Idosa que era carregada por motorista ganha cadeira de rodas

Após a grande repercussão da história de um motorista de ônibus que carregava uma idosa deficiente todos os dias há mais de dez anos em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, a idosa, que não tinha uma cadeira de rodas para se locomover, finalmente ganhou uma.

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“Só de lembrarem de mim fico muito feliz!”, diz Maria Gonçalves Cunha, ou simplesmente Marinha, como gosta de ser chamada, sobre o momento em que descobriu que ganharia a cadeira. Com informações do BHAZ.

Ivette Macedo, do projeto social Lacre do Bem, foi a responsável pela entrega da cadeira de rodas.

“Fiquei sabendo da história após a reportagem do BHAZ. E, na hora, minha intenção foi de resolver o problema o mais rápido possível. Fiquei muito feliz e emocionada em atender a esse pedido”, disse Ivette.

Entrega da cadeira de rodas

A entrega foi feita na banca de revistas de Dona Marinha, na Cidade Industrial, município de Contagem. Assim que Ivette chegou com o presente, Dona Marinha ficou bastante emocionada, chorou e agradeceu a doação.

“Ela chamou os amigos para ver a cadeira, me agradeceu, ficou muito feliz. E eu fiquei muito mais!”, disse Ivette. “Fiquei muito contente! Agradeço a Deus por ter colocado pessoas boas em meu caminho”, falou Dona Marinha.

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Idosa que era carregada por motorista ganha cadeira de rodas
Ivette encontra Dona Matinha seus amigos Paulo César e Eustáquio (Lacre do Bem/Divulgação)

Vítima de paralisia infantil e meningite ainda criança, Dona Marinha, que hoje tem 78 anos, perdeu o movimento das pernas. Sem a cadeira de rodas, ela conta, tudo era ainda mais difícil do que deveria. No entanto, a idosa trabalha todos os dias, à exceção dos domingos, das 8 às 20 horas, em sua banquinha de jornais e revistas.

Gratidão

O motorista de ônibus que ajudou Dona Marinha por mais de dez anos, Seu Alcides Tabelini, ficou muito feliz pela doação da cadeira de rodas. Alcides pegava a idosa no colo todos os dias e a colocava sentada dentro do ônibus.

Quando o ônibus chegava na banca, ele pegava novamente Dona Marinha no colo e a deixava em seu destino. Pela ajuda, o “pagamento” que o motorista recebia era um beijo no rosto. A rotina se repetiu todos os dias por uma década. Dona Marinha “é só gratidão por tudo o que o Seu Alcides fez por ela”.

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“Ele é tudo na minha vida, um filho mesmo, amo de todo meu coração”, disse. A idosa diz que mesmo agora com a cadeira de rodas não irá dispensar a ajuda de Alcides. “Ele continua me carregando, porque ainda preciso, mesmo com a cadeira”.

Alcides conta que sua amizade com Marinha é de longa data: “Comecei a carregá-la há mais de 10 anos. O irmão dela que ajudava, mas ele ficou doente e não conseguiu mais estar presente. Faço com a maior boa vontade, porque sei que ela precisa e é uma boa pessoa”, relata.

Sua maior preocupação atualmente é para com a acessibilidade de Dona Marinha no futuro, já que ele está prestes a se aposentar. “Eu não tinha condições de dar uma cadeira de rodas. Então, eu tentei ajudar de outras formas. Até meu lanche eu divido com ela, pois sei como é a situação”, completa.

“Lacre do Bem” leva solidariedade para quem mais precisa

Criada em 2013, a campanha “Lacre do Bem” tem por objetivo “doar cadeiras de rodas novas para pessoa carentes ou para instituições que atendam a esse público.”

De modo a conseguir dinheiro suficiente para adquirir uma cadeira de rodas, a campanha arrecada lacres de latas de alumínio, que são em seguida vendidas para empresas e cooperativas de reciclagem da região.

A iniciativa foi idealizada por Julia Macedo, quando ela tinha apenas nove anos. Cinco anos depois, Julia agora é adolescente, e tem 14 anos. Sua primeira doação de uma cadeira de rodas foi para uma creche de Belo Horizonte, onde ela recebeu um origami em agradecimento.

Bastante sensibilizada pelo resulto de sua boa ação, Julia resolveu continuar a campanha, juntando mais lacres para adquirir outra cadeira. Sua atitude transformou-se em uma grande rede de altruísmo, envolvendo a escola e a comunidade onde ela vive, na região metropolitana de BH.

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São necessários o equivalente a 105 quilos de lacres doados, ou 140 garrafas PET de dois litros cheias para que a campanha consiga adquirir uma cadeira de rodas nova.

Em cinco anos, desde o pontapé inicial da campanha, já foram doadas quase 400 cadeiras de rodas. Além disso, 37 toneladas de lacres de alumínio foram reciclados com a ajuda da comunidade.

Atualmente o projeto “Lacre do Bem” conta com o auxílio de pessoas, empresas e organizações não-governamentais de todo o país, que ajudam a recolher os lacres das latinhas e, claro, entregar as cadeiras de rodas.

Pontos pelo Brasil

Pelo site oficial da campanha, www.lacredobem.com.br, é possível acessar todos os endereços cadastrados que servem como pontos de coleta de lacres.

São aceitas todos os tipos de doações, inclusive via Correios para o galpão da campanha em Belo Horizonte.

Os interessados em receber uma cadeira de rodas devem preencher um formulário que pode ser acessado no site da campanha.

De acordo com o site, as solicitações são analisadas por uma equipe de assistentes sociais e fisioterapeutas e colocados em uma fila de espera de acordo com a prioridade do caso.

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Fonte: BHAZ

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