Filha faz homenagem ao pai que sempre cuidou da família e havia deixando seus sonhos para trás

É incrível como nossas vidas podem mudar conforme os anos passam, não é mesmo? Quem postou esta homenagem foi Francielle Silvano Cardozo e nós achamos tão linda que decidimos compartilhar também. Ela disse que lembra exatamente de um jantar em família que a marcou muito, quando ela perguntou para seus pais e sua irmã, quais eram seus sonhos.

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Nesta época sua mãe, Janete, só tinha estudado até o primário e praticamente só sabia ler e escrever, mas ela disse que seu sonho era ser professora. Seu pai, Manoel, que era torneiro mecânico, disse que queria trabalhar com uma coisa que não deixasse suas mãos cheias de graxa e sua irmã, Mislaine, disse que queria casar, ter um filho e um cachorro.

Os anos se passaram e na mesma época que Francielle entrou na faculdade, sua mãe, que havia acabado de terminar o ensino médio, também passou. Ela cursou Ciências Biológicas, hoje tem 2 pós-graduações e é professora há 20 anos. Sua irmã, que também fez faculdade de biologia e é pós-graduada, hoje é casada, tem um filho e apesar de não ter um cachorro, vive ajudando os cachorros abandonados na rua.

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Seu pai, continuou no mesmo emprego, para poder realizar os sonhos de sua esposa e das duas filhas e a frase mais dita na sua casa era: “O pai dá um jeito”. Até que ele teve um infarto e a família achou que ele poderia morrer e por isso Francielle chegou a perguntar se havia alguma coisa que ele ainda gostaria de fazer. Ele disse que sim, que queria terminar seus estudos e fazer faculdade.

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Depois de uma cirurgia bem sucedida, enquanto ainda estava no período pós-operatório, realizou uma prova super concorrida para concluir o ensino médio, o ENCCEJA, que possui 4 provas e mais a redação e somente 100 mil pessoas passam, sendo que mais de 500 mil são inscritas.  Agora, Francielle diz que ele entrou na faculdade e que vai cursar Letras, na Unesc – Universidade do Extremo Sul Catarinense e que nada mais justo do que elas dizerem: “Agora é a nossa vez de dizer! Vai, nós damos um jeito”!

Mais uma prova de que, não importa o quanto um sonho pareça distante, nunca desista dele. A gente pode e deve sonhar alto.

Leia o texto na íntegra (o texto original pode ser lido aqui):

“Há muitos anos atrás, numa janta, perguntei para o pai, a mãe e a Laine quais eram seus sonhos.
A mãe tinha o primário na época, praticamente só sabia ler e escrever, ela disse que queria ser professora.
O pai tinha até a quinta série, era torneiro mecânico, disse que sonhava em ter um emprego que fosse limpinho, sem graxa.
A Laine era pequenina, queria ter um marido, um filho e um cachorro.
Essa conversa provocou lágrimas.
Minha mãe fez supletivo público do ensino fundamental, fez o ensino médio na escola pública normal, na mesma época que eu, passou em dois vestibulares, cursou Ciências Biológicas, tem duas pós graduações.
Ela é professora há 20 anos.
Minha irmã também se formou professora de biologia e é pós-graduada. Casou, tem um marido, um filho do coração, só falta o cachorro (apesar de que ela vive pegando os da rua e deixando na casa do pai, do sogro, hehe, anda com ração e água no carro alimentando os bichinhos).
Eu não lembro qual era meu sonho, mas sei que vivi mais coisas e cheguei onde jamais havia sonhado.
O pai ficou na graxa pra gente poder realizar todos os nossos sonhos. A frase de sempre foi:
_ Vai, o pai da um jeito.
As vezes era um jeito meio torto, mas dava certo.
Aí veio o infarto e uma outra conversa, um pouco difícil, que eu disfarcei o possível pra parecer natural:
_ Pai, o pai tem alguma pendência, alguém que queira falar, algo que queira fazer, algum perdão a pedir ou a dar?
E a resposta :
_ Olha filha, não, tá tudo certo. Vocês estão todas bem encaminhadas, a mãe se vira bem também. Nada pendente, só que tem algumas coisas boas que eu ainda quero fazer.
Cirurgia…
Recuperação sofrida, porém rápida.
E a prova do ENCCEJA para conclusão do ensino médio (fundamental concluiu no CEJA) no periodo pós-operatório.
Ele não abriu mão de fazer, o dia inteiro, quatro provas e redação.
Nossos corações apertados.
500 mil brasileiros inscritos.
100 mil passaram.
Ele passou.
Agora chegou a nossa vez de dizer:
_Vai, nós damos um jeito! ”

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Fotos: reprodução Facebook / Francielle Silvano Cardozo

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