“Tive um encontro com a morte”: Homem relata como sua vida mudou ao salvar a vida de um idoso

A maneira que Lucas Felix, do Rio de Janeiro, enxerga a vida mudou completamente depois do que ele vivenciou na última sexta-feira, ao salvar a vida de um idoso.Ele compartilhou o relato em um post no Facebook.

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Lucas estava no ônibus e se assustou ao ouvir alguns gritos. A primeira coisa que pensou era que se tratava de um assalto, mas o ônibus parou e abriu a porta para que os passageiros trocassem de condução.

Lucas começou a ouvir frases como “Imbecil, não sabe se segurar no ônibus..”, “parece que nunca andou de ônibus na vida, agora vai atrasar todo mundo..”, e ficou curioso para saber o que tinha acontecido.

Ele caminhou  até o final do ônibus para descobrir do que se tratava. “Olhei pro chão e vi sangue, MUITO sangue! Era um senhor de 77 anos que dormiu e, numa curva, foi lançado para o outro lado do ônibus e abriu a cabeça de uma forma que eu nunca vi na minha vida”, contou.

Lucas se aproximou dele e tentou ajudar.

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“Comecei a prestar o socorro hollywood, que aprendi em filmes. Eu estanquei o sangramento com uma camisa e o coloquei sentado no banco. Fiquei conversando com ele para que ele ficasse acordado”, contou.

Ele então pediu para Célia, uma mulher que também estava no ônibus, para ligar para a ambulância. O Samu estava indisponível e os bombeiros negaram socorro, pois não tinham permissão para entrar no terminal.

Enquanto Lucas ficava com o Antônio no ônibus, a Célia estava lá fora, desesperada, tentando achar alguma solução. E foi aí que aconteceu. Em meio a delírios, o seu Antonio deu um suspiro e soltou todo o ar que lhe restava.

“E ali estava eu e ela, frente a frente, a morte… Ela tem olhos cinzentos, sem cor, é sufocante, silenciosa e intensa. Nunca vi nada parecido. Comecei a orar e declarar vida de Jesus sobre o Antônio e, ao mesmo tempo, a bater no vidro e dizer que ele ia morrer se ninguém fizesse nada”, disse.

Mas Lucas percebeu que ele ainda tinha respiração. Mesmo fraca e muito demorada, era alguma coisa. Ele ainda estava vivo!

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O motorista entrou correndo no ônibus com mais dois funcionários da companhia de ônibus, em direção ao hospital, quebrando o protocolo da empresa.

“Quando cogitei isso, um dos funcionários me disse que o motorista perderia o emprego caso tomasse essa atitude”, disse.

Chegando lá, os funcionários e a Célia correram pro o hospital para pedir uma maca. Nesse tempo, muitas pessoas passavam e olhavam com cara de nojo.

Só uma pessoa largou tudo o que tinha em mãos pra ajudar. Um camelô, um vendedor de rua, um pessoa que precisava muito mais que os outros para ter dinheiro.

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Ele largou as mercadorias dele no chão e subiu para ajudar o Lucas. A maca chegou e ele carregou o seu Antonio até a saída do ônibus, e ainda desacordado, ele entrou no hospital e recebeu todo o atendimento necessário.

O final do relato de Lucas nos faz refletir e pararmos para pensar se estamos nos preocupando com o que realmente importa.

“Eu não estou contando essa historia pra ser heroi, pra denegrir a imagem de alguma empresa e muito menos pra expor pessoas. Estou aqui pra fazer você pensar. Pensar em qual personagem da historia você é? Lucas? Célia? Passageiro do ônibus? Funcionários do ônibus? Pessoas que passavam na rua? O guarda de trânsito?

E agora, o mais importante, quem é o seu Antônio? Sua família, que não te vê em casa porque você só pensa em dinheiro ou em outras coisas? Sua família que você deixa em casa pra curtir a vida com uma mulher que vai te sugar e te largar quando você tiver velho? Sua saúde que não está sendo bem cuidada pois você não abre mão de passar quatro horas extras no trabalho pra agradar seu chefinho e ganhar aquela promoção que nunca chega e não consegue tirar uma hora pra se cuidar?

Seus sonhos que você não faz nada porque não consegue acreditar neles por serem grandes demais?

Quem você tem deixado sangrar até morrer?

Você tem uma vida, uma chance de viver, uma chance de dar o seu melhor pro mundo e ser alguém marcante pras pessoas que realmente importam.”

Fotos: Reprodução Facebook

[Nota da Redação]

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