Ela venceu o preconceito na faculdade de Moda e hoje é referência

Não é moleza cursar uma faculdade quando você é mais maduro que a maioria dos colegas de turma, devido ao preconceito de idade, ainda mais uma faculdade de Moda, dominada por jovens moderninhos e descolados.

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Num mundo ideal, uma coisa não exclui a outra: modernidade e maturidade podem se dar super bem. Porém, Darlene Martins Nobre viu que a realidade é um pouco diferente dessa que pintamos. Ela tinha 51 anos quando ingressou na faculdade de Moda, no Senac São Paulo, e já era uma costureira das boas.

A paixão pela costura está no seu DNA, uma herança da mãe e da avó. Darlene nasceu em Teresina, no Piauí, onde morou até os 14 anos. Depois, se mudou para São Paulo junto com os pais e os irmãos mais novos.

Darlene trabalhou na área financeira e comercial antes de trabalhar profissionalmente com Moda. A verdade é que ela nunca largou a máquina de costura, mas, durante muitos anos, costurava apenas por hobby, copiando modelagens de revistas de Moda que gostava de folhear.

idosa supera preconceito faculdade moda vira referência

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Depois de um tempo morando em São Paulo, Darlene se mudou para Goiânia. Foi lá que ela conseguiu seu primeiro emprego como costureira, num ateliê de Moda Festa, assim que terminou um curso de modelagem industrial, no Senai, com o título simbólico de melhor aluna!

No retorno para São Paulo, Darlene seguiu sua trajetória profissional trabalhando com modelagem sob medida. Os anos passaram, mas a vontade de aprender habilidades novas e aperfeiçoar habilidades consolidadas faz parte da sua personalidade. Essa vontade foi colocada à prova na faculdade. 

“A princípio, foi bacana. Mas, faculdade, no geral, é formada por jovens. Eu já era bem mais madura, atuava na área há alguns anos, tinha um conhecimento prático que as outras alunas não possuíam. Existia uma certa rivalidade e acredito que sofria bullying na época. Sentia que havia uma disputa da parte delas”, contou Darlene em conversa com o Razões para Acreditar.

“Muitas vezes, falava que elas seriam mais capacitadas que eu quando tivessem minha idade. Porém, isso não era com todas as alunas. Hoje, uma das minhas melhores amigas é da época da faculdade.

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Darlene terminou a graduação em 2014, num momento delicado de sua vida. A irmã dela, uma de suas maiores incentivadoras, morreu quando ela estava perto de apresentar seu TCC. Por sorte, Darlene tinha uma orientadora muito humana, que a ajudou bastante na reta final da faculdade.

Um ano depois, ela fez uma especialização e, atualmente, cursa um mestrado acadêmico. Colocando na ponta do lápis, são quase 10 anos de estudo em sequência, com um pequeno intervalo entre a faculdade e a pós-graduação.

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Nesse tempo, Darlene abriu seu próprio ateliê, onde oferece aulas personalizadas e faz looks para TCCs de estudantes de Moda. Ela também já deu aulas em faculdades e gravou programas de televisão, quando se dedicava aos bordados.

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“Inclusive minhas professoras da graduação vêm dar cursos no ateliê, porque temos uma convivência boa e também porque elas acreditam no espaço que temos aqui”, disse Darlene.

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Ela se sente completamente realizada no ateliê Darlene Nobre, pois tem a oportunidade de compartilhar com jovens estilistas tudo o que aprendeu em 30 anos de carreira.

“Não tenho problema de esconder o que eu sei. O que me interessa é transmitir conhecimento. Acredito que seja vocação de professor. Às vezes, a aula acaba, e não me dou conta de que a aula acabou. Gosto de ver a pessoa feliz. Quero que ela saia satisfeita”, afirmou Darlene.

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crédito das fotos: Reprodução/Facebook Darlene Nobre-Atelier

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