Filho de Susan Sarandon usa vestido e ela acha ótimo

Além de talentosa, simpática, inteligente e inspiradora, Susan Sarandon é uma defensora da causa LGBT. Aos 68 anos, ela é ativista na ONG The Trevor Project, que trabalha para auxiliar jovens LGBT em situações vulneráveis.

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Durante um evento para arrecadar fundos para a organização, ela aproveitou para fazer uma sincera declaração pessoal:  “Meu filho Miles é músico e DJ, e às vezes, quando a banda dele se apresenta, eles todos usam vestidos, e ele tem cabelo comprido. Acho que quanto mais cores de lápis de cor você tiver para pintar fora dos contornos, mais excitantes as coisas são”.

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Em uma entrevista recente a Oprah Winfrey, ela diz estar “felicíssima com a fluidez de gênero que está acontecendo” na sociedade atual. “Acho que quando todas as ‘caixinhas’ desaparecerem, tudo vai ser muito mais interessante, e as pessoas vão gastar muito menos energia com essas ‘caixinhas’. Nós vamos poder nos concentrar com quem aquela pessoa é de verdade”, afirmou.

Ainda nessa entrevista, ela confessou: “Eu sempre soube o que tinha que fazer por minha filha para que ela tivesse uma oportunidade de se sair bem no mundo… Mas o problema de socialização para os rapazes é tão implacável. Ter dois filhos fez com que eu percebesse isso muito mais. Rapazes não podem ter sentimentos e não podem chorar… Tudo isso é arrancado deles. Simplesmente não é justo dizer para os garotos que eles não podem ser assim.”

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Claro que ao falar essas verdades vividas por tantos, ela causou grande identificação e comoção. Seu filho, após ver tanto falatório sobre isso escreveu um grande texto para o site Huffington Post, que replicamos na íntegra aqui para vocês:

“Foi muito estranho ver o comentário que minha mãe fez sobre eu usar vestidos com minha banda aparecer em todo tipo de publicações na Internet de todo país (junto de fotos de nós dois que eu não sabia que existiam). Eu não sei por que ninguém se importou em escutar o que eu tenho a dizer, já que estavam prontos para escrever algo sensacionalista sobre os vestidos que eu uso tomando por base uma única frase, mas, caso isso torne-se ainda mais sensacionalista, eu gostaria de apenas dizer o seguinte: é mesmo tão estranho que um cara use um vestido?

Tantas, tantas, mas tantas pessoas, especialmente músicos, já fizeram isso antes de mim. Eu uso vestidos no palco e em alguns eventos ocasionais que exigem roupas mais finas, porque eu não gosto de usar gravatas. Eu uso vestidos para incorporar meu feminino (adjetivo) mas não para redesignar meu gênero para o feminino (substantivo). Acho que é absurdo considerar que haja uma rigidez na identidade de homens e mulheres cis e heterossexuais – que um homem que use um vestido ou uma mulher que use calças significa que obrigatoriamente são LGBTQ. Claro que eu não quero pegar no pé da comunidade trans, porque eu acho que eles são incrivelmente corajosos, e eu sequer posso imaginar como deve ser difícil nascer no corpo errado – especialmente nessa era em que a Internet é capaz de bullying implacável e brutal. Eu gostaria que o gênero não tivesse que ser definido em documentos públicos como carteiras de motorista, passaportes etc… Esse é o tipo de pressão que a sociedade joga nas pessoas trans. Fiquei muito incomodado quando um ex-colega de trabalho me enviou um artigo sobre isso, porque eu não mereço uma discussão sobre minha identidade de gênero. Eu não tenho que lutar com minha identidade de gênero. Eu me sinto mais homem que mulher. E sou heterossexual na maior parte do tempo (e branco pra caralho!).

Isso dito, é tão difícil distinguir entre “feminino” e “masculino” como adjetivos e “feminino” e “masculino” como substantivos? Não é razoável que uma mulher incorpore o masculino (como, por exemplo, mulheres atletas) ou que homens incorporem o feminino (como homens que são designers de joias)? Eu não me identifico como LGBT, mas não acho que sequer chego perto de ser o hétero mais tradicional da cidade. Eu não gosto muito de assistir jogos de futebol americano, gosto muito de bichinhos, cozinho o tempo todo, gosto de escutar Joanna Newsom, sei costurar, e já assistir o reality show da VH1 Daisy of Love seis vezes do começo ao fim. Meus amigos ficam surpresos que eu goste tanto de hockey. Quanto a minha sexualidade, eu nunca transei com um homem, mas já beijei alguns. O que realmente acende minhas… partes… são mulheres. Mas eu desenvolvi uma atração que acendia minhas partes íntimas pelo agente Dale Cooper (enquanto assistia a Twin Peaks na cama com minha namorada). O que eu quero dizer é que, não, eu não sou LGBTQ, mas eu me identifico com o conceito de se permitir ter interesses por qualquer coisa que desperte seu interesse, mesmo que isso vá contra o que o mundo externo a seu redor lhe incentiva a buscar. Se você nasceu numa família de caçadores e quer compor músicas sobre Meu Pequeno Pônei, você deve fazê-lo. Se você nasceu numa comunidade hippie e quer ser um lutador do UFC… vá em frente”.

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Fonte: LadoBi

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