides e distribuímos em todas as caixas de correios, de todos os apartamentos. Isso foi criando uma corrente do bem muito bacana de acompanhar”, lembra Ricardo.

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“Foi incrível! Vieram contribuições, inclusive, de fora do Brasil. Pessoas maravilhosas que a gente nem imaginava que poderia se mobilizar. Mais que ajudar essa família, esse caso nos mostrou que quando alguém faz uma coisa muito ruim, ao ponto de causar indignação, a capacidade de empatia humana pode superar a crueza de uma minoria e se tornar maior do que tudo”, destaca Soraya.

A rede de solidariedade foi além das doações em dinheiro: apareceu gente querendo doar marmita, roupas, fraldas para o sobrinho de Edmilson e até psicanalistas oferecendo escuta. “Essas pessoas me fizeram ver a vida de outra maneira. Essa vakinha caiu do céu! Todo mundo me ajudou bastante. Eu só tenho mais que agradecer e pedir a Deus por essas pessoas. Que Deus ilumine o caminho delas”, afirma Alcides.

A arrecadação da vakinha ficou muito perto da meta inicial (R$ 32 mil). O dinheiro foi integralmente repassado para Alcides, descontada a taxa do site: ele conseguiu quitar uma dívida, comprar uma moto nova (Alcides trabalhava como motoboy até sua moto ser roubada) e uma casa em Araci, na Bahia, cidade natal da sua esposa.

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Leia também: Rede de solidariedade constrói casa para ex-moradora de rua em Viamão (RS)

Uma pequena parte do dinheiro foi investida em uma pizzaria delivery. Alcides comprou um forninho e começou a fazer as pizzas. Era ele também quem fazia as entregas. Mas, o negócio acabou não indo pra frente. Sem ter muito o que fazer, hoje, Alcides faz o serviço de motoboy para outra pizzaria.

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“O que eu mais quero é retomar minha pizzaria. Mas eu preciso fazer um investimento melhor. Colocar panfletos nas ruas, uma boa divulgação. E nisso tem que contratar um motoqueiro para entregar e eu no caso pra fazer pizza porque eu sou pizzaiolo. Aí já vai investir um pouco mais de dinheiro, e eu não tenho mais. Foi por isso que eu não segui pra frente.”

Alcides aguarda o desfecho do processo contra a empresa para quem Edmilson trabalhava. Ele não entrou em detalhes, mas espera receber um dinheiro de indenização para retomar o negócio da pizzaria e dar uma vida melhor para sua família. “Eu não sei quando vai sair. Mas quando sair eu vou pegar esse dinheiro e vou fazer o investimento. Aí sim eu vou retomar minha vida normal”, finaliza Alcides, esperançoso.

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desconhecidos ajudam família vidraceiro morto prédiocrédito das fotos: Arquivo da família

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