Idoso diagnosticado com demência comanda orquestra sinfônica aos 81 anos: ‘Foi mágico pra mim’

Um pianista de 81 anos que sofre de demência desafiou seu diagnóstico para realizar o sonho de uma vida: reger uma orquestra sinfônica que tocava suas próprias canções.

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Paul Harvey se tornou conhecido nas redes sociais em setembro do ano passado, depois que seu filho Nick o gravou improvisando uma peça musical de dois minutos com quatro notas – Fá natural, Lá, Ré e B natural – e postou a filmagem no Twitter, onde rapidamente viralizou.

Nick postou o vídeo para mostrar como a habilidade musical pode sobreviver à perda de memória. Meses depois, Paul conquistou o coração dos britânicos ao tocar piano ao vivo para uma emissora de TV a partir de sua casa, em Sussex.

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Na ocasião, a canção foi gravada pela Orquestra Filarmônica da BBC como single, com arrecadação revertida para a “Alzheimer’s Society and Music for Dementia”, que faz campanha para que pessoas com a doença tenham acesso gratuito à música como parte de seus cuidados.

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Para marcar um ano desde que tocou sua composição na TV, Paul foi convidado para reger a Orquestra Filarmônica da BBC outra vez, agora tocando duas de suas próprias composições.

Ele passou uma tarde emocionante com a orquestra, durante a qual regeu a composição “Four Notes”, enquanto seu filho Nick tocava piano, e uma composição mais antiga sua chamada “Where’s the Sunshine” (Onde está a Luz do Sol, em tradução livre).

Confira abaixo:

Paul, um ex-professor de música e pianista clássico, disse após a apresentação: “Foi mágico, foi muito, muito especial trabalhar com músicos tão maravilhosos. Isso me fez sentir vivo, eu não conseguia acreditar que uma orquestra tocaria minha música e eu estava em frente a ela regendo. Eu não regia há tanto tempo antes disso, foi uma grande emoção”.

O pianista aposentado nasceu em Stoke-on-Trent e estudou piano na faculdade ‘Guildhall School of Music’. Ele se tornou um compositor e um pianista de concerto, aparecendo em shows promovidos pela BBC em 1964.

A decisão de se tornar professor de música veio pouco antes de seu filho mais velho, Nick, nascer.

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Décadas depois, em 2016, Paul mudou-se para uma casa de repouso especializada após ser diagnosticado com demência – termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo de doenças que causam um declínio progressivo da mente.

A demência causa perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

Nick, que se juntou ao pai na viagem mais recente – organizada pela ONG “Music For Dementia” – disse que viu ele “voltar à vida” desde que o vídeo dele tocando piano se tornou viral.

E ele apoiou os apelos para que a música fosse uma parte fundamental do cuidado de quem sofre de demência. “Tocar comoveu meu pai, eu e meus dois irmãos incomparavelmente. Foi um sonho que se tornou realidade para meu pai reger e tocar com uma orquestra desse calibre aos 81 anos. É disso que os sonhos são feitos”, afirmou.

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“Foi como uma experiência fora do corpo. Meu pai ainda está se recuperando, ele estava tendo lembranças do que tinha acontecido nos últimos dias. Sua memória de curto prazo geralmente é despedaçada, mas quando grandes eventos como este acontecem, é como um ferro em brasa em seu cérebro”, complementou.

Em entrevista para a BBC, ele também afirmou que a música transforma a mentalidade do pai.

“Pela minha experiência com meu pai, a música certa na hora certa pode ser absolutamente incrível. Mas você não precisa ser um músico talentoso para se divertir. Só de ouvir música, começa a desencadear memórias do passado e dá às pessoas essa conexão. Papai estava tendo um dia particularmente ruim na época. Foi fascinante como colocar o pai ao piano naquela época o trouxe de volta para mim”, relembrou.

“Pela primeira vez em anos, ele voltou à ativa. Isso realmente o trouxe de volta à vida. Ele está tocando piano mais do que em oito anos”.

Grace Meadows, diretora de campanha da Music for Dementia, que patrocinou o concerto, disse: “Foi algo mágico, comovente e maravilhoso vê-lo estar em seu elemento. Ver Paul enxergando além do diagnóstico e ter o contato com os músicos foi uma coisa maravilhosa. Foi muito emocionante”, concluiu.

Assista ao vídeo:

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Fonte: The Times UK
Fotos: SWNS / Reprodução

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