Ele visitou uma das escolas ocupadas em SP e seu relato precisa ser lido pelo Brasil inteiro

A grande mídia insiste em tachar os alunos que estão ocupando as escolas em SP de vândalos, e outras atrocidades. Não, eles não são vândalos, eles estão exercendo seus direitos de forma heróica, digna, organizada e tenho certeza que não vão parar.

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Cartaz da última sexta-feira (26/11) que mostra o roteiro de aulas do dia em uma das escolas ocupadas.

Assim como mostramos nesse vídeo aqui, onde vemos alunos cozinhando, tendo aulas de dança, yoga, fazendo rodas de conversa, enfim, tudo parece melhor do que se o governo estivesse no comando. E mais uma vez temos um relato incrível de uma pessoa que foi em uma escola ocupada – foi o Alexandre Becker, estudante da Universidade Federal do ABC, que detalhou tudo no seu post no Facebook que reproduziremos na íntegra:

“Minha visita solitária ao Américo Brasiliense, escola ocupada em Santo Andre.

Na portaria um rapaz, de uns 16… 17 anos, usando uma camiseta do Ramones, me recebe e pergunta, com toda educação, o que faço lá.

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Eu respondo que vim pra ver a ocupação, que sou da UFABC, e que vim para oferecer aulas e alguma outra ajuda. Ele analisa por um segundo, um pouco desconfiado, enquanto segura as chaves… mas aparentemente as palavras “UFABC” e “aulas” lhe parecem um bom negócio… e ele abre o portão.

Após entrar ele, mais uma vez muito educado, diz que somos bem vindos, mas que ele é novato (aparentemente encarregado de cuidar do portão, uma das inúmeras tarefas nas quais os estudantes se revezam) e que eu deveria falar com um representante. Enquanto me acompanha até a parte interna da escola ele me mostra orgulhoso sem perder o semblante sério como a escola está limpa. Digo a ele que estamos todos muito orgulhosos dessa atitude, que essas ocupações são como uma brisa de sanidade em um inferno de loucura reacionária. Ele agradece, e lembra que a luta tbm é pelos funcionários e professores que vão ficar desempregados, diz que ficaria impossível estudar com essa reorganização, me pergunta como ter uma aula de qualidade, ouvir o professor ou tirar dúvidas em uma sala com 50 alunos ou mais. Enquanto escuto um rapaz de 17 anos dar uma aula de pedagogia observo a escola, limpa, organizada… impecável, e chegamos ao pátio central… sinto uma pontada de nostalgia ao ver punks e outra galera tocando violão e pintando camisetas… tudo acontecendo em uma paz impensável mesmo para mim.

Sou levado a um rapaz de cabelo comprido, ele escuta a palavra Aula e pensa por um segundo, me.leva a um outro representante com a camiseta da união dos estudantes secundaristas, este, me pede desculpas por eu estar passando de pessoa para pessoa e afirma que a pessoa que cuida da agenda (sim, além de se organizar para cuidar da escola com responsabilidades bem definidas eles tem uma agenda de atividades) é Jéssica, que está na cozinha.

Vou até a cozinha e encontro uma moça que me recebe com um sorriso, aperta minha mão e conta um pouco sobre a ocupação, explica sobre a falta de alguns itens como molho e pão (ela da ênfase grande no pão, rs, brinca que não aguenta mais comer biscoito) pega meus dados e as aulas que eu posso dar, explica que as aulas estão tendo formato de debate, passo os meus e de uma amiga de RI que queria dar aulas de história… ela afirma que essa semana está cheia, mas a próxima tem espaço.

Na volta, pergunto se posso tirar algumas fotos, me levam para outra representante, uma nova menina fala, com firmeza, que posso ficar a vontade para tirar foto das instalações (deixando implícito que não tinham nada a esconder) mas que não deveria tirar fotos dos alunos…

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Faço que sim com a cabeça e saio tirando fotos, entre elas, uma de uma placa de proibido que me deixa com um calor positivo no peito. Uma certeza estranha de que, apesar desse mar de merda, o futuro é promissor.

Me despeço do rapaz que me recebeu (estou arrependido agora por não ter perguntado seu nome) e saio com a ctz fortalecedora de que a luta por um mundo melhor é maior que algumas figuras, que a auto disciplina e auto gestão despertarão onde houver coragem e que não, a juventude não está perdida coisa nenhuma, perdido está quem se tornou cínico.

Fica aqui a placa de que falei. Depois desse relato deixo com a consciência de cada a decisões sobre o que fazer.

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