Detentos produzem 200 mil peças de eletroeletrônica em presídio

Remissão da pena, uma nova profissão e salário para ajudar a família. Essas oportunidades ajudam a resgatar a dignidade de detentos que cumprem pena no Presídio de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, e antecipam seu processo de ressocialização.

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O presídio abriu seus portões para três empresas de eletroeletrônica e que empregam juntas 50 presos. A iniciativa partiu do diretor-geral do presídio, Gilson Rafael Silva, que ocupa o cargo há 9 anos. Muita coisa mudou desde que ele assumiu a gestão.

“Quando cheguei aqui, o presídio estava com a estrutura bastante debilitada, mas, aos poucos e com muita ajuda conseguimos melhorar a construção. Depois eu procurei a Associação Comercial da cidade e mostrei a disponibilidade dos presos para o trabalho”, explica Gilson, em entrevista para a Agência Minas Gerais.

Nas instalações dessas empresas são produzidas 212 mil peças mensalmente, incluindo kits de alarmes, telefones, controles remotos, bobinas, carreteis, núcleos de cerca elétrica, suportes de câmera de monitoramento e sensores de presença.

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“O que mudou para empresa é a questão social, saber que colocando uma parte da produção dentro do presídio está contribuindo com a ressocialização dos detentos. Dentro do galpão industrial eles aprendem a cumprir horário, seguir procedimentos e ser responsáveis. A empresa crescendo, a produção do presídio cresce também”, afirma José Adilson Laudindo, representante da Intelbrás, uma das empresas instaladas no presídio.

As outras duas empresas que operam no presídio são a Deleon e Indusul. Na primeira, dois presos trabalham montando suporte de câmera de monitoramento e sensor de presença. Enquanto na Indusul, são cinco presos trabalhando e a produção mensal é de 12 mil carreteis, 20 mil núcleos de cerca elétrica e a montagem de 10 mil bobinas.

Outros 12 detentos trabalham na manutenção e limpeza da unidade: oito pedalando e gerando energia para a avenida Beira Rio, e mais dois presos já estão empregados no Hospital Antônio Moreira da Costa, onde realizam serviços gerais e na área de tecnologia da informação.

Felipe Villela, 33 anos, é um dos detentos que trabalham o hospital. Antes disso, ele trabalhou na Intelbrás e fez a prova do Enem no presídio quando estava no regime fechado. Felipe conseguiu uma boa nota e a aprovação na faculdade, com direito à bolsa. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar e trabalha com carteira assinada. Ou seja, quando sair da prisão, seu emprego está garantido.

“Após seis meses de prestação de serviço, foi oferecida a vaga de coordenador de Tecnologia e Informação. Setor que hoje coordeno e atuo atualmente em regime CLT. Foi uma alegria imensa e uma sensação de volta por cima. Uma oportunidade única e inigualável de retomar a carreira profissional. Para o futuro, quero dar continuidade no trabalho que estou fazendo e nos estudos e, cada vez mais, aprimorar meus conhecimentos”, conta Felipe satisfeito.

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crédito da foto: divulgação/seap

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