Este presídio no Uruguai deu liberdade, trabalho, liberou o uso de celular e reduziu o número de guardas

Já mostramos aqui no Razões o quanto que dar uma segunda chance para as pessoas pode mudar a vida delas, seja cuidando de animais abandonados (relembre aqui) ou lhes dando a possibilidade de estudar (relembre aqui).

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Trazemos aqui mais um caso excepcional de mudança através, principalmente da confiança:

Os prisioneiros do presídio uruguaio Punta de Rieles se comprometem com seus próprios negócios, circulam livremente e têm o seu próprio programa de rádio.

A administração da prisão, localizada na periferia de Montevidéu, é operada por civis. Os soldados que guardavam o perímetro tornaram-se dispensáveis, uma vez que a nova gestão transformou a prisão em uma “aldeia”, e desde então nenhum prisioneiro tentou escapar.

Esse modelo, segundo reportagem da VICE Notícias, conseguiu reduzir a taxa de reincidência de presos a 2% contra uma média nacional de 50%.

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Lá, um prisioneiro não precisa esperar sua pena terminar para procurar trabalho e pode começar seu próprio negócio. Tanto que dos 500 presos, a maioria trabalha em uma das 35 empresas que operam dentro da prisão.

Para tornar os empreendimentos possíveis, eles possuem também uma instituição financeira, cuja comissão administrativa é composta por funcionários prisionais e detentos que decidem algumas das iniciativas mais importantes para os negócios.

Oferecem crédito para que as ideias arovadas tornem-se realidade. O financiamento é feito através da cobrança de impostos, um valor de 20% sobre os lucros das empresas já em funcionamento.

Os detentos não podem lidar com dinheiro, então apenas clientes externos podem comprar os produtos das lojas ou os familiares adquirem bilhetes comprados na entrada da prisão e que podem ser trocados por mercadorias.

Este sistema de “moeda” interna foi inventado por Fabían, um dos prisioneiros e dono da confeitaria. “Continuamos a pensar, você viu?” A confeitaria oferece serviços para festas e eventos fora da prisão.

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Todos os benefícios e salários são depositados ou no banco da prisão ou em uma conta escolhida pelo preso, que pode escolher também entre poupar ou ajudar a família com as despesas do lado de fora.

“A prisão foi concebida para funcionar como um povoado, ser o mais próximo possível de uma aldeia. A ideia é aproximá-los da realidade que vão encontrar quando recuperarem a liberdade”, explica Luis Parodi, diretor da prisão em entrevista à VICE.

Entre os empreendimentos que já funcionam no local, fábricas de tijolos, lojas de produtos de saúde, empresa de reciclagem e impressão, supermercado, padaria, cabelereiro, escolas (onde os professores do Ministério da Educação lecionam), entre outros. Inclusivo, hoje, 90% dos prisioneiros frequentam os estudos.

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80% das empresas em Punta de Rieles são de prisioneiros. Há também detentos que trabalham para o Estado.

Além disso, eles comandam também uma rádio, que transmite um programa online de entrevistas e músicas.

Há ainda um templo para práticas religiosas e, como em toda cidade, uma praça principal onde acontecem reuniões para conversar com seus moradores.

A transformação desta prisão não foi uma tarefa fácil. “Esta compreensão da gestão de uma prisão colidiu frontalmente com a concepção da polícia da prisão na hora de realizar a mudança”, lembra Arbesun. Esta realidade, aliada à corrupção de alguns agentes, resultou na expulsão de 25 policiais que operavam em Punta de Rieles.

Finalmente, Arbesun e Parodi, que na época era o vice-diretor da prisão, decidiram que a gestão interna seria feita exclusivamente por civis e restringiu o papel da polícia a avaliar as entradas e saídas.

A prisão de Punta de Rieles é também é pioneira em termos de liberdade de movimento e comunicação de seus prisioneiros, que vão de um lugar para outro, sem restrições e podem usar seu próprio celular.

As celas, que são para 6 ou 4 pessoas, são usadas apenas para dormir e algumas delas ficam abertas 24 horas. Por sua vez, foram projetados locais individuais para que os detidos possam ter um espaço de privacidade.

“Não existe uma fórmula mágica para resolver situações de violação das regras de convivência ou de confronto, a nossa principal ferramenta de trabalho é saliva, nós gastamos muito, mas um monte de saliva para tentar chegar a uma solução pacífica. Nós priorizamos o aspecto educativo, ou seja, discussão, raciocínio… a disciplina é sempre o último recurso “, diz Arbesun.

“Você tem que alimentar a alma, preencher o pensamento, para alimentar os sentidos”, diz Arbesun.

Você pode conferir o documentário sobre esse presídio único no mundo, produzindo por Danio Barreto, um dos operadores da rádio. “Cambio de Vida” conta a história de alguns detentos e sua reabilitação.

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Fonte: VICE, La Nacion e Cosecha Roja 

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