Escritora traduz para a linguagem infantil temas como desigualdade, corrupção e preconceito

Alguns desenhos animados, filmes e músicas que as crianças tem acesso, descem ao nível mais baixo de degradação do ser humano. Com o objetivo de mudar essa situação, a escritora Daniela Marques traz para as crianças livros com uma linguagem infantil muito útil. Temas não tão bonitos presentes em nossa sociedade, mas que para serem combatidos, precisam antes ser entendidos.

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Desigualdade, injustiça social, corrupção, preconceito, estereótipos,  igualdade de gênero, autoconhecimento, relacionamento, cidadania, entre outros, são alguns temas escolhidos por Daniela.

“A infância é a época em que o cérebro mais se desenvolve, ali os valores são inseridos e inculcados. Se anseio ver o Brasil transformado e uma nação mais justa, é importantíssimo o investimento no começo da vida”, contou.

As obras preparam adultos conscientes para o amanhã, oferecendo a oportunidade de conscientização, reflexão e construção do senso crítico, além de estimular o pequeno leitor a colocar em prática aquilo que tem aprendido.

Seu primeiro livro, “O Coração Vermelho”, é a prova viva de que essa ideia pode dar certo. A autora visitou muitas igrejas, escolas, ONGs, comunidades, onde escutou o relato de dezenas de pais, mães e professores, que se encantaram com o conteúdo.

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“Imagine passar dois ou três anos do ensino fundamental trabalhando o tema corrupção em sala de aula, inculcando na cabecinha deles como o fenômeno se constrói e se desenvolve dentro do ser humano, as maneiras de combater? Acredito muito no trabalho com crianças!”, diz.

Daniela afirma que despertar a criança para a reflexão desses temas, ajudará no futuro. Por exemplo, se inculcarmos na cabeça de uma criança a problemática do preconceito, por exemplo, suas razões, causas e consequências e ensinar o caminho certo a trilhar, elas vão se tornar adultos livres de preconceito. E mais, adultos que ensinarão seus filhos a não serem preconceituosos.

Segundo ela, a educação depende tanto do exemplo da família quanto do próprio ambiente educacional.

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“Como um pai que joga lixo na rua vai conseguir ensinar seu filho a não jogar? Hoje não temos condições de esperar isso das famílias. As crianças passam boa parte do tempo dentro das escolas ou ONGs, por que não atuarmos ali? Se no tempo em que estiver nesses ambientes a criança aprender sobre cidadania, preconceito, injustiça, respeito, autocontrole e etc. terá grandes chances de se tornar um cidadão do bem que vai formar outros cidadãos do bem no futuro”, diz.

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A escritora busca apoio e ajuda para que esse projeto continue caminhando. Ela conta que tem sido muito árdua a luta para a publicação do material, por falta de verba. Daniela possui parceria com uma editora que ajuda no sustento de uma ONG e 50% da venda de seus livros são encaminhados a este projeto, que também é desenvolvido com crianças. Mas infelizmente, a editora está passando por sérios problemas financeiros.

“Entro em livrarias e vejo tantos materiais com abordagens extremamente superficiais destinadas ao público infantil vendendo aos milhares.  Gasta-se tanto dinheiro com futilidade e isso entristece meu coração, pois vejo poucos querendo investir em temas mais profundos. O Brasil só terá perspectiva de mudança se começarmos a falar sobre corrupção, maldade, injustiça, preconceito e etc. com a geração que está se formando. Os políticos de amanhã estão sentados hoje nas cadeiras das escolas. É muito mais fácil construir crianças fortes do que consertar homens quebrados. Sigo nesse propósito, essa tem sido a minha luta!”, conclui.

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Fotos: Reprodução

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