Escritora fala sobre a importância de conhecer os dois lados de uma mesma história

Chimamanda Adichie é uma escritora nigeriana. Apesar de ter nascido em um país do qual só ouvimos falar de miséria, Aids e Boko Haram, ela foi criada em um campus universitário, filha de pai professor e mãe administradora. Teve uma educação de alto padrão e começou cedo a ler e escrever romances. Mas, apesar de ser nigeriana, seus textos frequentemente versavam sobre temáticas e elementos comuns a culturas europeias — como cerveja de gengibre, o sol da primavera após as rigorosas neves do inverno, e diálogos sobre como o tempo era chuvoso.

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É claro que nada disso retratava a Nigéria, como ela mesma o diz. Suas principais fontes de leitura eram livros infantis britânicos — esses sim, repletos de fábulas de elfos e dragões regadas a Ginger Beer. Adichie lia tanto esses livros que sonhava, um dia, experimentar a tal cerveja de gengibre.

A nigeriana ficou surpresa quando, um dia, conheceu a Nigéria de verdade, fora da redoma de livros europeus. Não somente a da miséria, Aids e Boko Haram, mas aquela que se manifesta em forma de arte — sim, isso era possível. Quando Adichie tinha 8 anos, um jovem chamado Fide foi contratado para trabalhar com a sua família. A única coisa que ela sabia sobre o rapaz é que sua família era pobre e vivia na zona rural. Quando não queria terminar sua refeição, sua mãe ralhava: “termine sua comida! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não têm nada?”. O que poderia sair daquela família pobre?

“Um dia fomos à vila de Fide e sua mãe nos mostrou um cesto com um padrão lindo feito de ráfia seca por seu irmão [de Fide]”, conta. “Eu fiquei atônita! Nunca havia pensado que alguém em sua família pudesse realmente criar alguma coisa. Tudo o que eu tinha ouvido sobre eles era como eram pobres, assim se tornou impossível para mim vê-los como alguma coisa além de pobres. Sua pobreza era minha história única sobre eles”. Adichie conta que, mais tarde, quando foi estudar nos Estados Unidos, pôde perceber como era estar na pele de Fide — não em relação à condição socioeconômica, mas sobre as histórias de um só lado que são contadas sobre a Nigéria e os nigerianos: frequentemente sobre a miséria, Aids ou Boko Haram. Confira o relato completo em sua palestra no TED Talks abaixo.

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“Como nossos mundos econômico e político, histórias também são definidas. Como são contadas, quem as conta, quando e quantas histórias são contadas. Tudo realmente depende do poder”, afirma. “Poder é a habilidade de não só contar a história de uma outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa”, considera a escritora. Obviamente, quem detêm mais poder, mais conta suas versões de suas próprias histórias — o cinema é o exemplo definitivo.

“É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão”, diz Adichie. “A história única cria estereótipos, e o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história. A história única rouba das pessoas sua dignidade. Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil. Enfatiza como nós somos diferentes ao invés de como somos semelhantes”, explica.

E você, quão frequentemente só tem ouvido uma lado de uma história?

[Reprodução do texto autorizada por Eber Freitas, que escreveu originalmente para o site Administradores.]

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