Jovem que fazia faxina e estudava em banheiro passa em Medicina na USP


Jovem que fazia faxina e estudava em banheiro passa em Medicina na USP
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O jovem Guilherme Nóbrega, de 19 anos, realizará a partir deste semestre seu grande sonho de vida: estudar medicina numa das mais conceituadas e tradicionais universidades do país – a USP.

Natural de Santos, litoral de São Paulo, o estudante diz ter se apaixonado pela profissão ao acompanhar as diversas sessões e visitas que o pai fazia num hospital, devido à sua hidrocefalia.

Até o caminho da aprovação, o jovem não teve moleza: fazia faxina para pagar o pré-vestibular e, quando não estava trabalhando, ia para o banheiro de um posto de combustíveis para estudar.

“No terceiro ano do ensino médio eu já estava focado, então comecei a fazer cursinho. Na época, era colégio de manhã, técnico de tarde e o cursinho de noite. Foi bem corrido”, relata.

Sua mãe é frentista; quando Guilherme saía da escola, ia direto para o posto, onde tomava um banho e ficava estudando dentro do banheiro por horas, todos os dias. “Passei quase metade do ano estudando no banheiro. Mas ainda não foi em 2016 que consegui nota suficiente”.

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Guilherme não tinha recursos financeiros para bancar um cursinho. Sua professora, Eliane Limonti, 38, lhe deu uma bolsa de estudos. Em troca, ele tinha que fazer faxina.

“Ela me deu uma bolsa e, em troca, eu tinha que organizar as coisas, limpar as salas, passar um pano em tudo, trocar o lixo e lavar os banheiros. Eu dependia daquilo para alcançar meu sonho, então se tornaram coisas simples. Na época, era colégio de manhã, técnico de tarde e o cursinho de noite. Foi bem corrido”, relembra.

Jovem que fazia faxina e estudava em banheiro passa em Medicina na USP
Guilherme: “Eu estudei todos os dias, é muito emocionante passar na faculdade depois de tanto esforço.” — Foto: Nathalia Alcatrão / G1

Assim que começou o cursinho o jovem diz que já tinha certeza de que ser médico era seu grande sonho, e que nenhuma dificuldade ou obstáculo o impediriam de seguir adiante.

Infelizmente, no ano passado sua avó, de 84 anos, teve um AVC e ficou inconsciente por seis longos meses. Guilherme passava os dias fazendo companhia à ela no hospital. “Eu levava os livros e ficava com ela estudando durante toda a noite”.

Apenas três dias antes de realizar o ENEM, a avó faleceu. “Fui prestar o vestibular acreditando que ela estava olhando por mim”, diz.

Após a realização da prova, Guilherme aguardou por alguns meses o resultado. Em janeiro, inscreveu-se no Sisu e teve a boa notícia de que havia passado em medicina pela UFPR, uma das 10 melhores instituições de ensino superior do Brasil.

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Jovem que fazia faxina e estudava em banheiro passa em Medicina na USP
Guilherme e sua professora Eliane choram após o resultado de aprovação na UFPR. O melhor ainda estava por vir! — Foto: Arquivo pessoal

Apesar de satisfeito com a notícia, o jovem se inscreveu na USP de Ribeirão de Preto para ver se teria um bom desempenho. Para sua felicidade, ele ficou em quarto lugar na lista de aprovados, de quatro vagas disponíveis. “Senti como se eu tivesse ganho na loteria”.

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Assim que soube que havia passado na USP, Guilherme diz que a primeira coisa que fez foi entrar em contato com o rapaz que havia ficado em primeiro lugar da lista de espera da UFPR para parabenizá-lo, afinal, a vaga seria dele. “Eu falei parabéns, você vai fazer medicina na UFPR e ele ficou muito feliz. Me coloquei no lugar, imaginei o quanto ele gostaria de saber que o sonho dele seria possível”.

Para completar a lista de boas notícias, sua namorada também foi aprovada na USP, em terceiro lugar, para o curso de Engenharia de Alimentos. “Eu fiquei muito feliz por ela. Estaremos em campus diferentes, mas apenas há uma hora de distância”.

Jovem que fazia faxina e estudava em banheiro passa em Medicina na USP
A namorada de Guilherme, Vitória Bastos, também foi aprovada na USP em terceiro lugar para engenharia de alimentos. — Foto: Nathalia Alcatrão / G1

O jovem afirma que nunca imaginou que poderia passar para uma instituição tão ímpar quanto a USP. “Eu até esperava passar em outra faculdade. Mas aí percebi que eu estudei para uma USP. Meus pais ficaram muito felizes. Foi emocionante ver que a batalha deles valeu a pena e saber que poderei fazer a diferença na vida das pessoas”, finaliza.

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Fonte: Só Notícia Boa

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