Por que empresas que fazem o bem devem ser remuneradas? Ouça agora em nosso podcast

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“Se a taxa é x e arrecadou tanto, o resto do dinheiro fica pro Razões? Nossa, muito dinheiro, hein”. No melhor dos cenários, a VOAA, vaquinha do Razões, se pagaria sozinha, mas não é o que acontece.

Empresas que fazem o bem devem ser remuneradas? Esse foi o tema de um EP do podcast do Razões. O Vicente, fundador do Razões, e o Felipe Rossi, criador do projeto Por 1 Sorriso, explicaram por que a resposta para a pergunta é “sim”.

Não só empresas que trabalham com o social, mas as ONGs, caso da Por 1 Sorriso, também. É bem simples de entender.

 

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Uma publicação compartilhada por Razões (@razoespodcast) em

Imagina que você precisa de uma identidade visual pro negócio que você está abrindo. Você está sem grana e não tem como pagar alguém para fazer a arte. Mas você tem um sobrinho que manja de Photoshop. Ele vê que você tá super animado e topa fazer a logo sem cobrar nada.

Só que o tempo vai passando e nada do seu sobrinho entregar a arte. Ele tá na dele, se ofereceu para fazer a identidade, mas no tempo dele.

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Já se você jogar uma grana na mão dele, pode dizer o dia e horário tal que você quer o serviço pronto.

Trabalho voluntário é maravilhoso, mas as coisas caminham mais devagar, e muitas vezes nem caminham.

“É isso o que eu falo sempre. Todo mundo o tempo todo quer se voluntariar no Razões. Eu acho isso maravilhoso, de verdade. Mas as demandas que a gente precisa são diárias, como um trabalho normal. E a única forma que eu tenho pra pessoa ficar disponível, é ter que pagar.” (Vicente)

Seres iluminados x Pessoas com boleto para pagar

A gente ama fazer o que faz, mas não faz sentido ser chamado de “ser iluminado”, o que dá a impressão de que quem faz coisas de impacto positivo são apenas pessoas iluminadas – o que definitivamente não é verdade, são pessoas absolutamente normais.

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Primeiro, porque, agora é eu me colocando na conversa, toda pessoa tem defeitos, não é por que ela faz uma boa ação ou ajuda a mudar uma história que ela é “iluminada”. Segundo, porque, no fundo, essa “aura” afasta das pessoas a percepção de que aquilo é um trabalho e que merece ser remunerado. Boleto chega pra todo mundo.

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Foto: Freepik

“Isso é bem legal de falar… As pessoas colocam na gente uma responsabilidade que é delas. Quando as pessoas escrevem ‘nossa, você é um ser de luz’ (…) Quando a pessoa joga isso pra mim, pro Vicente, ela tira dela a responsabilidade, sacou? E não é certo. A gente não é responsável por todos os problemas do planeta.” (Felipe)

O que a mão direita faz a esquerda não precisa saber?

É assim mesmo que fala? Então, existe todo um debate de que não devemos divulgar uma doação ou boa ação etc. É meio louco pensar dessa forma porque a gente vive num mundo onde as pessoas divulgam tudo o que é coisa que a mão esquerda não precisava saber rs (alô stories no vaso do banheiro!)

E ok você preferir não divulgar a doação que você faz. Já “fiscalizar” quem escolhe divulgar, é um pouquinho demais. É legal mostrar para que mais pessoas façam o mesmo.

Vou fazer o sincero: quem é ajudado tá nem aí se você vai divulgar ou não sua doação. Aquela pessoa tem necessidades mais urgentes para se preocupar. É uma generalização perigosa? É, como qualquer generalização, inclusive a que diz o contrário.

“Quem quer divulgar eu acho ainda mais interessante porque você humaniza a história e consegue multiplicar. Então se eu vejo alguém normal, igual eu, que vai lá e comprou uma cesta básica e tá doando pra alguém, eu posso fazer isso.” (Vicente)

Vivendo na corda bamba

Essa é a realidade, e talvez motivada pelo pensamento de que pessoas que trabalham com o social são “iluminadas”, ou que fazem aquilo “de coração”. Tem muito coração, óbvio, mas tem cobranças (metas, resultados etc.) e contas para pagar.

“A gente precisa de dinheiro pra poder movimentar. Hoje, a gente tem um custo físico de no mínimo R$ 15 mil. Quando bota os salários, a gente vai pra R$ 25 mil de custos fixos. A ONG só chegou a R$ 10 mil pessoas porque existe esse custo fixo e as pessoas não param pra fazer essa conta. Se existe essa taxa da vaquinha de vocês é porque tem gente trabalhando nisso.” (Felipe)

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Foto: Pinterest

“E elas estão sendo cobradas por isso. A pessoa só vai conseguir se dedicar a isso se ela for remunerada, não tem o que inventar. Infelizmente, as pessoas que trabalham com social sempre vivem na corda bamba. Não é justo, e eu não quero passar por isso.” (Vicente)

Quanta coisa pra pensar, hein? Mas tem mais, se a sua plataforma é o Spotify ouça o EP abaixo. Ouça em outras plataformas clicando aqui.

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