Escola comunitária do brejo paraibano que atende crianças e adultos se torna reconhecida internacionalmente

A educação é a chave para um futuro carregado de esperança e transformações.

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Uma escola de Bananeiras, no chamado “brejo paraibano”, leva esse conceito a um novo patamar, garantindo educação de qualidade para crianças e adolescentes, e a alfabetização dos adultos, especialmente do campo.

Gerida pela instituição “Irmãs do Carmelo Sagrado Coração de Jesus e Madre Teresa” (ou Irmãs Carmelitas), a Escola Nossa Senhora do Carmo surgiu nos fundos de uma casa simples, mantida por um lavrador.

O projeto social surgido em 2005 tinha como foco inicial alfabetizar camponeses da região. Logo, estendeu-se aos seus filhos, que passaram a integrar a rede de educandos beneficiados pela educação das Irmãs.

Hoje, a escola é prestigiada e reconhecida até no exterior.

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Construção da escola

A atual gestora da instituição é Leila Sarmento, professora e doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ela faz parte do projeto social desde o princípio. Na época, Leila buscava construir ao lado das Irmãs um novo modelo de educação, distante dos moldes tradicionais que conhecia.

“A partir desse desejo de fazer uma escola nova, Paulo Freire foi e ainda é nosso maior referencial, com essa proposta de educar com os sujeitos, sempre levando em conta os fatores sociais que cercam a vida de todos”, contou a professora.

Com a ajuda de doações, a construção da escola foi possível em 2007. Oito anos depois, por decisão interna da Igreja Católica, a “Nossa Senhora do Carmo” foi entregue à comunidade, ganhando um novo nome: ‘Escola dos Nossos Sonhos’.

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Seu modo de ensino se resume na busca de uma jornada sem hierarquias, tendo a “subjetividade” dos educandos como centro, explica Leila.

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Aprendizado consciente

Para a professora-doutora, um dos conceitos mais inspiradores do projeto é dividir as decisões com o coletivo.

“Cada passo é dado através de assembleias e colegiados, onde além da equipe de voluntários, os pais e integrantes da comunidade acrescentam ideias e sugerem mudanças”, explicou.

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Uma delas mudou completamente o modelo de ensino e de estrutura física da escola.

“A gente se inquietava ao ver a escola com suas salas de aula cheias de carteiras enfileiradas, com seus alunos a olhar o tempo inteiro para um professor à sua frente, ditando padrões, impondo saberes, em sua maioria desligados da realidade dos educandos e com uma avaliação de aprendizagem mais excludente do que formativa”, diz.

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Dessa angústia por parte da equipe pedagógica, veio uma grande ideia: não haveria mais séries e os estudantes seriam integrados em trabalhos coletivos, valorizando mais a troca de saberes e menos as notas por rendimento e provas.

De repente, as salas de aula engessadas, com suas fileiras de carteiras em série cederam lugar para espaços coletivos de aprendizagem, utilizados pelos educandos através das necessidades de cada um.

Além disso, os professores se transformaram em tutores e mediadores de projetos, desafiando os alunos a serem independentes e livres.

A autonomia pensada por Leila e sua equipe pedagógica é dada às crianças como etapa primordial. “O que você tem interesse? O que você gostaria de aprender na escola?”, explica.

Estas são perguntas oferecidas desde cedo, levando em conta a opinião dos pequenos. Também não há ementa, pois os cronogramas vão sendo montados de acordo com cada grupo.

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“Improviso? Não. Nova maneira de pensar”

Não se trata de improvisos, frisa Leila, pois a escola realiza, com frequência, ciclos de estudos com foco na capacitação para esse modelo educacional.

Isso permite que novas atividades e ações sejam sempre incorporadas, seguindo modelos já existentes em outras escolas mundo afora.

“Muitas vezes, sentimos que nosso maior esforço é por romper com a forma pela qual fomos educados, cuidar para que nossa nova prática não seja permeada de costumes velhos”, desabafa Leila.

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A ideia é que os saberes sejam reunidos por meio de projetos de pesquisa e que o interesse dos alunos guie quais conhecimentos eles vão se dedicar, através de planos diários e roteiros periódicos.

Trata-se de uma liberdade escolar que ainda assim caminha lado a lado com as exigências da chamada “Base Comum Curricular”, estipulada pelo Ministério da Educação.

Educação popular

Atualmente, a Escola dos Nossos Sonhos conta com 230 educandos, cujas aulas presenciais retornaram em julho deste ano, com o privilégio dos ambientes abertos.

Para José Francisco de Melo Neto, pesquisador da Universidade Federal da Paraíba, a educação popular é definida pela pura realidade, cuja pedagogia promove o próximo, acompanhada de valores éticos como justiça, respeito ao ser humano, solidariedade, diálogo em sua realização, buscando a emancipação e felicidade das pessoas.

Esses projetos costumam destacar aspectos como humildade, respeito à diversidade e tolerância como pontos estruturantes do processo educacional. “Nos projetos coletivos, um irmão desenhou a escola para o outro, eu acho isso muito bonito”, disse.

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Reconhecimento internacional

Desde 2015, após uma série de reformulações, a ‘Escola dos Nossos Sonhos’ representou a Paraíba no edital “Inovação e Criatividade em Educação Básica”, do Ministério da Educação, sendo escolhida como uma das 4 grandes experiências do estado por seu “conjunto de novos valores”, certificados pelo MEC.

Dois anos depois, a escola passou a integrar a rede das Escolas Transformadoras do Mundo, certificada pelo Instituto Alana/Ashoka, em um seleto grupo de 21 instituições brasileiras – a primeira a representar o estado da Paraíba.

Já em 2019, veio a consagração internacional: o Escolas2030, programa global de pesquisa-ação que busca avaliar, desenvolver e disseminar boas práticas para a educação de qualidade de crianças e jovens, reconheceu a ‘Nossos Sonhos’ como escola-modelo.

Para a professora Leila Sarmento, esses reconhecimentos apontam para um futuro carregado de esperança. “Isso mostra que a construção coletiva é que traz bons resultados. Se educação é um processo de sujeitos ela não pode ser em mão única, mas em coletivo. Isso é o nosso diferencial”, completou ela.

Junto à Stone, viajamos o Brasil para mostrar negócios que muita gente acha que não daria certo na nossa terrinha – e dão! Veja o 7º EP da websérie E se fosse no Brasil?

Fonte: Jornal Floripa
Fotos: Arquivo pessoal / Escola dos Nossos Sonhos

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