Jovens acampam em casa de professora para lhe oferecer apoio após morte trágica de filho (SC)

O filho da professora Karenn Ramísia sofreu uma morte horrível no dia 4 de janeiro. João tinha apenas 8 anos de idade e foi atropelado por um caminhão sem chance de sobreviver enquanto passeava de bicicleta na praia de Itapirubá Norte, Imbituba (SC).

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Karenn, 46 anos, a filha Luiza, 20 anos, e os pais da professora, que viram o neto perder a vida, receberam uma onda de apoio comovente.

As amigas de Luiza dos tempos de escola, literalmente, acamparam na casa da família por mais de um mês, levando, além de apoio emocional: flores, almoço, janta, bolos, biscoitos, cháJá as mães das amigas pagaram sessões de terapia para Karenn.

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

“Quando me desespero de saudade, leio as mensagens das jovens que estão diariamente nos dando colo. Meu pai viu toda a cena do atropelamento e minha mãe chegou logo em seguida. Para cuidar dos meus pais, que nos primeiros dias sequer conseguiam ficar de pé, as meninas contavam piadas, faziam Reiki, traziam vida para a casa”, diz a professora.

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

Ela conta que João era um menino cheio de vida, que amava muito brincadeiras de infância, em vez de passar horas se divertindo com algum eletrônico: “Não acessava redes sociais, raramente jogava eletrônicos e partiu acreditando no Papai Noel”, desabafa.

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A professora com os filhos João e Luiza. Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

Foram tantas as mensagens de carinho, que só mesmo assim para Karenn, na medida do possível, amenizar a saudade do filho, juntamente com o acompanhamento de psiquiatras. Inclusive, a professora pensa em escrever um livro.

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

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Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

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“As terapeutas estão me ajudando a pensar em escrever sobre o meu processo de luto e todo o amparo que recebo. Elas pensam que posso ajudar outras mães que passam pela mesma dor, e chamar a atenção de todos para a importância da vida e de ser vida para o próximo”, revela.

Professora busca justiça

A professora agora busca justiça contra o motorista que dirigia o caminhão. O homem de 64 anos manobrava o veículo para descarregar areia no local e alega não ter visto João. Após a ocorrência, foi encaminhado para a delegacia de Imbituba.

A reconstituição da cena aconteceu quatro meses depois e o inquérito permanece aberto.

“O cenário já estava modificado, pois o mato cresceu muito. A rua estava alagada, porque tinha chovido na véspera e todas as possíveis marcas já se apagaram. Além disso, em função da estação, já estava escuro, mas quando o João morreu o dia inteiro estava claro”, conta.

Karenn criou uma vaquinha online para conseguir instalar outdoors pela região para chamar atenção para o caso e pressionar as autoridades. “Já conseguimos instalar 7. Até segunda, serão 11”, revela.

professora abraça filho gramado
Foto: Karen Ramísia/Arquivo pessoal

Fiquei com muito medo de expor nossa história e de sofrer ainda mais. Mas Deus é bom e estamos recebendo novamente muito carinho. Eu vibro na justiça e não na vingança. Mas preciso lutar pelo João e para que isso não aconteça com outras crianças e famílias.”

Num segundo momento, pretende puxar uma campanha nacional que exija a criação de leis que tornem obrigatório o uso de câmeras de segurança laterais, de ré e frontais, em caminhões de grande porte, e a capacitação contínua do motorista, limitando também a idade para dirigir essas máquinas.

Além disso, Karenn tem planos de fundar uma organização, ao lado de outras mães, para oferecer palestras focadas em humanizar o condutor do veículo, especialmente os caminhoneiros.

“É muita coisa para uma mãe que cuidou e educou com muito amor. Mas ao mesmo tempo, penso que sobrevivo e busco a justiça e a paz, porque criei e eduquei com amor”, conclui a professora.

Karenn fará a prestação de contas da vaquinha em seu perfil no Instagram.

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