Treinadas como engenheiras solares, mulheres de Zanzibar levam luz para aldeias remotas

Um novo programa social oferece oportunidade de estudo e trabalho para mulheres em Zanzibar, maior e mais populosa ilha da Tanzânia, na África, além de eletricidade para centenas de famílias em aldeias remotas.

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Como mãe solteira, Salama Husein Haja era considerada da “baixa hierarquia” na sua aldeia e lutava para conquistar espaço e ganhar a vida como agricultora.

Com a chegada do programa comunitário promovido pelo governo federal, agora ela espera ganhar respeito e uma renda estável após ter sido treinada como engenheira solar. Além disso, Salama será uma das responsáveis por trazer luz a dezenas de aldeias rurais vizinhas, onde não há casas com eletricidade.

Avós e mães solteiras – muitas delas nunca aprenderam a ler ou escrever – estão entre as que estão sendo treinadas no programa, que pode transformar milhares de vidas em suas comunidades, mantidas com a riqueza gerada por pescadores e agricultores.

Treinadas como engenheiras solares, mulheres de Zanzibar levam luz para aldeias remotas
Foto: Reprodução/Nicky Milne

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“Lutamos muito para obter iluminação”, disse Haja, 36 anos, uma horticultora e mãe de três crianças de uma aldeia em Unguja, a maior e mais populosa ilha do arquipélago de Zanzibar.

“Quando você não tem eletricidade, você não pode fazer muitas coisas, como ensinar as crianças a ler e escrever. Isso força você a usar uma lamparina. A fumaça é prejudicial, os olhos e os pulmões são afetados.”

“Com eletricidade, tudo é mais fácil”

A vida é um grande desafio para as mulheres em Zanzibar, uma região semi-autônoma da Tanzânia composta por numerosas ilhas, onde metade da população vive abaixo da linha da pobreza.

Segundo uma pesquisa conduzida pelo governo da Tanzânia, as mulheres são quase duas vezes mais propensas que os homens a serem analfabetas, e raramente são proprietárias de terras. Mais raramente ainda é terem contas bancárias independentes.

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Até três quartos da população da zona rural não têm acesso à eletricidade, o que agrava os desafios que enfrentam no dia a dia.

Toda a rede de energia da ilha depende de um cabo subterrâneo que a conecta ao continente. Ele foi danificado uma vez, em 2009, mergulhando a ilha na escuridão por três meses.

Apenas metade das casas de Zanzibar estão ligadas à energia da rede: as demais dependem de lâmpadas de combustível poluentes para gerarem luz.

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“Nós tínhamos apenas uma lamparina por casa”, lembra Aisha Ali Khatib, treinada como engenheira solar ao lado de Haja no Colégio Barefoot, na aldeia de Kinyasini, em Unguja.

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“A lamparina usa parafina… Comprar uma colher de parafina custa 200 xelins (R$ 0,36). Para comprar essa quantidade, preciso trabalhar por dois dias inteiros.”

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Foto: Reprodução/Nicky Milne

A energia solar oferece soluções para conectar aldeias rurais com pouca perspectiva de obter energia elétrica.

Milhões de pessoas em toda a África Subsaariana estão obtendo acesso à eletricidade através de fontes renováveis, afirmou a Agência Internacional de Energia em um relatório publicado no ano passado, que previu uma forte demanda que impulsionará o crescimento do setor de energia solar até 2022.

O treinamento de engenharia solar oferecido pelo Colégio Barefoot – uma instituição de ensino e organização social criada na Índia e que agora atua por toda a África Oriental – se concentra especificamente no treinamento de mulheres.

Enfrentamento à falta de oportunidades para as mulheres

O projeto foi concebido para enfrentar a desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres na Tanzânia, capacitando mulheres numa sociedade profundamente patriarcal e repressiva.

As comunidades das aldeias participantes são convidadas a nomear duas mulheres com idade entre 35 e 55 anos para deixar suas famílias e viajar até a faculdade, onde serão treinadas como engenheiras.

Muitas das escolhidas não têm educação formal, mas são reconhecidas como pessoas que podem exercer autoridade na comunidade.

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“Quando você educa uma mulher, você educa uma comunidade inteira”, disse Fatima Juma Haji, engenheira solar da Barefoot, em Zanzibar. “Elas estão dispostas a ensinar a todos, e a fazer a diferença.”

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Fonte: Pensar Contemporâneo/Foto de capa: Reprodução/Nicky Milne

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