Grafiteira afegã transforma resistência feminina ao Talibã em arte: ‘Quero trazer a mulher para a sociedade’

A arte é uma forma amigável de lutar contra todo tipo de problema“. Assim resume Shamsia Hassani, 33 anos, sobre sua maneira de expressar sua visão de mundo através da arte.

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Shamsia é a primeira grafiteira do Afeganistão, e trabalha com arte de rua há pelo menos uma década, mesma época em que se tornou professora de artes plásticas e desenho na Universidade de Cabul.

grafiteira afegã transforma resistência feminina ao talibã em arte

Nos últimos anos, a artista exibiu sua arte em vários países, incluindo Índia, Irã, Alemanha, Estados Unidos, Suíça, Vietnã, Noruega, Dinamarca, Turquia, Itália, Canadá e em missões diplomáticas na capital afegã. Shamsia pinta grafite em Cabul para chamar a atenção para os anos de guerra.

Mais recentemente, suas pinturas nos fazem refletir sobre o atual momento no Afeganistão, que passa por uma brusca e implacável troca de poder. Infelizmente, não há tendência de progresso no longo prazo: desde 2013, o país é ranqueado como uma das nações mais perigosas do mundo para uma mulher viver (naquele ano, foi o pior).

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Por isso, Shamsia diz que tem como missão levar esperança e inspiração para as pessoas através da sua arte.

“Quis dividir minha arte com as pessoas nas ruas, porque sei que muitas pessoas não podem ir para museus e galerias. Escolhi fazer grafite, porque quero dividir minhas ideias com as pessoas, quero trazer a mulher para a sociedade. As pessoas têm uma ideia muito ruim do Afeganistão e quero mudar essa concepção disso com a minha arte”, explicou a professora, grafiteira e ativista ao portal “The Creators Project”.

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Mas quem é Shamsia Hassani?

Shamsia Hassani nasceu em 1988 e passou a infância no Irã; seus pais haviam imigrado temporariamente para lá durante a guerra civil afegã.

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Desde jovem, ela demonstrava interesse pela pintura. Enquanto estava na nona série, Hassani não tinha acesso às aulas de arte, uma vez que isso não era permitido aos afegãos no Irã.

Grafiteira afegã transforma resistência feminina ao Talibã em arte: 'Quero trazer a mulher para a sociedade' 1

Ao retornar à capital afegã em 2005, ela se formou em Artes na Universidade de Cabul. Shamsia também detém um diploma de Pintura e mestrado em Artes Visuais.

Criando grafites coloridos, a artista trabalha para desmascarar os horrores da guerra. Ela afirma que “a imagem tem mais efeito do que palavras, e é uma forma amigável de lutar.”

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Há cerca de dez anos, ela também usa sua arte para lutar pelos direitos das mulheres, lembrando às pessoas das tragédias que as mulheres enfrentaram e continuam a enfrentar no Afeganistão.

Desde que dominou a arte do grafite, em 2010, Hassani começou a praticar a arte de rua nas paredes das ruas de Cabul. Como o material para grafite é mais barato do que o material para as formas de arte tradicionais, a jovem optou por continuar com a forma de arte.

Uma de suas obras está nas paredes do Centro Cultural de Cabul e apresenta uma mulher vestida de burca sentada abaixo de uma escada. A inscrição abaixo diz (em inglês): “A água pode voltar a um rio seco, mas e os peixes que morreram?”. Para evitar o assédio público e as reclamações de que seu trabalho é “não-islâmico”, ela o conclui rapidamente (em 15 minutos).

Para estudiosos e fãs espalhados pelo mundo, o trabalho de Shamsia dá às mulheres afegãs um rosto diferente – um rosto com poder, ambições e vontade de atingir objetivos.

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Fonte: Vogue
Fotos: Reprodução / Instagram: @shamsiahassani

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