Germana fundou uma associação para apoiar crianças com microcefalia. Conheça a história dela

Na União de Mães de Anjos (UMA), Germana Soares, de Recife (PE), se uniu a outras mães de criança com microcefalia, como seu filho, Guilherme. Elas se ajudam e oferecem apoio às famílias de mais de 400 pequenos na mesma situação.

“Quando meu filho nasceu e os exames confirmaram a síndrome congênita do zika vírus, eu e o pai dele decidimos não contar a ninguém. Guilherme não aparentava microcefalia, e eu não queria que olhassem para ele como inferior. Prometi a mim mesma que faria tudo para ele evoluir.

Quando meu filho estava com 20 dias, passei a levá-lo de segunda a sexta ao hospital. Foram quinze meses acordando às 3h20 da manhã e voltando às 20h porque era preciso esperar os outros pacientes – usávamos um transporte oferecido pela prefeitura da cidade onde eu morava, perto da capital.

“A associação nos deu tanta força que até perdi a conta das nossas conquistas.”

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Logo no início, fiz amizade com outra mãe de criança com microcefalia, a Gleice. Criamos um grupo no WhatsApp com mais seis mães. Diante da omissão do Estado, de precisar largar o trabalho para conseguir cuidar do filho, do abandono dos parceiros, fortalecíamos umas às outras.

Em dois meses, já éramos 200 mães. Para seguir lutando, venci meu próprio preconceito e contei sobre a patologia do Guilherme a todos. Aí assumi de vez a liderança das mães e, em 2015, oficializamos a nossa associação. A União de Mães de Anjos (UMA) contribuiu para a construção de uma rede estadual de apoio a famílias de crianças com microcefalia, conseguiu que a Previdência Social realizasse um mutirão para dar acesso a benefícios, fez parcerias com faculdades para terapias e teve muitas outras conquistas.

Dedico minha vida a fazer com que a UMA funcione, porque é assim que ajudo meu filho e todas as crianças que têm a síndrome.”

Texto: Romy Aikawa
Foto: Américo Nunes
Conteúdo extraído da reportagem “Estamos juntos!”, publicada originalmente na Sorria #72, em março de 2020.

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