Ex-neonazista ‘resgata’ membros arrependidos que querem deixar o ódio para trás

Com apenas 16 anos – e muito ódio no coração, Christian Picciolini já era líder de um dos grupos neonazistas mais conhecidos – e temidos – nos Estados Unidos: o Chicago’s CASH.

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Ele conta que fez coisas pelas quais deveria ter sido preso, porém nunca cumpriu pena. Nesse tempo, Piccioloni recrutou muitos jovens que estavam em busca de uma identidade e respeito.

Picciolini, que viu os pais italianos sofrerem na pele o preconceito contra estrangeiros, criou uma banda que pregava a supremacia branca para atrair pessoas mais novas. Foi o primeiro grupo de skinheads dos Estados Unidos a fazer uma turnê na Europa. “Eu era bom para recrutar pessoas”, disse ele em entrevista à BBC. “Destruí muitas vidas. Eu me sinto responsável pelo que fiz”, lamentou.

Ex-neonazista ‘resgata’ extremistas que querem deixar o ódio para trás

A redescoberta do amor em vez do ódio

A trajetória de Picciolini no Chicago’s CASH teve um ponto final quando ele foi pai de um menino: “Foi a primeira pessoa que me permitiu voltar a amar depois de tantos anos de ódio. Ele me reconectou com a inocência que eu havia perdido aos 14 anos, quando me juntei ao movimento”, explica. Ele conta que o primeiro passo para sair do movimento é sentir-se bem consigo mesmo. “Uma vez que você consegue isso, a ideologia se quebra”.

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ele deixou de sentir ódio depois de ter o primeiro filho

Depois de sair do Chicago’s CASH, Picciolini estudou e se formou em Relações e Negócios Internacionais. Em 2010, ele criou a ONG Life After Hate (“A vida depois do ódio”, em tradução livre), cujo trabalho é ajudar neonazistas que querem deixar o ódio para trás. “Fiquei 22 anos fora do movimento, tentando entender e desmantelar aquilo que eu mesmo havia ajudado a construir”, afirmou.

Mas, sua história não inspira apenas neonazistas arrependidos. Em dezembro do ano passado, Picciolini fez uma palestra na Bélgica para falar sobre os perigos do extremismo de direita. No final da palestra, um homem que tinha visto o anúncio da palestra pediu para falar com ele. Na sua cabeça, era algum neonazista que precisava de uma força para mudar, mas se tratava de um ex-combatente do grupo Estado Islâmico (EI).

ele deixou o ódio e aprendeu a amar

Picciolini descobriu que o homem havia viajado da Síria e, ao voltar, se entregou para as autoridades. O homem cumpriu sua pena, mas, ao sair da prisão, teve dificuldades para recomeçar a vida. “Os combatentes estrangeiros do EI estão voltando agora e não conhecem ninguém que tenha passado por uma transformação similar à minha, alguém que possa orientá-los”, explicou Picciolini.

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O ex-combatente viu que sua história e a do ex-neonazista tinham algo em comum. Ambos continuaram vivendo no mesmo bairro onde foram recrutados pelos grupos extremistas. “Muitos de seus antigos amigos o veem como um traidor ou um covarde. Ele não tem conseguido trabalho, mesmo sendo engenheiro e tendo muita experiência. Ele não tinha mais com quem falar“, afirma.

As pessoas que deixam esses grupos, sejam neonazistas ou jihadistas, precisam do apoio de outros que tenham passado pelo mesmo. Para o restante das pessoas, não é fácil entender por que caíram no extremismo”, observa.

Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal

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