Detentos cuidam de cães abandonados e reduzem pena em SC

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Uma penitenciária de Itajaí (SC) pretende ressocializar seus detentos de uma maneira inovadora: os presos terão que atuar no cuidado de cães resgatados de situação de abandono.

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Nesta primeira fase, dez detentos da Penitenciária da Canhanduba terão a oportunidade de cuidar desses animais enquanto fazem um curso profissionalizante de banho e tosa.

Todos os cachorros resgatados e cuidados na unidade vão para a adoção.

O projeto, batizado de ReabilitaCÃO, é uma iniciativa da agente penitenciária Bruna R.W.Logen e lança luz a duas questões: a ressocialização dos presos e a situação degradante que muitos cães em situação de rua são expostos.

Detentos cuidam de cães abandonados em projeto ressocialização
Foto: Nathalia Fontana

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Ressocialização de detentos

“A ideia surgiu pela busca de novos métodos de ressocialização dos apenados em Santa Catarina, como um diferencial do sistema prisional, além de outros métodos que já são implantados”, explica Bruna.

Leia também: Detentos de penitenciária em SP fazem crochê para ajudar pacientes de hospital: “Me sinto útil”

Foram doze meses de estudo até o programa sair do papel. Os próprios detentos construíram o espaço, que conta com canil, gramado, brinquedos e uma piscininha para os animais se refrescarem no calor.

‘Já vimos mudança de comportamento’

Os resultados “já podem ser percebidos no comportamento dos presos”, afirma a juíza Cláudia Ribas Marinho, titular da Vara de Execuções Penais da comarca de Itajaí.

“Nós já vimos mudança de comportamento. Os profissionais que trabalham no setor psicossocial fizeram uma avaliação, antes e depois, do comportamento dos presos. Há mudança de temperamento e mais confiança no futuro”, explicou.

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Marcelo Ribas, diretor da penitenciária da Canhanduba, esclarece que apenas os detentos que atendem critérios pré-estabelecidos, como o bom comportamento, são aprovados para participarem do ReabilitaCÃO. Também é levado em consideração se o indivíduo tem traços de depressão e de ansiedade.

Quem participa cumpre menos tempo de prisão. “O preso exerce de forma voluntária o trabalho, mas em contrapartida há remissão de pena. A cada três dias trabalhados, tem a remissão (perdão) de um dia”, explica o diretor.

“Nos traz paz”

O preso ‘W.C.G.’, 36 anos, é um dos detentos que atua no ReabilitaCÃO. Ele cumpre pena há três anos por tráfico de drogas.

“A partir do momento que começamos a fazer esse trabalho, o contato com os animais nos trouxe um pouco mais de paz. O sentimento de empatia e gratidão que a gente encontra no dia a dia, na rotina. É gratificante fazer parte disso”, explica.

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W.C.G. enxerga na iniciativa uma nova perspectiva de futuro. Ele espera adquirir liberdade dentro de alguns meses para então tentar um trabalho na área. “Esse profissionalismo que os cursos vão trazer para nós são uma nova oportunidade. É um crescimento profissional”, finaliza.

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Fonte: Diarinho

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