Guarda de SP acolhe usuários de crack e moradores de rua na própria casa


Guarda de SP acolhe usuários de crack e moradores de rua na própria casa 1
Paulo, acolhido por Marcos em São Paulo, voltou para a casa de sua família (à dir.) no Rio Grande do Sul, onde vive até hoje. Foto: Arquivo Pessoal
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O guarda municipal Marcos de Moraes, de 51 anos, faz muito mais do que só o seu trabalho de patrulha nas ruas do centro de São Paulo.

Em oito anos na GCM, ele já levou 50 usuários de crack e moradores em situação de rua para morar dentro da sua própria casa.

Claudiocir quando morava na rua (à esq.) e quando voltou para a sua família. Foto: Arquivo Pessoal
Claudiocir quando morava na rua (à esq.) e quando voltou para a sua família. Foto: Arquivo Pessoal

“Levo para casa mesmo. Sei que é um número pequeno, mas não me importo com quantidade, e sim com a qualidade. Quando pego um caso, vou até o fim”, disse em entrevista à BBC Brasil.

Moraes usa o Facebook para encontrar as famílias dos moradores em situação de rua. Foi na rede social que o guarda, inclusive, conheceu sua mulher, Karyne Santana Xavier de Moraes, de 29 anos.

O jovem Felipe Furlán quando morava na rua (à esq.) e quando reencontrou sua mãe. Foto: Arquivo Pessoal
O jovem Felipe Furlán quando morava na rua (à esq.) e quando reencontrou sua mãe. Foto: Arquivo Pessoal

“Eu sempre compartilhava as postagens dele e a gente começou a conversar. Nos encontramos, namoramos dois anos e casamos”, contou ela.

Hoje, o casal vive em Mogi das Cruzes com o pedreiro Geraldo Martins, de 63 anos, que foi resgatado quando morava nas ruas de São Bernardo do Campo, também na Grande São Paulo. “Fico com pena e levo para casa”, disse ele.

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Antonio era morador de rua, encontrou a família com a ajuda de Marcos e voltou para a casa no em Barbosa (SP), onde viveu cinco anos e morreu. Foto: Arquivo Pessoal
Antonio era morador de rua, encontrou a família com a ajuda de Marcos e voltou para a casa no em Barbosa (SP), onde viveu cinco anos e morreu. Foto: Arquivo Pessoal

“Eu já ouvi muita gente dizer: “Está com dó, leva para casa”. Esses são os primeiros a apontar, a dizer que eles estão ali [na rua] porque querem”, conta Moraes. “Não é assim. Os moradores de rua merecem no mínimo serem ouvidos, merecem atenção.”

Ele conta que depende da ajuda de muita gente para fazer esse trabalho social, já que ninguém faz nada sozinho. “Não financeiramente. Quando há gastos, são meus.”

Antonio era morador de rua, encontrou a família com a ajuda de Marcos e voltou para a casa no em Barbosa (SP), onde viveu cinco anos e morreu. Foto: Arquivo Pessoal
Antonio era morador de rua, encontrou a família com a ajuda de Marcos e voltou para a casa no em Barbosa (SP), onde viveu cinco anos e morreu. Foto: Arquivo Pessoal

Moraes tem planos de criar uma ONG para ajudar mais moradores em situação de rua. Ele conta com o apoio do comandante da GCM, Gilson Mendes. “Se eu precisar de carro, tenho à disposição. Isso é muito importante.”

“Quando eu preciso fazer uma busca, o computador da guarda está à minha disposição também. Mas eu também faço isso em casa como uma extensão desse trabalho social. Esse é o meu dom”, finaliza.

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