Há 15 anos, vice-presidente do Instituto Ayrton Senna dá aulas de inglês de graça para jovens carentes

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Até onde a educação pode nos levar? Para Emílio Munaro, esse horizonte é gigante. A educação tem o poder de dar acesso a um mundo novo. Foi através do conhecimento que ele saiu de uma realidade muito pobre para os mais altos cargos de executivo no Brasil. Mas ele nunca esqueceu a realidade de onde veio. Depois de receber ajuda quando era criança, hoje ele dá aulas de inglês de graça para jovens carentes.

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Quando criança, Emílio e sua família moravam de aluguel e como os pais não tinham o dinheiro para pagar o aluguel, eles tinham que mudar de casa todos os anos. Foi isso o que obrigou o jovem a mudar de escola nove vezes durante a sua formação básica. “Nós éramos muito, muito pobres”, contou.

Ainda quando era adolescente, Munaro ganhou uma bolsa para estudar inglês em uma escola de idiomas por causa do seu rendimento em uma das nove escolas pelas quais passou. Isso lhe deu uma base para ele alcançar muitos dos seus objetivos, lhe abriu as portas.

Alunos em sala de aula com professor fazendo selfie
Emílio dá aulas de inglês de graça há 15 anos. Foto: Arquivo pessoal

E depois de se tornar um grande executivo, ele recebeu um convite para dar aulas de inglês de graça para crianças e jovens pobres. Era a chance de retribuir o que fizeram por ele quando criança. Já são 15 anos dando aula de inglês de graça para crianças e jovens carentes em situação de vulnerabilidade.

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Isso mudou minha vida, me fez ver outra perspectiva, ver que se dermos oportunidade, o aluno consegue se desenvolver”, avaliou. E hoje ele já tem aluno empregado num dos maiores bancos no mundo. “Foi graças ao esforço dele e à minha insistência de incutir na mente dele que ele podia. Isso me enche de orgulho”.

Emílio perdeu pai e irmão assassinados pelo mesmo bandido em anos diferentes e projeto foi o que o salvou

Esse capítulo dos 51 anos de vida de Emílio Munaro é uma história muito triste e uma trágica coincidência. O irmão mais novo dele foi morto durante um assalto e, três anos depois, o mesmo assaltante sequestrou e matou o pai de Emílio. Os casos não têm relação nenhuma, foi um acaso.

“Eu tinha tudo para ir embora desse país, mas eu acreditei que seria possível sim fazer algo diferente por esse país, por isso que eu decidi ficar fazendo o que eu sei de melhor, que é ser um executivo, mas em prol da educação pública brasileira”, disse.

Alunos em sala de aula com professor fazendo selfie
Projeto de aulas gratuitas para jovens carentes fez Emílio permanecer no Brasil. Foto: Arquivo pessoal

Emílio enfrentou dificuldades para estudar, mas colheu os frutos

Mesmo com toda a dificuldade para se adaptar a cada nova rotina escolar, ele literalmente aprendeu que o caminho para mudar a sua realidade seria a educação. “Eu sabia que a educação era a ferramenta que eu teria para transformar a minha vida, e eu estudei”, disse.

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Mas não bastava vontade. Como estudar em meio a uma situação tão difícil? Os próprios pais não incentivavam o estudo e, mesmo assim, Emílio era sempre o melhor aluno da turma por cada escola que passava.

Várias pessoas posando para foto
Emílio se reencontrou depois de 40 anos com a turma do Ensino Fundamental da escola que ele conseguiu passar mais tempo. Foto: Arquivo pessoal

Mais do que estudar, eu desenvolvi quais eram as competências socioemocionais que eu precisava ter. Eu me tornei uma pessoa altamente resiliente, então eu sabia lidar com as emoções negativas, como a insegurança, a incerteza, o medo, a raiva, a tristeza porque eu tinha que combater tudo isso”, disse.

