Estudante baiana cria tecnologia de filtragem de água para o semiárido nordestino


Estudante baiana cria tecnologia de filtragem de água para o semiárido nordestino
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A partir do desenvolvimento de um sistema de filtragem que transforma água contaminada em própria para consumo, a estudante baiana Anna Luisa Santos, de 21 anos, ganhou uma premiação nos EUA por sua contribuição à luta contra a seca no semiárido brasileiro.

O dispositivo é ligado a cisternas que utiliza radiação solar para tornar a água contaminada em segura para consumo humano, sendo ideal para ser instalado em regiões castigadas pela seca no nordeste.

Formada ano passado em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a jovem e outros três estudantes que levaram a ideia adiante ganharam uma bolada de R$ 25 mil com o segundo lugar na competição HackBrazil, evento brasileiro de tecnologia em Boston (EUA) que premia iniciativas empreendedoras.

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Aqualuz é acoplado a cisternas para realizar filtragem da água através da luz do sol — Foto: Divulgação

O evento ocorreu no dia 5 de abril durante a Brazil Conference, cúpula que estreou em 2015, coordenada por alunos brasileiros de Harvard e do MIT — duas instituições da “Ivy League”, a elite das faculdades norte-americanas — para promover o encontro com líderes e representantes do país. Ao todo, 400 startups de tecnologia participaram.

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O dispositivo foi batizado de Aqualuz. É constituído por uma caixa de inox coberta por um vidro, uma tubulação ligada à cisterna e um reservatório comumente utilizado para armazenar água da chuva ou de caminhão-pipa.

A filtragem da água ocorre sem a necessidade de uso de compostos químicos. Como consequência, ajuda na redução dos índices de doenças. “A gente teve uma preocupação de desenvolver um sistema que fosse simples e eficiente para as pessoas, com uma excelente durabilidade”, destacou Anna Luisa.

A tecnologia

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Projeto criado por estudante baiana permite filtragem de água com luz solar — Foto: Divulgação

Por meio da tecnologia, a filtragem ocorre por etapas:

1. Primeiro, a água é bombeada da cisterna até a caixa, por meio de um encanamento, passando por um filtro ecológico que é feito de sisal;
2. O filtro ecológico retém partículas sólidas;
3. Depois, já com a água armazenada na caixa de inox, ocorre a desinfecção, em que o líquido é exposto à radiação solar para eliminação dos micro-organismos patogênicos. A alta temperatura na caixa ajuda a eliminar impurezas.
4. Por fim, um dispositivo acoplado à caixa muda de cor e alerta quando a água pode ser retirada da caixa, já pronta para o consumo, por meio de uma torneira.

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Cada ciclo de filtragem dura, em média, 4 horas. O dispositivo, que filtra até 28 litros de água por dia, dura cerca de 15 anos apenas com limpeza de água e sabão, troca do filtro natural (com o estoque de refil já fornecido), sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica.

Testes preliminares feitos em laboratório certificado, que usaram parâmetros do Ministério da Saúde, revelaram que o “Aqualuz” reduziu em 99,9% a presença de bactérias de referência.

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Além de Anna, também ganharam o prêmio pelo projeto Letícia Nunes Bezerra, Marcela Sepreny e Lucas Ayres — Foto: Divulgação

O aparelho, no entanto, não resolve problemas de contaminações por metais, químicos, elementos radioativos e nem de salinidade. Além disso, outro limitador é que funciona apenas com a presença do Sol — em dias nublados, o ciclo de filtragem demora mais porque requer mais tempo de exposição.

“O ‘Aqualuz’ pode ser usado por até três famílias. Por enquanto, a gente indica o uso só em cisternas. Para rios e postos artesianos tem que ter análise da água para saber se é possível a descontaminação microbiológica e se tem contaminação adicional de metais pesados, por exemplo. Nesse caso, o ‘Aqualuz’ não resolve”, relata a estudante.

Anna afirma que 35 unidades do “Aqualuz” já foram implantadas em cidades de quatro estados no Nordeste: Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas.

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Anna Luisa trabalha com projeto desde os 15 anos de idade — Foto: Divulgação

O custo do equipamento é de R$ 500 por unidade, mas Anna diz que a intenção não é comercializar diretamente para as pessoas que vivem no semiárido.

“A nossa proposta é vender o projeto para empresas, nosso foco são as empresas grandes com iniciativas de responsabilidade socioambiental, e também para órgãos governamentais, para que eles possam implementar e ajudar a melhorar a qualidade de vida dos moradores do semiárido”, destaca.

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Fonte: SNB

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