Após 20 anos de vícios, homem que perdeu tudo cria app que ajuda dependentes químicos

Foram quase duas décadas lutando contra a dependência química até o empresário Christian Montgomery derrotar o vício – vitória que ele atribui à esposa e sua filha, que o ajudaram a “se reconstruir como pessoa”, como ele mesmo conta.

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Hoje, sem apresentar recaídas há cerca de três meses (tendo ficado sóbrio por 3 anos ininterruptos), ele trocou o bar e a empresa de eventos que tinha por uma academia de jiu-jitsu e o desenvolvimento de um aplicativo que traz acolhimento para dependentes químicos.

O caminho até a sobriedade e o equilíbrio familiar, no entanto, foi conquistado após muita luta.

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Primeiro contato com drogas

Christian conta que começou a beber e fumar com 15 anos. Aos 17, já experimentava cocaína e ecstasy, drogas sintéticas e psicotrópicas (que atuam no sistema nervoso central e altera a função cerebral) e podem causar dependência.

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Já adulto, continuou sustentando o vício, mesmo depois de se casar com Juliana Bianco. “Minha mulher até sabia mas achava que meu uso era controlado. Talvez ela não visse problema porque eu tinha meu trabalho, ambições, e um dia pararia de usar”, contou Christian.

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“A mãe dos meus filhos”

Eles se conheceram por amigos em comum. “Um dia ela me enviou uma mensagem pedindo ajuda para marcar uma consulta com meu pai, médico ginecologista. Aproveitei a deixa e a chamei para sair. Fomos a um restaurante, depois para uma boate. Naquele primeiro encontro eu senti que ela era especial. Apresentava Ju aos meus amigos como ‘a mãe dos meus filhos’”, relembrou o empresário.

O pedido de namoro foi inusitado: tímido que só ele, Christian aproveitou uma viagem que Ju fez com a família pro exterior para pedi-la em namoro através do Facebook. “Troquei meu status de relacionamento. Ela gostou da iniciativa. Em seis meses estávamos morando juntos e nos casamos um ano e meio depois”.

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Infelizmente, o matrimônio não impediu o empresário de continuar bebendo e usando drogas, apesar dele ter diminuído a frequência: agora, era “apenas” aos fins de semana.

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“Perdi o controle”

Para ele, sua dependência era “cruzada”, pois o álcool o levava à cocaína e a mistura de tudo ‘prolongava’ os efeitos. Esse coquetel vicioso o fez perder o controle no primeiro ano  de casado. “Eu descontava meus problemas pessoais na bebida e a piora no vício veio rápido demais. Meu alcoolismo era do tipo compulsivo, não conseguia parar quando começava. Podia passar seis dias seguidos bebendo”.

Apesar dos descontroles do marido, Juliana sabia do caráter do marido e jamais pensou em desistir dele.

Na época, Christian era dono de um bar e de uma empresa de eventos – negócios que facilitavam (e muito) seu contato com o álcool. Ele passava dias “fora do ar” devido ao vício, incapaz de administrar os empreendimentos.

Não demorou muito para ele se afundar financeiramente. Nessa mesma época, Juliana ficou grávida. “Sentia medo de não me tornar um bom pai“, contou Christian.

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Da depressão à reabilitação

Dali mais alguns meses, nascia a pequena Valentina. Paradoxalmente, o primeiro ano após o nascimento da sua filha foi um dos mais difíceis para o pai.

“Eu entrei em um buraco. Comecei a ter problemas de saúde (infecções sérias e dois princípios de overdose), estava visivelmente acabado. Eu me isolava da família e amigos no meu escritório por vários dias me drogando. Era um suicídio lento”, lamentou Christian.

Juliana já não suportava mais a ideia de ver o próprio marido se drogando dentro de casa. Ela insistia em sua internação, mas ele rejeitava.

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Brigas e discussões passaram a ser cada vez mais comuns, e após alguns meses, Christian foi diagnosticado com depressão. “Sentia estar próximo de morrer. No fundo, ela estava ficando doente também. Ju então me deu o ultimato: ‘Se você não se internar, amanhã nós vamos embora’”, relembrou o empresário.

Processo de internação

A internação em uma pequena clínica psiquiátrica ocorreu em 2018, de maneira voluntária.

No entanto, muitos pacientes chegavam literalmente amarrados. “Vi muita gente chegando assim. Na época, aceitavam-se internações compulsórias. Pacientes berravam à noite. Não podia entrar com cadarço nos tênis para evitar suicídio”, lembrou Christian.

Durante o tratamento, ele estava tão fora da realidade que a ajuda recebida ali serviu para clarear sua mente, conforme ele conta.

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Juliana e Valentina o visitavam em dias alternados, para que o marido e pai jamais se sentisse sozinho. “Minha filha não entendia nada, dizíamos que era onde eu trabalhava. Ju saía chorando porque era um lugar assustador, mas estava feliz”.

Sem recaídas há meses

O processo de reabilitação de Christian foi concluído em casa, com o auxílio de um enfermeiro e de Juliana, que lembrava o esposo de tomar 12 remédios prescritos.

“Mesmo na função de ‘babá’, ela cuidava de mim se sentindo realizada. Era uma luz no fim do túnel”.

Antes de mais nada, Juliana foi uma mulher muito forte. “Até hoje não sei como aguentou ficar ao meu lado. Ela é bonita, conseguiria o homem que quisesse, mas escolheu não me deixar. Passou a gravidez praticamente sozinha”, lamentou Christian.

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Sua esposa também sempre foi uma mulher religiosa, que acreditava em uma força maior e que as coisas melhorariam. Além disso, não queria que a filha crescesse sem o próprio pai.

E de fato, as coisas melhoraram sim – e muito. Christian está livre do vício e trouxe estabilidade e equilíbrio em seu convívio familiar.

“Nunca mais pisei em um bar. Graças à minha esposa e minha filha, pude me reconstruir como pessoa e troquei de carreira”, comemorou o empresário, que hoje até planeja ter outro filho.

“Nossa vida agora é boa. Dou valor às coisas simples que não fazíamos, como nos reunir à mesa para jantar, levar Valentina ao parque para passear e colocá-la na cama”, completou.

Aplicativo

Vitorioso em sua luta contra a dependência química e psicológica, Christian decidiu criar um aplicativo gratuito para ajudar pessoas que batalham contra o vício.

O app, batizado de Anonymo, oferece desde exercícios práticos até mensagens diárias de motivação aos dependentes, com reuniões virtuais semelhantes às do AA (Alcoólicos Anônimos) ou NA (Narcóticos Anônimos).

Mais: a plataforma foi criada para atender um público diversificado e que sofre com todos os tipos de dependência, incluindo aqui também vícios em relacionamentos tóxicos, jogos, sexo e comida em excesso.

Em suma, o programa busca criar uma comunidade colaborativa e digital de dependentes que se ajudam diariamente. Tudo isso de forma sigilosa e anônima. “O Anonymo vem para ajudar seus usuários a superarem suas dificuldades diárias. Além de oferecer todos os dias doses personalizadas de motivação, o sistema também proporciona acesso a exercícios práticos, baseados no princípio de reuniões digitais, também diárias, que fortalecem ainda mais o autotratamento”, esclarece Christian.

Clique aqui para saber mais sobre o aplicativo.

 

Fotos: Arquivo pessoal

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