Garoto de 11 anos envia carta a juiz que liberou mãe presa para passar últimos dias de vida em casa

Existem pessoas que possuem a capacidade da empatia de forma naturalmente desenvolvida, e saber de histórias como essa nos fazem sempre acreditar que podemos viver em um mundo melhor.

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Foi assim, numa decisão judicial como pano de fundo, que os caminhos do juiz criminal João Marcos Buch e de um menino de 11 anos se cruzaram no início do ano em Joinville.

E o garotinho, que entrava no gabinete do juiz de mãos dadas com a avó, ainda não sabia qual seria o destino da mãe: uma presidiária, doente e algemada numa cama de hospital, mesmo com meio corpo paralisado por uma lesão cerebral. O que avó e neto queriam era uma despedida mais digna para a mãe do menino.

— Inspecionei o hospital, mandei tirar as algemas e concedi prisão domiciliar, para que na alta ela fosse morrer em casa e não no presídio. E morreu em casa — conta Buch.

Longe de ter um final feliz, o drama familiar ao menos pôde ganhar novos capítulos, agora carregados de esperanças nas palavras do próprio menino. Em uma mensagem recente enviada ao juiz pelo Facebook, a criança contou que cresceu vendo os pais fazendo coisas erradas, entre idas e vindas da prisão.

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Mas também comemorou a segunda chance dada ao pai, que saiu da prisão em condicional em dezembro e arrumou um emprego, além de agradecer por ter visto a mãe partir de forma mais digna.

— Um passado que não faz mais parte do meu presente — escreveu.

Sobre o tempo que passaram juntos, a avó do menino que escreveu a carta conta que a criança teve dedicação total à mãe. “Foram à praia, fizeram passeios. Ele dormia num colchão ao lado do sofá só pra cuidar dela, caso ela precisasse de alguma coisa. Deixou até de brincar para cuidar da mãe”, conta. A criança retornou a Joinville, e hoje vive com o irmão sob os cuidados da avó paterna.

Com 20 anos de magistratura, Buch se surpreendeu quando leu a mensagem enviada pelo filho da presa, semanas depois. Na carta, o menino agradece pela decisão de dar “dignidade” à morte da mãe, revela também ser soropositivo e se mostra esperançoso com o futuro.

Para preservar a identidade da criança, os nomes na mensagem foram omitidos.

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Confira a mensagem do menino encaminhado ao juiz:

cartameninovale

Leia a íntegra da carta:

Olá, senhor juiz. Minha avó disse que eu podia deixar um recado aqui, que o senhor ia ver. Tenho 11 anos e sou filho da … Sei que o senhor vai lembrar, sou neto da… e só queria agradecer ao senhor. Cresci vendo meus pais fazendo coisa errada e sendo presos. Por muitas vezes entrei na prisão para visitar meu pai ou minha mãe. Por muitas vezes vi eles ganharem a liberdade e novamente serem presos. Mas hoje esse é um passado que não faz mais parte do meu presente. Quis Deus que meu pai saísse da prisão em dezembro, de condicional e fosse trabalhar. Minha mãe, quis Deus que ela ficasse bem doente e o senhor foi lá soltar. Eu tava segurando a mão da minha vó quando ela foi na sua sala pedir para aquelas moças que alguém fizesse alguma coisa pra minha mãe morrer com dignidade e o senhor fez. Também sou soropositivo, essa escolha não fui eu quem fez, mas tenho direito às próximas. E desde já quero ser um homem honesto. Obrigado, senhor juiz João Marcos.

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Para ler a matéria completa, vá ao site do G1.

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