Gari que foi vítima de preconceito no trabalho realiza sonho de se formar em Direito em MT

Se uma palavra pudesse resumir a história de vida de Ketlly Cristina da Silva, de Várzea Grande (MT), seria resiliência, isto é, o ato de não se curvar às adversidades do dia a dia.

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A moradora do bairro Hélio Ponce conciliava as mais de 40 horas semanais de trabalho como gari com os estudos na faculdade de Direito, curso no qual se formou recentemente.

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O desafio de trabalhar pesado nunca assustou Ketlly, que já foi vendedora de gelados e repositora de caixas em um supermercado atacadista em Cuiabá.

“Nunca tive medo de trabalho, mas eu queria um que pudesse ter estabilidade. Ainda que outras pessoas dissessem que eu não iria conseguir classificar, fiz o concurso e consegui passar. O trabalho de gari é cansativo, mas não foi empecilho para que eu tivesse a minha renda e que pudesse ajudar em casa”, disse a jovem.

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Foi nesse dia a dia pesado que Ketlly sentiu na pele o preconceito de algumas pessoas contra os trabalhadores dessa profissão. No entanto, nada lhe tirava o foco: o grande sonho dela era se formar na faculdade para prover uma vida melhor ao filho.

“Eu consegui entrar na faculdade por meio do Financiamento Estudantil do Fies, e ainda que eu tenha que pensar que daqui a dois anos terei de pagar essa conta, me sinto com mais disposição ainda”, disse a servidora, que já se prepara para fazer a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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O caminho até o diploma contou com o apoio de diversas pessoas, como o vice-prefeito  do município, José Hazama, e do coordenador da Administração Regional do Cristo Rei, Aluísio de Albuquerque, onde ela está inserida.

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“Em função dos pesos que carreguei nos braços, fui acometida de um problema no ombro, o que me impedia de realizar a função de gari, daí expliquei a questão aos meus superiores, que me tiraram da rua e me colocaram para fazer o atendimento na recepção do prédio. Com essa nova função, tive mais tempo para me dedicar aos estudos. Eles têm a minha admiração, meu respeito e a minha eterna gratidão”, disse Ketlly.

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Para José Hazama, em meio a tantas notícias ruins no dia a dia, especialmente por conta da pandemia, é gratificante ver que uma jovem abraçar as oportunidades e lutar pela realização de um sonho.

“Muitos jovens usam como desculpa a falta de tempo, o trabalho duro, e o comodismo para não estudar, porém ela mostrou que com vontade e perseverança se pode chegar aonde quiser”, disse o gestor.

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Ketlly reforça que, sim, os sonhos podem ser realizados com força de vontade, disciplina e o sacrifício de alguns momentos de lazer em nome dos estudos. Questionada se valeu a pena tamanho sacrifício, a gari afirmou, convicta, que “o caminho às vezes é doloroso, mas que vale a pena quando se tem um ideal”. ✨

Veja também:

Fonte: Primeira Hora
Fotos: Arquivo pessoal

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