Ex-refugiado que escapou da guerra desenvolve games pela paz

Nascido no Sudão do Sul, Lual Mayen precisou caminhar centenas de quilômetros até a Uganda fugindo da guerra civil na região. Nesta jornada, ele e a família de sete pessoas enfrentaram a fome, a sede, a miséria, os bombardeios.

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O jovem viu duas irmãs morrerem doentes durante a fuga. Hoje, aos 24 anos de idade, morando nos Estados Unidos, ele se tornou um desenvolvedor de games, fundou a própria empresa e desenvolve jogos pela paz.

Mayen fugiu da guerra, mas não do seu passado, experiência que ele relembra diariamente para criar seus games. “Essa é a coisa da minha vida. Se você passa por algo difícil e sobrevive, o próximo passo é saber o que você tirou dessa situação, como você usa essa oportunidade para melhorar a sua vida”, disse ele.

Os jogos da Janub Games são sempre desafios para a promoção da paz e solução de conflitos. Um dos jogos criados é o “Salaam”, que quer dizer “paz” em árabe, e foi criado quando ele ainda estava nos EUA como refugiado porque Lual queria criar um jogo que seus amigos do campo de refugiados pudessem jogar e para entretê-los naquele ambiente hostil.

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Lual testou primeira versão do jogo com seus amigos do campo de refugiados. Foto: Arquivo pessoal

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No game, o jogador precisa levar água, comida e energia para um refugiado em uma situação parecida com a que Lual vivenciou de guerra e bombardeios. E agora vem a ideia mais genial: se no meio do jogo faltarem estes suprimentos básicos para o personagem, o jogador pode comprá-los com dinheiro real. O dinheiro vai para o desenvolvimento de novos games e para refugiados do Sudão do Sul, por meio de ONG’s parceiras da Janub.

“A paz é algo que se constrói ao longo do tempo. Não se trata de pessoas que se reúnem e assinam cessar-fogo e assim por diante. É uma geração de mudanças. É uma mudança de mentalidade. É uma mudança de atitude de um para o outro”, disse.

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Além da ajuda para os refugiados, a ideia de Mayen é também educar os jovens sobre a dura realidade das pessoas que, assim como ele, são obrigadas a deixarem seus países em meio a guerras.

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Foto: Sarah L. Voisin/The Washington Post

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Como Lual conseguiu se tornar um desenvolvedor de games

Desde cedo, Lual se mostrou muito extrovertido. No campo de refugiados, ainda criança, era ele quem animava as pessoas fazendo apresentações com bonecos ou inventando jogos de cartas. Aos 12 anos de idade, ele pediu à mãe um notebook de presente. Mas como seria possível se eles não tinham dinheiro nem para comer?

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Foto: Arquivo pessoal

Durante três anos, Nyantet Daruka trabalhou confeccionando roupas e juntou o dinheiro para lhe dar o presente. “Ele chorou ao receber o presente”, disse ela. Começava ali uma nova história para ele.

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Lual criou jogo de cartas para entreter amigos no campo de refugiados. Foto: Arquivo pessoal

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Lual se esforçou para aprender sozinho a mexer no computador e andava três horas por dia para conseguir carregar a bateria em um cybercafé. Ele aprendeu a falar inglês e a usar programas de design, tornando-se proficiente em programação assistindo a tutoriais em um disquete.

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Ao chegar nos Estados Unidos, Lual Mayen conseguiu aperfeiçoar e divulgar o jogo e graças a esse trabalho já recebeu convites de várias instituições e realizou trabalhos para grandes corporações americanas. Atualmente, ele está trabalhando para lançar seu jogo através de vários patrocínios e parcerias, incluindo uma com o jogador de basquete da NBA, Luol Deng, que também é do Sudão do Sul.

Lual também está a caminho de reencontrar sua família. Em breve, todos devem ir morar no Canadá e este é o maior projeto dele no momento.

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Fonte: The Washington Post/Fotos destacada: Sarah L. Voisin/The Washington Post

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