Jornalista almoça com idoso solitário e gesto comove a internet

O jornalista Murillo Leal, 28 anos, queria apenas comer uma feijoada para sentir que estava perto do pai dele, no Dia dos Pais. Mas, ele ganhou um amigo, embora só universo possa dizer se haverá um segundo encontro.

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Murillo mora em São Paulo, enquanto o pai e mãe dele vivem em Londrina (PR). Na manhã de domingo, ele ligou para seu pai para dar parabéns e soube que a família ia comer uma feijoada na casa de uma tia-avó. Por isso ele decidiu procurar um lugar que servia a ‘paixão nacional’, em um shopping.

Enquanto procurava uma mesa na praça de alimentação, o jornalista nem desconfiava que estava prestes a fazer companhia para um senhor solitário.

Murillo viu o idoso almoçando sozinho em pleno Dia dos Pais e achou aquilo injusto. Ele já havia sentado em uma mesa, mas se levantou e perguntou ao idoso se poderiam almoçar juntos, dizendo que estava longe de seu pai. O Seu Plácido, 81 anos, muito gentil, acenou que sim.

“Durante nosso papo, enquanto ele falava, eu me sentia como se fosse um amigo dele mesmo. Contou sobre sua vida, que havia sido professor de geografia e que trabalha com meio ambiente bem ‘antes de ser moda’”, contou o jornalista em conversa com o Razões para Acreditar.

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Ele preferiu não perguntar ao Seu Plácido sobre sua família. O idoso disse simplesmente que a família estava longe. “Então, não sei a razão dele estar lá sozinho. Não sei nem se ele tem esposa e filhos. Fiquei desconfortável de ficar investigando. Queria aproveitar mais o encontro.”

Os dois terminaram a refeição e agradeceram a companhia um do outro. Emocionado, Murillo nem se lembrou de pegar o telefone do Seu Plácido…

Era como se aquele encontro preenchesse anos de amizade – aquela sensação de passar pouco tempo com uma pessoa, e sentir que está conectado ou conectada a ela para sempre, de uma forma inexplicável, mas gostosa, como a fruta mais fresca da estação.

Murillo deve ter experimentado algo assim, e comoveu várias pessoas com o relato que compartilhou no seu Instagram.

“Recebi muitas, mas muitas mensagens das pessoas depois que a história teve uma repercussão na internet. Acredito que tentar entender por que ser empático choca tantas pessoas é simples. Estamos acostumados com a vida solitária. Despertei para isso ainda jovem e me sinto privilegiado. Procuro espalhar isso para todo lugar que vou palestrar, escrever, ensinar”, afirma o jornalista.

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“Recebi uma mensagem de uma garota que disse: ‘Li sua história e até me deu vontade de abraçar meu pai’. Eu respondi: ‘Pois vá agora’. Isso é uma razão para acreditar que vale a pena pensar e agir diferente.”

Confira a publicação na íntegra:

Liguei pro meu pai hoje cedo e descobri que eles iam comer feijoada. Como estou longe, fui atrás de uma para me sentir um pouco conectado. Me servi e estava em busca de um lugar para sentar na praça de alimentação, quando olho para o lado e vejo esta cena. Este é Seu Plácido. Estava almoçando sozinho em pleno dia dos pais. Achei injusto. Achei errado. Achei que a vida tinha feito uma sacanagem. Intrometido que sou, fui até ele e pedi para sentar na desculpa que meu pai tava longe. Ele topou na hora. Me contou sobre sua vida, sua profissão como professor de geografia e ativista do meio ambiente “numa época que ninguém falava disso”, se orgulhou. Falou sobre a descendência italiana, sobre os desafios da educação, sobre a mudança das gerações. Fiz uma ou duas piadas, ele sorriu. Conversamos por um tempo. Me despedi e agradeci a companhia. Ganhei um amigo de 81 anos. Estou postando isso não para que vocês achem que sou a melhor pessoa do mundo, mas para dizer que a empatia ainda tem poder e que podemos salvar o dia das pessoas e o nosso mesmo. Obrigado, Seu Plácido.

Uma publicação compartilhada por Murillo Leal (@lealmurillo) em

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“Liguei pro meu pai hoje cedo e descobri que eles iam comer feijoada. Como estou longe, fui atrás de uma para me sentir um pouco conectado.
Me servi e estava em busca de um lugar para sentar na praça de alimentação, quando olho para o lado e vejo esta cena.
Este é Seu Plácido. Estava almoçando sozinho em pleno dia dos pais. Achei injusto. Achei errado. Achei que a vida tinha feito uma sacanagem.
Intrometido que sou, fui até ele e pedi para sentar na desculpa que meu pai tava longe. Ele topou na hora.
Me contou sobre sua vida, sua profissão como professor de geografia e ativista do meio ambiente “numa época que ninguém falava disso”, se orgulhou.
Falou sobre a descendência italiana, sobre os desafios da educação, sobre a mudança das gerações. Fiz uma ou duas piadas, ele sorriu.
Conversamos por um tempo. Me despedi e agradeci a companhia. Ganhei um amigo de 81 anos.
Estou postando isso não para que vocês achem que sou a melhor pessoa do mundo, mas para dizer que a empatia ainda tem poder e que podemos salvar o dia das pessoas e o nosso mesmo.
Obrigado, Seu Plácido.”

crédito das imagens: Reprodução/Instagram @lealmurillo

 

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