E sabe qual foi o momento em que Emílio decidiu que queria estudar para mudar de vida? Ele mesmo conta. “Eu tinha uma tia rica e ela me levava no restaurante e eu não sabia sequer pedir um prato. Eu decidi que iria estudar para poder ter acesso àquilo dali. Eu fiz a opção de estudar para financeiramente me dar bem na vida”, contou.

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Homem abraçado com idosa
Emílio e sua tia, matriarca da família, que o fez conhecer restaurantes e acessar outras possibilidades. Foto: Arquivo pessoal

Fazer faculdade para alguém que vem de uma realidade pobre geralmente é o maior fator de orgulho de uma família. Mas não foi assim na casa de Emílio porque o pai dele não o apoiou quando ele passou no vestibular da Mackenzie para o curso de Tecnologia da Informação aos 17 anos de idade.

O jovem precisou ir morar com a avó e trabalhar para fazer o curso. “Ele disse que eu tinha que me virar. Vim morar com a minha avó e comecei a trabalhar, mas eu sabia o que eu queria. Eu terminei minha faculdade porque eu sabia que ela poderia mudar a minha vida”, disse.

Vaquinha para o gari Giorggio montar sua oficina de reciclagem e ajudar outras famílias

E aos 21 anos de idade, ele já tinha a primeira formação concluída e era gerente de uma empresa de locação de automóveis. Aos 24, ele já era diretor de uma empresa da Microsoft no Brasil. Aos 27, assumiu o cargo de diretor de comunicação e marketing da McAfee. Até que aos 30 anos veio o maior desafio, se tornar diretor da McAfee para a América Latina. “Formação e idiomas não seriam mais um diferencial. Eu precisava estudar mais”. E lá foi ele fazer um MBA em Toronto, no Canadá.

“De novo a educação fez diferença na minha vida. É claro que você aprende no dia a dia, mas a vida acadêmica também me ajudou a expandir meus horizontes”, avalia. Em pouco tempo ele já era presidente da McAfee.

Recorte de revista com homem de terno e reportagem ao lado sobre educação
Emílio se tornou primeiro Diretor de Educação da Microsoft Brasil e guarda com carinho o registro da época. Foto: Arquivo pessoal

Emílio se tornou referência em educação no mundo

Aos 35 anos, Emílio recebeu o convite para ser Diretor de Educação da Microsoft. Há mais de 12 anos, ele se dedica ao estudo da educação pública brasileira e mundial, com foco em desenvolvimento socioemocional, tecnologia e inovação.

Em 2012, ele foi apontado pela Revista Planeta Educação dentre os “12 Mais Relevantes Pensadores de Educação Contemporânea no Mundo”.

Hoje ele é Vice-Presidente de Desenvolvimento Global & Comunicação do Instituto Ayrton Senna.

Homem de ´culos posando para foto à frente de multidão em evento

Para ele, foi o comportamento que o fez subir na vida. “A educação representa tudo na minha vida. Eu acreditava na educação, mesmo que pequenininho. Eu desenvolvi empatia, eu sabia respeitar as pessoas acima de tudo, estabelecer um vínculo de confiança principalmente com os professores porque era através deles que eu iria aprender”, disse.

Homem dando palestra sobre educação para plateia
Emílio se tornou referência em educação. Foto: Arquivo pessoal

Se antes, Emílio rodava de escola em escola para tentar aprender, hoje ele gira o mundo. O executivo já visitou 111 países e para cada lugar que vai ele estuda a cultura do local e promove encontro com historiadores da localidade para aprender mais e mais. “Educação é um instrumento que pode te levar a ter uma vida melhor”, concluiu.

Homem em aeroporto com emblema do Uzbequistão ao fundo
Emílio ganhou o mundo através da educação. Foto: Arquivo pessoal

Voa, Emílio!!!

Homem sentado em trono com roupa de rei e escudo e tapete atrás
Foto: Arquivo pessoal

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