e-Estônia: um país inteiro como exemplo para as cidades inteligentes

Até o início dos anos 1990, o conceito de cidades inteligentes era mais uma discussão acadêmica do que uma prática do dia a dia. Nos últimos tempos, essa realidade mudou com o avanço da tecnologia e a necessidade de repensar o uso dos espaços urbanos respeitando a sustentabilidade.

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É claro que tornar um país conectado, por menor que ele seja, não é assim tão simples. Além de questões de infraestrutura de rede, ou seja, de todo o território e todo o cidadão ter uma conexão com a internet, há preocupações com a privacidade e a segurança dos dados dos cidadãos. Além dos riscos de ataque, é necessário encontrar uma forma de armazenar tantas informações, especialmente agora que o país está expandindo para além das suas fronteiras. Não são dados de cadastro, como e-mail e telefone, mas informações bancárias, o currículo escolar e acadêmico e até impostos pagos ou não.

Evening scenic summer panorama of the Old Town architecture in Tallinn, Estonia

Segundo a The Economist, a Estônia já está trabalhando em um projeto de continuidade digital que busca garantir que, caso sabotado, o governo continuará a funcionar por meio da internet, prestando serviços e permitindo pagamentos. As aulas serão valiosas para qualquer organização preocupada com a recuperação de desastres. Há, ainda, questões ligadas á legislação. Na União Europeia, e a Estônia é parte do bloco econômico, as leis sobre dados pessoais são rigorosos. Os usuários precisam ter certeza de que suas informações estarão guardados adequadamente, especialmente se esses servidores estiverem fora do país. Hoje a discussão é ao redor da ideia de criar embaixadas digitais, computadores em missão diplomática no exterior cujo objetivo é garantir que a e-Estônia continuará funcionando.

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O que a Estônia faz é uma das formas de tornar o país inteligente, pois ao automatizar o acesso do cidadão às informações, o governo não apenas torna o acesso digital, mas também  único. Para as prefeituras, esse tipo de iniciativa é vital pois colabora nas questões de transparência e governança, eixos que são tão importantes para as cidades inteligentes quanto a tecnologia.

“Uma cidade inteligente é aquela que trabalha de forma a entender as necessidades da cidades e dos cidadãos, e trabalha conectada com eles. A tecnologia é um vetor, ela catalisa o desenvolvimento, mas essa conexão com o cidadão tem que ter um processo participativo, de participação social. É fundamental que a prefeitura consiga dar resposta para a expectativa do cidadão, senão a tecnologia é usada de forma isolada, e não necessariamente está alinhada com o que o povo espera”, explica Paula Faria, diretora da Sator e idealizadora do projeto Connect Smart Cities,

A tecnologia é importante, mas só ela não transforma uma cidade em uma cidade inteligente, de acordo com a especialista.

Para além das questões de privacidade e segurança dos dados, que é uma preocupação das cidades que migram de um processo analógico para um digital, Paula aponta como um desafio brasileiro algo que é muito maior, uma mudança de paradigma.

“As tecnologias trazem uma questão muito importante que é a transparência, pois elas trazem a proposta de acesso à informação, clareza nos processos. Um dos principais desafios é essa mudança de pensamento, ainda temos um padrão antigo e burocrático. Mais que a implementação e a solução, as novas tecnologias exigem uma mudança de paradigma dos nossos governantes, e nós, como sociedade civil, temos que pressionar os governantes para que eles encontrem uma forma de evoluirmos, de mudarmos de patamar. Mais do que qualquer outra coisa que as tecnologias possam trazer de comodidade, de benefício para as pessoas, a transparência é o mais importante que as inovações podem nos trazer”, acredita Paula.

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A especialista alerta ainda que uma cidade não precisa nascer inteligente, ela pode se tornar inteligente ao longo dos anos. Grande parte do que é uma cidade inteligente passa por questões de qualidade de vida, sustentabilidade e economia. É isso que as pessoas procuram, mesmo que não coloquem isso nos mesmos termos. Ainda que no Brasil as discussões ao redor das cidades inteligentes esteja no início, há formas de acelerar esse processo se as ações forem pensadas de uma forma coordenada.

O processo de votação é feito com uma carteira de identidade que também é um cartão digital

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