Enfermeira de SP viaja 1.400 km para conhecer sua doadora de medula óssea no RS: ‘Irmãs de sangue’

A probabilidade de se encontrar um doador de medula óssea compatível é de 1 em 100 mil, de acordo com a comunidade médica.

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Em meio a essa estatística pouco favorável, a paciente Lilian Alves de Lima, 35, encontrou a gaúcha Cris Suelen dos Santos, 39, de Gramado, na serra gaúcha.

Cris, que é empresária, e Lilian, enfermeira, estão unidas pelo sangue há cerca de um ano e meio. No início deste mês, elas enfim se conheceram pessoalmente na cidade da enfermeira.

“A gente pensa “quem será?”, “ela ficou bem?”, “será que a gente é parecida?”. E olha, ela é igual a mim”, brincou a doadora, em entrevista ao portal Gaúcha Zero Hora.

Inicialmente, Lilian acreditava ter recebido a doação de medula óssea de um homem. “Começou a crescer pelo, igual barba”, disse aos risos, explicando em seguida que a barba era uma reação aos remédios que toma.

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Doador e receptor precisam aguardar 18 meses para poder, de alguma forma, se conhecerem – é uma regra do Redome, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea.

Passado esse período, as partes solicitam informações uma da outra, que são enviadas por e-mail (como o número de telefone).

Lilian e Cris conseguiram esse contato em janeiro deste ano e logo começaram a trocar mensagens de WhatsApp.

“Salvei o número, fiquei olhando para o telefone, aí ela ficou online. Meu Deus, o que eu vou escrever? Eu pensei, porque nada que eu dissesse iria expressar minha emoção, minha gratidão”, afirmou Lilian.

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Ela decidiu viajar 1.400 quilômetros até a bela cidade de Gramado para conhecer sua doadora. Foi amizade à primeira vista, com uma longa e afinada conversa, onde discutiram até se teriam algum grau de ‘parentesco’.

“Irmãs de sangue”, disseram, seguido de um abraço demorado.

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Diagnóstico e doação de medula

Lilian mora em Fernandópolis (SP), e foi diagnosticada com leucemia em 2019. Antes do diagnóstico, sentia cansaço extremo, febre e dores nas costas.

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Com o passar do tempo, sua gengiva começou a inchar. Suas mãos e pés tinham manchas avermelhadas. Após um hemograma, ela descobriu um descontrole das plaquetas (baixas) e leucócitos (elevados).

Logo foi transferida para outro hospital, em São José do Rio Preto. “Eu não tinha força nem para conversar. Fui levada de ambulância. Eles não deixavam nem eu andar, pois já tinham a suspeita. E eu não acreditava. Sou acostumada a cuidar de pessoas, não estava preparada para ser cuidada. Sorte que tenho uma família incrível, que me apoiou”, apontando para o marido e para sua mãe.

As sessões de quimioterapia, necessárias para a remissão da doença, a fizeram perder os pelos do corpo e cerca de 15 kg. Ao final, os médicos reforçaram a necessidade da enfermeira receber um transplante de medula óssea, devido ao alto risco de retorno do câncer.

Nesse meio-tempo, Dona Matilde, 60 anos, largou o emprego para cuidar da filha. Ela também tentou conscientizar parentes, amigos e vizinhos para se registrarem nos hemocentros da região, em busca de um doador compatível. No entanto, não teve ucesso.

Foi aí que uma voluntária gaúcha – a Cris, – foi identificada com a compatibilidade necessária para fazer a doação.

“Agora somos uma nova família”, agradece Dona Matilde, que é técnica de enfermagem e grande inspiração para a carreira profissional da filha.

Há dois anos, Cris viajou a São Paulo, onde retirou duas bolsas de sangue para a transfusão de medula. Sua hospedagem e passagens foram custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que administra o Redome e sua rede de doadores.

Sou acostumada a cuidar de pessoas, não estava preparada para ser cuidada. Sorte que tenho uma família incrível, que me apoiou“, completou Lilian.

Fonte: Gaúcha ZH
Fotos: Tiago Boff / Agência RBS

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